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Todos os posts sobre Vida de Modelo

Mudança, palavra essa que fez parte de toda minha trajetória de vida, como já foi mencionado por aqui. No lado profissional ela inclusive acontece com bastante frequência, já mudei inúmeras vezes de profissão até descobrir a vocação que realmente queria seguir. E com vocês, já aconteceu algo parecido? Na verdade isso é comum, mais do que imaginamos até. O fato é que no meio dessas indecisões percebi que tinha uma vocação e que disso poderia fazer uma profissão. Sem notar fui me aperfeiçoando, pesquisando, aprendendo e até ensinando. Mas na hora de explicar o que faço, como convencer as pessoas de que sou modelo e blogueiro? Sempre tento explicar de uma maneira que levem a sério meu trabalho sem ficar com cara de “?”, porém, ao final de todo aquele discurso algumas insistem em lançar a pergunta: mas afinal de contas, o que você faz? É modelo? Designer? Blogueiro? Colunista de moda? Fotógrafo? É nessa hora que minha língua enrola e eu fico travado. E percebi que isso não ocorre só comigo, já vi outras pessoas comentando, inclusive alguns blogueiros.
Sou desses que acreditam no próprio talento, não chegando a ser convencido, mas acredito que através dele poderei realizar grandes coisas profissionalmente, porém, na hora de comentar com outras pessoas sobre um pouco dessa habilidade profissional fico sem saber o que falar. Meu talento? Sou modelo e blogueiro e através desses dois trabalhos consigo mostrar para as pessoas que elas têm que acreditar nos seus sonhos mesmo que ninguém acredite. Tento aconselhar que você não deve ter medo de se mostrar ou usar o que você quer independente da sociedade ser ainda preconceituosa com um homem que gosta de se vestir diferente. Mostro que através daquilo que você ama fazer poderá ter a profissão dos seus sonhos e que não há limites para sonhar.

Talvez esse medo que trava minha língua de falar o que realmente faço seja algo que a sociedade impõe, muitas vezes alegando que você deve fazer uma faculdade por anos intermináveis e após isso correr atrás de um emprego estável trabalhando no mínimo 8 horas por dia de carteira assinada com um chefe que você não suporta, tendo uma vida repetitiva e estressante. Me desculpe, mas isso é algo ao qual não me encaixo, trabalhar apenas para conseguir aquele dinheiro todo mês não faz parte da minha forma de viver. Sei que ninguém faz por prazer, a maioria é realmente por necessidade, porque precisa daquilo para atingir seus objetivos profissionais e eu não só admiro como respeito muito quem segue esse caminho, mas eu não consigo me encaixar nele, de verdade. Gosto de acrescentar cores e sabores no meu cotidiano e isso envolve o meio profissional, por isso não invisto em outra coisa.  Como me enxergam no meio profissional? Muitas vezes como louco, acomodado, preguiçoso e por aí vai. Tudo isso já escutei de alguém e até mesmo de familiares. Mas o que eles não conseguem entender é que corro atrás daquilo que amo fazer e não do que eles querem impor para mim. E se você quer saber quantas horas por dia corro atrás dos meus objetivos, se eu lhe disser que são 24 horas, você acredita? Não estou falando por alto e sim com certeza. Me vejo como uma grande empresa e por dia traço metas, caminhos e objetivos, fico analisando todas as portas possíveis, fazendo muitas vezes até gráficos de ganhos e perdas de algumas oportunidades que vejo diariamente. Passo o dia pesquisando e se alguém me perguntar saberei responder muita coisa sobre esse meio, porque vou a fundo em tudo que faço. Mas por muitos não verem um currículo em minha mesa e sim um book, acham que estou querendo me acomodar.
Uma das coisas que mais me orgulho na vida é de ter chegado até aqui sozinho. Vejo que não precisei de ninguém segurando minha mão ou me orientando, a maior parte dessa trajetória rumo ao conhecimento foi solitária e me ajudou a ser mais independente. Hoje possuo grandes amigos que me auxiliam na caminhada, mas há 4 anos atrás era feito somente com meu esforço. Sei do que sou capaz e vejo o quanto avancei através disso e nessa caminhada não busquei apenas o conhecimento da minha profissão, mas acabei me encontrando e me descobrindo no meio dela. Foi uma jornada rumo a mim mesmo e isso é realmente uma sensação muito boa. São coisas como essa que fazer um trabalho convencional certamente não me proporcionaria. E tudo isso me passa confiança, sabe? Porém, quando tento explicar, me ocorre uma insegurança, como se minha profissão não tivesse credibilidade e tudo não passasse apenas de uma brincadeira, então me pego pensando em tudo o que batalhei e vi que essa batalha foi também para garantir respeito pelo que faço, tudo na teoria, pois na prática ainda rola a insegurança (e o preconceito).
Então chega aquela filosofia “se você não acreditar no que faz, quem vai?” Mas talvez isso aconteça porque fiz de um hobby, algo que fazia de graça, o meu ganha pão. Comecei a ganhar por aquilo que fazia nas horas vagas e que hoje ocupa bem mais da minha rotina diária. Em algumas vezes, poucas aliás, faço com tanto amor que não obtenho retorno nenhum. Não tenho vergonha de dizer isso, mas não são todos que entendem e acabam fazendo você desacreditar do seu trabalho. Mas nesse meio profissional acontece muito de inúmeras vezes você ter que fazer pequenos “favores amigos” pro seu chefe ou mesmo ficar um pouco mais tarde por um imprevisto, tudo sem obter uma valorização. Como podemos perceber, trabalho não é somente ganhar pelo que se faz. É fazer daquela sua qualidade algo para exercer no meio profissional. Lógico que não pretendo passar a minha vida toda trabalhando sem retorno, mas em algumas situações sabemos que é necessário. Por isso, use aquilo que você tem de melhor e acrescente no meio profissional para dar uma vida a mais no seu cotidiano. Não se prenda a regras ou normas que a sociedade impõe. Se você acredita no seu talento, pode ter certeza: isso já é o suficiente.
Abraços!
A cada ano fica mais claro que dificilmente a moda esquecerá da geração de modelos que alcançaram o topo de super modelos ou ícones da indústria. Não é à toa que depois de anos muitos ainda são escalados para grandes campanhas e aparições nas passarelas. A cada ano somos surpreendidos com o retorno de alguns deles e não pense que somente as mulheres são beneficiadas nesse mercado, pois a indústria masculina também preserva seus super modelos e muitos ainda continuam a todo vapor no mercado fazendo grandes trabalhos, mesmo que a idade já tenha chegado.
Por mais que muitos anos tenham se passado eles continuam sendo ícones, porém atualmente poucos conseguem entrar nessa lista, pois para se chegar a esse patamar é necessário um trabalho árduo e bem construído não só pelo modelo, mas toda a sua equipe trabalhando para que sua imagem permaneça no mercado. A profissão modelo assumiu uma postura de mercado reciclado, o que os torna rostos descartáveis, tendo apenas uma ou algumas temporadas de fama e sendo depois esquecido nas prateleira de suas agências. Porém, esse novo segmento não afeta a classe de super modelos como podemos perceber, afinal, a cada ano eles ficam cada vez mais valorizados.

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Tony Ward, um dos rosto mais antigos que ainda continua ativo na moda.
Personalidade e insistência são duas características que infelizmente muitos modelos da atualidade não têm, principalmente insistência, pois esse mercado é difícil e mesmo tendo alcançado um lugar no meio de tantos, as dificuldades ainda irão surgir. E dessa maneira muitos não conseguem aguentar. Não critico seus motivos para desistir, mas pense em como eram as coisas anos atrás sem a ajuda da internet e das redes sociais onde todas as informações se propagavam muito mais lentamente! Era mais difícil, não era? Acredito que naquela época o mercado dos modelos era bem mais cruel do que nos dias atuais, quando leis passaram a ser vigoradas. Mesmo assim tivemos modelos cuja carreira sobreviveu a tudo isso eles continuam atuando até hoje.
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Scott Barnhill é um dos rostos que sempre aparece no desfile da Versace e fez sucesso nos anos 90.
O mercado se ampliou e hoje não existe um biotipo específico de modelo, cada um se encaixa em um segmento de mercado. Magro, bombado, atlético, tatuado, alto, baixo, loiro, moreno, ruivo, cabelo colorido, exótico, bonito, o mercado se ampliou e tem aumentado cada vez mais para atender a todos os públicos, mas quanto maior ele fica, mais difícil fica se destacar, pois cada um tem algo de especial que poderia lhe levar ao topo. Realizar o sonho de desfilar para Giorgi Armani ou Dolce e Gabanna (sonho de todo garoto que entra para a modelagem) não é tão difícil. Em média são colocados para desfilar nas passarelas dessas grandes casas 90 modelos, então com certeza em um casting a concorrência deve ser altíssima, mas por base na quantidade selecionada você poderá ter 45% de chances de pisar nelas. Lembrando que isso é só uma teoria, claro que na prática as coisas não são tão simples assim. E em relação às campanhas lançadas por essas marcas, o que dizer? Bom, para elas muitas vezes são selecionados no máximo 5 modelos  (é normal acontecer de ser apenas mesmo 1), então vemos todas essas chances diminuírem drasticamente, tornando-se um degrau quase impossível de ser alcançado. Porém, vale ressaltar que há quem consiga se sobressair no meio da multidão e estampar a campanha, porque possui aquele diferencial do qual estamos falando, que é o que conquista os diretores de casting.
E você, já se perguntou o que te faz único? O que você possui de especial que faz as agências brigarem por você? De acordo com pesquisa recente foi constatado que em media 2500 modelos entram em contato com agências em São Paulo, é muito modelo para ser escolhido, então é aí que eu te pergunto: qual é o seu diferencial? O que te destaca no meio da multidão? E não responda beleza, porque isso existe de sobra nesse mercado. Deu pra perceber o quanto a concorrência é altíssima? Não se engane, nessas perguntas não estou me privilegiando, também estou incluído nisso, pois ainda não cheguei lá, então preciso saber o que me faz diferente dos demais, o que eu tenho que pode me levar a ser um grande modelo. Se pudermos fazer uma comparação, esse mercado é como um jogo de futebol para o qual é necessário um técnico, um bom jogador e uma estratégia de jogo.

Como minha mãe sempre diz, uma pessoa tem que saber entrar e sair de um lugar, então, caro modelo você tem que estar preparado para entrar na sala de casting e fazer seu show. Caso receba um não, saiba sair de cabeça erguida, pronto para o próximo, pois o que eu vejo de modelo dando ataque de estrelismo logo na entrada e na saída de casting é de fazer com que agências internacionais nem queiram mais contratar modelos brasileiros. De um jeito ou de outro, valorize-se. E preservar a sua imagem faz parte.

Abraços!

Quando iniciei a carreira havia dois modelos que se destacavam dos demais. Muitos conseguiram ir longe, porém esses dois eram o ponto alto do mercado. Não havia um profissional do meio que não gostasse de trabalhar com eles e por sempre ouvir falar de ambos, passei a ter uma grande admiração. Tracei como objetivo conseguir alcançar o patamar deles algum dia ou mesmo conhecê-los pessoalmente, mas no fundo acreditava que isso seria impossível, porque dificilmente eles eram vistos em castings.

Alguns anos mais tarde a agência  pela qual eu trabalhava me escalou para um casting. Ao chegar no local percebi que era um dos poucos new face, os demais modelos eram veteranos e alguns vindos de temporadas no exterior. Sempre fui muito reservado, quando chego em algum lugar onde não conheço ninguém prefiro ficar apenas observando o ambiente, o que dessa vez não foi possível, pois os dois modelos que tanto admirava tinha acabado de chegar, sendo que um deles tinha feito recentemente uma temporada na Europa. Logo eles se familiarizaram com alguns rostos que estavam por lá e fizeram uma grande roda de amigos. Pouco tempo depois um deles, que me conhecia apenas por foto, me convidou a me aproximar. Por mais que minha timidez estivesse disparada naquele momento, consegui dominá-la e resolvi ir até os demais.
A conversa entre eles não era outra a não ser sobre como era modelar no exterior, até que o recém chegado da Europa comentou que os planos futuros para sua carreira era ficar na sua cidade modelando e não viajar mais para o exterior. Fiz uma cara de dúvida e perguntei o motivo daquela decisão. Ele me respondeu e ao mesmo tempo me aconselhou que jamais viajasse internacionalmente como modelo, pois você se mata de trabalhar e não fica famoso nem muito menos rico. E assim, ele continuou dizendo que cada temporada internacional não lhe rendia o dinheiro necessário. Fora isso a conversa continuou em pontos negativos do mercado e isso para mim foi o suficiente para não concordar e passar o restante da conversa calado.
Foi triste levar um banho de água fria daqueles modelos que tanto admirava, porém, o fato de não concordar com a opinião dele era muito maior. Uma coisa que sempre falo para os meninos é que para ser modelo você deve amar o que faz, porque é uma profissão cheia de altos e baixos, e se não houver realmente paixão, rapidamente você desiste. Sempre acreditei que modelo feliz não é aquele que é rico e sim o que trabalha bem no mercado. Fama e riqueza nunca trazem felicidade para ninguém. Para chegar lá é necessário muito trabalho e, claro, um pouco de sorte do destino. Mesmo depois de tanto tempo minha opinião continua a mesma e o mais impressionante é que me deparo com pessoas diferentes, mas com a mesma visão daqueles modelo e percebo que não é certo entrar nessa profissão achando que vai trabalhar muito para ficar rico ou famoso. Aliás, não só nessa área, mas em todas as áreas da vida.
Nunca entrei nessa profissão por dinheiro, achei que seria um desafio para mim e acabei participando. Sempre me conheci e com o passar do tempo minha opinião nunca mudou, sempre gostei do prazer que esse meio me proporcionava trabalhando e por mais que essa carreira junto com a de blogueiro acabe resultando mais cedo ou mais tarde em ser famoso, fama e riqueza é algo que realmente nunca almejei. Gosto da ideia de ser alguém que tem seu trabalho respeitado por pessoas do meio, mas não correria atrás disso se não houvesse por trás uma paixão intensa pela profissão.
Hoje não tenho mais notícias desses modelos que desabafaram comigo e, apesar de ter suas redes sociais, só trocamos alguns elogios por comentários em fotos. O pouco que sei é que eles largaram a carreira, mesmo tendo sido dos poucos modelos da sua geração que chegaram tão longe. O que quero realmente dizer é que se você escolhe uma profissão pensando apenas na parte material, no dinheiro, na fama, no status, mais cedo ou mais tarde você acabará se desiludindo com tudo aquilo, por mais que dê certo por algum tempo. Mas quando você ama o que faz, mesmo que tudo esteja dando errado e até nas piores fases da sua carreira você saberá que optou pela escolha certa.

Abraços!

Sempre que posso procuro novas informações sobre o meio da moda, mais especificamente sobre o trabalho de modelo e tento ao máximo procurar conhecimento. E foi numa dessas buscas que descobri outras denominações do reality show American’s Next Top Model (recomendo assistir quem deseja seguir a carreira de modelo) que faz sucesso no mundo todo e por isso ganhou franquias em vários países, como México, África, China, Austrália e muitos outros, chegando até mesmo em nossas terras tropicais com o nome de Brazil’s Next Top Model, que inclusive não foi bem um sucesso de público.
Algumas semanas atrás tive a oportunidade de conhecer o Polônia Next Top Model e vi que as legendas estavam disponíveis. Devo ser sincero que não tinha conhecimento de que a Polônia poderia ser uma rota de modelo, justamente por ela não fazer parte do circuito da moda não imaginava a existência de grandes designers, agências, revistas e modelos trabalhando por lá. E por mais que o programa seja uma versão genérica do ANTM, devo dizer que os modelos tinham bastante potencial, o que me fez pensar no quanto eu não tinha noção do tamanho desse mundo. Gigantesco é a palavra certa, porém grande em quantidade, mas restrito para pouquíssimos nomes tornarem-se destaque. Não vou mentir que não conheço nenhum modelo mexicano, polonês, indiano, chileno ou cubano de sucesso, apesar de saber que eles existem. Só então depois de pensarmos no tamanho desse mundo e na quantidade de profissionais que ele possui, lembro que no casting de uma Semana de Moda Internacional ou mesmo para uma Campanha de alguma grife é feita uma seleção não somente com um grupo de modelos. Na verdade você acaba competindo com o mundo inteiro para obter um espaço. Isso me lembra até esses concursos federais, onde os estudantes se matam de estudar para garantir sua vaga no emprego que irá lhe render estabilidade financeira, só que na moda a competição é bem maior.

Ao entrarmos nesse meio não imaginamos que isso é uma competição, pois são muitas pessoas batalhando para conseguir o mesmo espaço. Por outro lado temos muita sorte, pois o Brasil é um dos poucos países que têm uma grande safra de modelos em destaque conhecidos mundialmente. Estamos muito à frente de outros que tentam, porém não damos a isso o devido valor. Por que falo isso? Porque percebo que essa nova geração de modelos que está entrando no mercado não tem tanta paciência quanto os veteranos que passaram anos para conseguir seu lugar. Hoje eles querem tudo de imediato e em alguns casos acabam passando o tapete em quem investiu neles. Muitos deles têm a sorte de conseguir um grande trabalho logo de primeira e já acreditam que a partir daí o restante das portas irá se abrir. A moda está cada vez mais reciclada. Hoje você bomba e amanhã você está voltando para sua cidade natal porque está acumulando dívida na sua agência e não está rendendo dinheiro. Quando alguns modelos novatos me pedem algum conselho, falo que é muito fácil conseguir destaque, difícil mesmo é conseguir se manter lá em cima.

Temos que ter consciência que para chegar lá é necessário batalhar duro e valorizar todas as oportunidades que lhe são dadas. Não é errado escolher as principais capitais para fazer seu internacional, mas é preciso lembrar que lá está a maioria dos grandes modelos, o que torna a concorrência maior. Agora olhe para si e se pergunte: será que estou preparado para enfrentar esse mercado, tenho o necessário para destacar no meio dessa multidão? Será que não seria mais fácil ter Ásia, Miami, Austrália, África do Sul, México, Dubai, e Chile como primeira rota? Para que você consiga um destaque, deve antes ter um material de peso. Só então conseguirá entrar na grande rota. Não é errado pensar grande, mas lembre: para chegar ao topo, seja em que área for, é necessário construir um caminho longo, que precisa de muito suor. Porém, o difícil não quer dizer impossível. Nunca deixe de acreditar em si mesmo. Faça sua parte, cuide do seu profissional, independente da profissão que escolheu. Assim, não demora muito e os resultados começarão a aparecer.

Abraços!

Conhecimento, essa é a palavra certa para todas as áreas, mas na profissão de modelo deve ser uma característica de um garoto que deseja entrar no mercado. Há alguns anos isso era praticamente impossível de conseguir e olhe que estou me referindo há apenas cerca de uns três anos. Quando iniciei este blog, era bem mais difícil pesquisar e encontrar informações sobre o meio. Porém, hoje somos mais que privilegiados por existir uma variedade de sites e blogs que falam do assunto. Amo poder estar passando essas informações aqui, afinal não passo somente a informação, acabo também aprendendo. Mas não pensem que por estar escrevendo para vocês eu esteja melhor ou em um patamar acima,  pelo contrário: somos todos new faces batalhando por um lugar ao Sol.

Talvez você não tenha percebido, mas note que nos últimos desfiles de moda a entrada de modelos new face nas passarelas está aumentando cada vez mais e a cada nova temporada fica mais nítida essa renovação. Se fizermos uma estatística de 10 modelos que entram como new faces numa temporada de moda, somente 3 a 4 retornam para a próxima, isso de um modo geral. O mercado está buscando pelo novo cada vez mais rápido e isso mostra o quanto tudo está descartável. Por isso sempre falo que o modelo precisa de conhecimento para saber a real situação do mercado atual, pois percebo que ainda se tem aquela imagem de carreira dos anos 90, onde um modelo durava até virar um possível top model.
A profissão de modelo está desvalorizada, na verdade acredito que as agências devam sempre orientar seus modelos para que assim, quando entrarem de vez no mercado, já saibam o que lhes espera e não tenham que desistir por ter pensando o contrário. Mas antes que digam que estou sendo duro ao falar que a profissão não está sendo valorizada, na verdade só estou repetindo o que o editor de um dos maiores site de moda brasileira junto com o maior diretor de casting do mundo falaram. Quem são eles? Higor Bastos e James Scully, sendo que este último sempre procura preservar veteranas em seus desfiles e procura mesclar com novatas em seus castings, mas ainda assim, percebe o quanto tudo está se tornando descartável. Scully é responsável por desfiles de grifes como Tom Ford, Stella McCartney, Jason Wu, Lanvin e Carolina Herrera. Ele próprio fala que para usar o mesmo modelo em vários desfiles é necessário que ele saiba representar o público que aquela marca deseja atrair. Percebam que não basta somente andar em cima de uma passarela, é necessário uma atitude.
Rapidinha: Diretor de casting é um profissional  responsável por selecionar os modelos certos para o desfile de uma determinada marca. Muitas vezes o próprio dono da marca precisa cuidar de outros preparativos do desfile, então ele explica como deseja o perfil e a passarela dos meninos e o diretor seleciona nos castings que faz. Com isso são feitas várias seleções e provas de roupa para saber se aquele modelo está apto mesmo para pegar o desfile. São eles que cuidam de negociação de cachê e disponibilidade ou exclusividade de modelo para uma marca. Muitas vezes você nem passa pelo dono da marca durante a seleção, apenas pela sua equipe.
Para se ter uma ideia de como era o trabalho de imagem de um  modelo alguns anos atrás, quando um garoto era apresentado no mercado, se ele não pegava muitos trabalhos na primeira temporada, na próxima ele era reapresentado com alguma mudança de visual ou com material de maior peso. Para isso era necessário um plano de carreira, investimento e atenção dos profissionais com esse modelo. Hoje, se um modelo não pega uma primeira temporada, na próxima infelizmente ele será substituído por outro garoto que acabou de chegar. Assim está o mercado: a cada temporada entra uma nova remessa de modelos new face e os que não se destacaram são colocados no banco de reserva. Poucas  agências ainda optam pelo antigo método de trabalho. Não há um culpado específico disso tudo, pois é um sistema que foi se instalando e todos foram se adequando a ele.

Por mais que as palavras dos profissionais sejam um tanto desanimadoras, temos que usá-las como estímulo para nossa carreira e saber o que queremos e no que precisamos melhorar para chegarmos lá. Também precisamos entender que fama e dinheiro não estão mais fazendo parte desse mercado, pois está cada vez mais difícil conseguir alcançá-los. Na verdade isso foi algo que consegui extrair de um comentário de uma booker no post dessa matéria. Esse processo de troca de rosto é atual e por mais que não venhamos a concordar, devemos nos adaptar e fazer disso não somente um ponto fraco e sim uma oportunidade. No texto do FFW é nítido que o mercado referente é o feminino, que é bem mais destacado na moda que o masculino. Mas basta percebermos as dificuldades que ocorrem no delas e então deduziremos que o nosso está bem pior, afinal nosso mercado ainda é fraco. Vejo muitos modelos new face entrando no mercado sem ao menos saber como funciona e isso me causa uma certa preocupação, pois percebo que poderão não durar por achar que tudo são rosas e que o caminho é fácil demais. Nesse mercado o que precisamos que entender é que talvez seja até rápido conseguir subir, mas para descer a velocidade é ainda maior.

Abraços!

 

Estar em um lugar onde você se sente deslocado, onde as pessoas te olham estranho ou pior ainda: não te olham. Algumas olham para os lados, desconfiadas. Inseguras, ficam pelos cantos. Outras, ao contrário, andam de um lado para o outro, esbanjando autoconfiança. Quanto a mim, me mantenho no meu lugar (eu tenho mesmo um?), vez ou outra cumprimento alguém conhecido, mas tudo muito rápido. No geral, todos estão sozinhos em meio àquela multidão. Ao menos a maioria.
Algumas pessoas chegam apressadas, perderam a hora e têm medo de também perder a vez. Eu chego cedo por precaução, mas sei que passarei horas de espera, fome, cansaço físico e mental. A ansiedade consome a todos, mas o que mais me incomoda são os olhares. Tem gente que não consegue olhar no olho, fica disperso ou finge distração. Me aproximo de uma moça e pergunto as horas. Ela me olha do jeito mais frio e indiferente que já vi na vida, responde rapidamente e se vira para o outro lado. Chega um momento em que me pergunto o que fiz de errado. Mas alguns rostos ao meu redor parecem perguntar a mesma coisa. Não estou sozinho, porém, estou. Estamos juntos, mas sós. Não ouso mais nenhuma aproximação. Não há sorrisos, nem um sinal de ‘ei, vem aqui, vamos conversar enquanto isso não começa’. Aliás, há apenas entre os veteranos. Entre os new faces não há sinal nenhum, apenas silêncio e indiferença.
Os veteranos passeiam pelos corredores, conversam em suas panelinhas, brincam entre si e parecem não perceber os outros ali presentes. Haverá mesmo alguém além deles? Às vezes sinto como se eu não existisse naquele lugar. Continuo deslocado, isolado, ignorado. Em outros lugares eu arriscaria uma conversa. Ali não. Não me sinto importante o suficiente para ser ouvido, para sequer ser notado. Melhor continuar no meu lugar.
Sempre foi assim na maioria dos castings e nesse último não seria diferente. Em qualquer outra seleção de emprego as pessoas se cumprimentam e se tratam com cortesia. Por mais tensos que os candidatos estejam, eles conseguem sorrir e interagir entre si. Algumas amizades surgem a partir daquele momento. Tenho uma amiga que estendeu essa relação para além do período seletivo e ambas se falam até hoje. Mas nos castings isso é praticamente impossível. Não há clima nem abertura para isso. E se você conseguiu uma amizade em um momento assim, tenho que te parabenizar, porque isso é uma exceção. Quem é modelo sabe o que é sofrer com a frieza do mundo profissional. O que fazer? Quando você é selecionado a insegurança dá lugar à motivação. Porém, muitas das vezes é entrar na sala, ser avaliado e receber uma resposta negativa, “porque você não se encaixa para aquele trabalho”. E voltar na próxima vez, enfrentar tudo de novo e viver alternando entre ansiedade e solidão.

Abraços!

 

Se procurarmos a definição de lenda no dicionário teremos o seguinte significado: “lendas são narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular. No que se tornam conhecidas vão sendo registradas na linguagem escrita.”
Em outras palavras, lenda nada mais é do que a definição para coisas que não tem uma base de explicação científica, geralmente contando uma história com elementos criados. À medida em que a lenda vai passando de geração para geração, cada vez que é contada por outra pessoa, vai aumentando seu número fragmentos. É como aquele ditado que diz “quem conta um conto aumenta um ponto.”

 

Na moda também usamos o termo lenda, atribuindo a seus profissionais. Na categoria de modelos, temos alguns nomes que basta pronunciá-los e milhares de histórias irão surgir. Nesse disputado universo, não basta beleza ou muito menos fama para ser considerado uma lenda. É um trabalho muito além disso, pois possuímos modelos que são verdadeiros ícones, mas não estão na boca das pessoas como alguns outros. O caso que cito é da indústria masculina, onde os modelos lendas são Jon Kortajarena, Evandro Soldati e os menos conhecidos são Sebastien Andrieu, Simon Nessman, Alexandre Cunha e Paul Boche entre alguns outros. Todos tiveram uma carreira tão significativa que são considerados ícones no meio dos modelos masculinos. Foram eles que fizeram a diferença na indústria e marcaram pela revolução que fizeram no mercado.
Mas o que leva um modelo a se tornar uma lenda? Seria o número de campanhas? Ou desfiles? Na verdade é todo um conjunto para que ele se firme mais e mais, porém isso não está relativamente associado em números e sim em marcos nos quais ele está presente. Assim como um espetáculo de circo, da mesma forma são desfiles e campanhas, que mesmo sendo repetidos, dificilmente sairão do mesmo jeito. Porém, sempre haverá aqueles desfiles que tornam-se lendários pela participação de um modelo, onde ele incorpora tão bem o personagem que deixa a plateia perplexa, como foi o caso de Gisele Bundchen no seu primeiro desfile internacional para Alexander McQueen e Karlie Kloss para o desfile de Jonh Gallianno na Dior. São modelos que conseguiram se destacar em um determinado evento.
Também temos desfiles que são lendários e os modelos que participam acabam entrando para a história da moda, podendo virar futuras lendas, como o desfile da Givenchy, que deixou sua casa em Paris para desfilar em Nova Iorque num espetáculo que fez um remake de todas as suas coleções e trouxe uma homenagem ao 7 de setembro. E assim como ele tivemos o da Chanel, com sua marcha em favor do feminismo, o da Gucci, que abandonou aquele ar de mulher sexy e resolveu apostar numa moda sem gênero. São tantos que não caberia aqui nesse post, e olhe que estou falando apenas dos mais recentes. Mas o que quero passar é que não está associado a apenas um trabalho em si. Note que nomes como esses fizeram parte de muitas outras histórias na moda, como Gisele no editorial da Vogue Itália e Jon Kortajarena nu para a campanha de óculos da Tom Ford. São imagens que marcaram bastante e lembranças que vêm de imediato ao mencionar os nomes de alguns deles.
O que muita gente não percebe é que existem grandes e pequenas lendas, onde as pequenas são lembradas por apenas um marco na história, mas que mesmo assim fizeram uma reviravolta no mercado, como foi o caso de Kendall Jenner, que trouxe um novo segmento de modelo no mercado com base em números de fãs pelas redes sociais. Modelo que sai do papel de apenas um cabide e traz um trabalho de influenciador no seu público. Houve sim, muitas subcelebridades que tiveram um papel na modelagem, como Paris Hilton, Justin Bieber e Rihanna, mas todos só tiveram apenas uma pequena participação nesse mundo, diferente da garota de reality de família polêmica que conseguiu desfilar, estampar revistas e emprestar seu rosto para campanhas fortes. De fato, ainda está cedo para chamá-la de lenda, mas que ela já esta no caminho certo para conseguir, isso temos que reconhecer. Ainda há um certo preconceito em relação a esse tipo de estrelato, mas querendo ou não, algumas pessoas marcaram e mudaram o mercado. Por mais que muita gente não concorde, não depende da nossa aprovação. Essas pessoas existem e estão sim, fazendo história. No fim das contas, a modelo que batalhou anos para chegar lá e a menina de milhões de seguidores terão sua parcela de influência sobre o público e conseguirão resultados pra lá de satisfatórios para as marcas que representarem. A vida é dinâmica, o mercado também.

 

Abraços!
Por Daniel em 11 de março de 2016
2 comentários  |  Loading Ler mais tarde
Quem me acompanha pela fan page do blog já sabe como as notícias chegam primeiro por lá, afinal tento transmitir tudo em tempo real para uma melhor interação com vocês. Há alguns meses havia prometido postar aqui minhas novas polaroides. Bom, digamos que o tempo foi passando e acabei esquecendo. Acontece, né? Mas depois de um tempo resolvi trazê-las, afinal nunca é tarde para mostrar. Já fizemos um post aqui no blog explicando um pouco sobre as fotos polaroides e suas funções. Porém, vou dar uma resumida, só pra relembrar. Elas são feitas com o objetivo de serem mandadas para clientes ou uma nova agência que você tenha interesse que você faça parte do casting de modelos deles. Alguns castings contam com fotógrafos do cliente para fazer essas fotos na hora, por isso a importância de aparecer bem vestido no casting. É importante destacar que não é preciso maquiagem ou mesmo edição, pois o interessado deseja ver como você é realmente. As fotos polaroides ou snap time como são chamadas atualmente têm a função não de desvalorizar e sim de mostrar o modelo como ele é realmente. Já o portfólio mostra o que foi feito a partir daquela beleza.
Não é necessário que as polaroides sejam feitas por fotógrafos, mas é importante que a pessoa que tire suas fotos saiba valorizar você em uma imagem, afinal é através dela que irão decidir se você será selecionado. Quando elas forem mandadas para clientes, é importante também que estejam em um padrão igual ao exemplo acima. Isso não é uma regra, porém é bem mais organizado assim.
Abraços

Muito já foi feito depois da exposição do mercado na mídia. Algumas modelos de renome usaram o poder de sua imagem para fazer algo em prol das new faces. Nomes como Coco Rocha, que fundou a Models Aliance, por exemplo, Naomi e Iman, que entraram num protesto em favor das modelos negras e Tyra Banks, que gritou para o mundo os absurdos que o meio fazia com modelos acima do peso. Mas onde fica o setor masculino em meio a tantas revoluções? Infelizmente os modelos de renome preferem não se pronunciar com relação a esse tipo de coisa e um new face que se arriscar a fazer isso poderá perder sua carreira antes mesmo de começar, isso se a mídia lhe der voz. Como se pode ver, o setor masculino, por mais que não tenha rivalidade como o feminino, também não é tão unido na hora de lutar por direitos. E também não ganha tanta visibilidade em alguns aspectos, por exemplo, nunca vi nada na mídia até agora em relação aos *documentários que acabam denunciando alguns absurdos na modelagem masculina.

De fato, esses documentários têm como intuito falar da exploração que um modelo masculino sofre nessa indústria, afinal, ganhamos menos do que as mulheres (e não sou a favor que se ganhe mais ou menos de acordo com o gênero, mas que o salário seja compatível com a função e o trabalho de cada um, independente de quem você seja). A desigualdade de salário entre ambos os sexos chega a ser assustadora, quer dizer, o que nos incomoda não é o fato de ganharmos menos, mas o fato de ganharmos BEM MENOS. A diferença é tão grande que se você for comparar, verá que para nós chega a ser vergonhoso. Não é fácil ser modelo, estamos sujeitos a muita coisa e isso nem todo mundo sabe, porém, ser modelo masculino é muito complicado, pois o mercado não é tão valorizado e não tão bem remunerado. Por isso, foi lançada nesses últimos anos uma série de documentários sobre o assunto, colocando à tona tudo o que um modelo masculino passa.
O mais incrível é que nos links online desses documentários vemos uma série de comentários alegando que tudo não passa de ‘mimimi’ e que se não gostamos disso seria melhor escolher outra profissão. Sabemos que existem outras profissões, claro, mas fizemos essa escolha de maneira consciente e, caso desistíssemos, estaríamos deixando que tudo isso continuasse acontecendo com outros modelos. E quanto ao amor pelo que se faz? Sim, podem questionar à vontade, mas muitos de nós não entramos nesse meio visando apenas os holofotes. Escolhemos a profissão porque amamos modelar, porque gostamos de trabalhar os conceitos das marcas, de encarnar personagens e dar o nosso melhor em tudo o que fazemos. E quando vemos os resultados de nossos trabalhos nos enchemos de orgulho, porque só quem é modelo sabe as dificuldades que enfrentamos para que determinada campanha saia melhor que o esperado.
É claro que buscamos oportunidades cada vez melhores, que sonhamos em crescer e chegar às grandes passarelas. Em outras profissões as pessoas também traçam seus projetos de carreira e correm atrás de seus objetivos, não é? Com a modelagem não é diferente, embora muito gente acredite que sim. E não, não queremos desistir, queremos continuar, mas precisamos que haja uma valorização maior no mercado masculino, afinal é um trabalho como qualquer outro. E acima de tudo, queremos mais respeito, pois o fato de termos escolhido esta profissão não quer dizer que sejamos fúteis, sem formação acadêmica, acomodados, ou burros, como muita gente diz. Significa que escolhemos uma vida diferente da que muitos homens estão acostumados, mas que também requer estudo, prática, dedicação, aprimoramento e esforço. Significa que abrimos mão de uma profissão comum para escolher a que exige um enorme diferencial, mas pela qual somos completamente apaixonados. E se nada do que eu disse convencer você, pense comigo: amar o que se faz já é justificativa suficiente. Espero que também façam um documentário sobre isso.
* Os documentários citados no texto são UnGlamour e Homme Less que mostram como funciona o mercado masculino sem o glamour. Um deles está disponível no youtube.

Abraços!