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Todos os posts sobre Vida de Modelo

O evento

Fortaleza não é uma cidade muito movimentada por desfiles ou eventos de moda, mas tem sempre aqueles já tradicionais e com o tempo a gente acaba preferindo esse ou aquele. O Unifor Moda Integra – UMI seeeempre chamou minha atenção (e despertou aquele desejo de um dia estar bem ali, naquela passarela). O motivo? Aaaah, eu amo moda conceitual e o UMI é exatamente isso: conceito, ousadia, liberdade.

Pra quem não sabe, o UMI é um evento realizado pelo curso de moda da Unifor, onde os alunos (designers de moda) dão gás total na criação de peças e têm a primeira oportunidade de vê-las não só desfilando, como concorrendo.

Como fui parar no UMI

Já havia participado de um outro desfile na Unifor (Pre – UMI e Desfile Moda na Faixa) e a partir dali o convite só se prolongou da parte de um dos designers da faculdade. Porém, havia um protocolo a ser seguido – tive que enviar e-mail e oficializar meu desejo de participar, mesmo sendo freelancer (faz tempo que não faço parte de nenhuma agência). Pois bem, participação confirmada vieram as provas de roupa e os acertos de para quem eu iria desfilar. Peguei nada mais nada menos do que quatro desfiles.

O grande dia

Se você ainda não participou de um desfile então não dá pra ter noção do quão cansativo é. Correria, maquiagem, ajustes, nervosismo, orientação, correria, mais ajustes, mais nervosismo. É tensão por todos os lados, modelos e designers com frio na barriga e aquele clima que só quem já esteve nos bastidores de um evento assim sabe como é. Porém, mesmo com toda essa tensão, todo mundo é aparentemente tranquilo e solidário, todo mundo se ajuda, se encoraja, se motiva. Ao menos no UMI foi assim.

A maquiagem de desfiles fashion como esse é sempre mais conceitual também. Isso é maravilhoso, porque temos a chance de conhecer a criatividade de maquiadores e sair daquela rotina já tão costumeira e padronizada. Inclusive adorei minha maquiagem. A gente pode sair pra trabalhar assim? Brincadeira!

Aaaah, vale ressaltar: toda a tensão que antecedeu o desfile valeu a pena quando vi o resultado: abri dois desfiles, fechei um e o outro ganhou prêmio.

Corra, Forrest, corra!

Precisamos falar sobre correria. Precisamos falar sobre contagem de tempo, troca de roupa em tempo recorde e o desespero pra tirar ou colocar aquela peça há tempo. A correria entre um desfile e outro é tão grande que podem ocorrer alguns erros que somente quem está por dentro do backstage é capaz de notar, como eu ter usado o mesmo sapato em dois desfiles seguidos por ser complicado de retirá-lo, por exemplo. Mas o importante é que no fim das contas isso não alterou a proposta, já que ambos eram parecidos.

O nervosismo ocorre minutos antes da passarela: suas mãos e pernas tremem, você fica suado e gelado ao mesmo tempo. Porém, ao dar seu primeiro passo naquela bendita tudo se transforma em emoção e vem dentro de nós um desejo inexplicável de fazer o melhor.

A primeira roupa desfilada foi a mais difícil de usar e a que inclusive ganhou o prêmio (ufa!). Já na última roupa, o cansaço se manifestando, os pés me matando e… Sim, mesmo com tudo isso consegui dar o meu melhor. Agora imaginem a responsabilidade: peguei 4 desfiles e eu precisei dar o melhor em todos eles, pois ambos estavam concorrendo. Pra cada um deles tive que expressar a personalidade que as peças pediam e fazer jus à confiança que me foi dada.


Se deu tudo certo? Sim! Foi uma experiência incrível, tanto pela passarela, que é a parte que mais gosto do trabalho, como por me sentir acolhido por cada designer e entender que eu era parte da equipe e estava ali para fazer parte de um sonho e da realização de cada um. Gratidão, é essa a definição da semana e de cada detalhe.

Que venha mais UMI!

Abraços!

O que vocês sentem quando chega dezembro? Embora seja um mês de encerramento, eu particularmente sempre sinto que coisas muito boas estão a caminho. Desta vez elas chegaram antes do que eu imaginava. Há tantas novidades acontecendo que eu não poderia deixar de dizer o quanto sou grato a Deus por tudo. Devido a esse acúmulo de coisas aqui para contar, resolvi unir os acontecimentos anteriores com os desta semana, já que esta não foi tão agitada quanto a outra.

Bom, as novidades começaram quando fui indicado pelo Maurício (aquele do editorial Clássico Contraste) para participar do editorial de conclusão do curso de moda de um colega.  As fotos foram marcadas para o dia 5 de dezembro e de quebra ainda fui convidado para participar do desfile da coleção, o que só tornou minha felicidade ainda maior. Eu estava realmente com saudade de pisar em uma passarela.

Foi somente no dia das fotos que tive a oportunidade de conhecer o Wederson (Wed), designer que me selecionou e que me apresentou a um colega, Heitor Chaves, que também acabou me convidando para participar do fitting (prova de roupa) da sua coleção. Para ser sincero fiquei com um desejo enorme de aproveitar as duas coleções e fazer um editorial para o blog, rs.

A equipe com a qual trabalhei era totalmente composta de jovens iniciantes no ramo e foi fantástico dividir experiências e trabalhar com pessoas tão motivadas. As fotos terminaram bem depois do previsto, afinal, acabei usando três looks de uma coleção de cinco. Após este primeiro momento fui convidado por mais duas designers, Bia e Rebeca, para também desfilar para suas coleções.

Ao todo naquela noite acabei pegando 4 dos 16 desfiles. Os melhores apresentariam suas coleções no UMI Unifor Moda Integrada, ou seja, era um pré-desfile para o desfile oficial.

Ao fim de tudo o cansaço reinava, mas prevalecia a felicidade de estar de volta às passarelas e participar de toda essa experiência. E para os modelos que estão começando agora e querem saber como é esse tipo de trabalho, vale ressaltar que, embora seja algo pelo qual sou apaixonado, é também bastante cansativo. Neste caso foram dois dias de fotos e desfiles com tempo mínimo de intervalo entre um e outro, ou seja: poucos minutos para sair de uma passarela e estar pronto pra outra. Porém, tudo isso é muito gratificante, pois trabalhar com novos designers é também ajudar a realizar novos sonhos e projetos. Por isso, esse é sem dúvida um dos meus trabalhos favoritos.

Acredito que tudo isso é um presente de Deus. Sabe aquele sentimento de gratidão que mistura liberdade e felicidade? É exatamente assim que me sinto. E você? Qual presente Deus te deu este mês?

Abraços!

“Ele é esquisito, mas ao mesmo tempo é tão sexy (…)”.  Palavras de uma modelo ao falar sobre mim para um fotógrafo. Qualidades como “esquisito” fizeram parte de toda a minha vida, na verdade essa foi uma das principais formas de bullying que sofri da infância até a adolescência. Ao entrar para o mundo da moda isso não poderia ser diferente, porém, o mercado me fez perceber que o esquisito e o exótico ganharam um sentido muito além daquele que eu já conhecia. Isso poderia ser um sinal para me tornar um grande modelo fashion e foi a partir daí que comecei a me aceitar e gostar dessa característica que me definiu por anos. Quando era escolhido para trabalhos dizia para mim mesmo “quanto mais esquisito melhor, Daniel” e assim exagerava nas caras, poses e roupas. Porém, sempre me alertavam: modelos como você nunca farão moda praia tanto pelo corpo como pelo rosto.

Diante dessa observação eu sempre procurava fugir de castings moda praia alegando que não tinha a típica beleza de um modelo para tal trabalho(rosto de homem maduro) e quanto ao corpo, sabia que minha barriga me deixava com pontos a menos por não ser tão bem definida. Passei boa parte dos anos focado apenas no mercado high fashion da moda. Mas dizer que essa foi minha primeira vez posando para moda praia seria mentira, porém, de fato essa foi a maior até agora. Participar dessa campanha para a Mar Del Castro me fez pensar “olha onde o esquisitinho chegou!” Isso foi como um tapa na minha própria cara por ter a mania de sempre me limitar, pois mesmo odiando padrões e rótulos acabava me submetendo a um. Lembro-me de assistir a seus desfiles e dizer para mim mesmo que nunca trabalharia com ela justamente por não ter o perfil ideal. Mas olha só que mundo pra dar voltas, não?

 

Quadro do salão onde foi feito a maquiagem.

Durante as fotos me peguei pensando em quantas pessoas já deixaram de usar roupa de praia por medo do seu corpo, por insegurança, por se achar fora do padrão e percebi que vivi uma experiência parecida quando me limitei. Sabe aquela coisa de você só acreditar quando acontece com você? Foi essa a experiência que tive e pode ter sido a última campanha desse segmento que eu tenha feito, porém ela foi necessária para aprender mais de mim mesmo.


Ao longo do tempo poderia sim, ter cuidado do meu corpo. Inclusive até cheguei a começar, mas sempre apareciam coisas que me impediam e sempre adiava esse projeto. Alguém se identifica com essa situação? O fato é que às vezes nem era uma vontade minha, se tratava de apenas uma pressão que colocava em mim mesmo para agradar a um mercado. Após essa experiência não descarto a possibilidade de entrar numa academia e procurar uma melhoria, mas primeiro sinto que foi preciso me aceitar e saber que fazendo ou não, gosto do meu corpo.

A grande questão é que muita gente sofre por não se identificar com esses padrões, com esses corpos que aparecem nas campanhas e a pressão social é enorme devido a isso. São cobranças que vêm de todos os lados, inclusive da família, então você chega a um dilema: a quem realmente você quer agradar, a si mesmo ou aos outros? Saber o que se quer é o primeiro passo para viver tranquilo consigo mesmo. Se você quer seguir o padrão, tudo bem. Porém, esteja preparado para encarar uma vida de limitações, restrições e imposições, porque manter as medidas no tamanho exigido pelo mercado não é nada fácil nem tão simples como se pensa. Porém, ir contra uma sociedade inteira para fazer valer a sua vontade pode ser algo completamente perturbador. O segredo, então, é seguir o seu coração. É respeitar a si mesmo e se aceitar. É mudar apenas quando você achar que deve. Aliás, o segredo é esse, sempre. Faça aquilo que você acredita que é MELHOR PRA VOCÊ. Quando você passar a se sentir realmente bem, todo o resto é consequência.

Agradeço a Mar del Castro não só pelo trabalho, mas pela experiência de expandir minha visão.

Abraços!

“Na dúvida sobre o que vestir no casting de desfile opte por roupas totalmente pretas e de preferência use botas, pois elas passarão a ideia de que você é alto. Como somos modelos baixos dificilmente pegaremos desfiles, mas temos que passar essa falsa impressão de altura”, disse uma amiga que hoje é considerada uma das melhores modelos do Brasil e já pisou em várias passarelas. Essa foi sua resposta após eu lhe pedir ajuda em relação ao que deveria usar, logo que entrei nesse mercado. Apesar de possuir 1,80m de altura, para o mercado eu era considerado sempre muito baixo e isso me deu uma insegurança a qual carreguei comigo durante anos. Nunca imaginei que após essa conversa passaria tanto tempo indo a seleções usando somente botas e calças pretas com o objetivo de dar aquela falsa impressão.  Nos castings sempre era necessário mentir minha altura, pois se chegasse falando a verdade certamente seria descartado de imediato.

Mas esse tipo de atitude não era privilégio meu, havia modelos que assim como eu escolhiam sapatos com o solado o mais grosso possível também, no intuito de dar mais altura. Tudo isso porque modelos femininas de passarela tinham de 1,78m a 1,80m e com salto poderiam ficar maiores que os modelos masculinos e, claro, para o mercado não é esteticamente atraente mulheres mais altas que os homens. E são em momentos assim que surge o questionamento: de onde vem essa ideia de que homem não pode ser mais baixo do que mulher?

Ainda buscando respostas, vale ressaltar que a vida não se resume apenas as passarelas, ou seja, isso não é apenas um problema meu. Houve tempos em que tive a oportunidade de conversar com alguns garotos e até com alguns amigos e sempre era mencionado durante a conversa a já tão conhecida insatisfação com a altura, mesmo sabendo que todos estão no padrão de estatura brasileiro. Mas, e então, podemos dizer que a culpa é somente da moda? Não, mas matérias e dicas que o mercado insiste em pregar, como “dicas para alongar e afinar a silhueta” dão mais ênfase a esse complexo. Já cheguei a ler jornalistas e blogueiros mencionando o quão ridículo é um homem usar peça que dá a aparência de mais largo ou que lhe deixam “achatado”. Matérias como essas também circulam facilmente entre o mercado feminino, criando um padrão de estética de que o elegante são mulheres altas e magras. Infelizmente, com isso é criado um falso padrão de beleza prejudicando mulheres que não possuem esse biotipo e isso acaba afetando também os homens, mesmo que indiretamente, pois criamos a teoria (e algumas mulheres insistem em dar força para isso) de que homens devem ser mais altos que mulheres. Percebem o quanto isso é uma situação delicada?

Entendam, essas inseguranças (que não são exclusividade minha) modelos femininas, por exemplo, sempre têm receio com relação a estrias, celulite e quadril maior do que o padrão. Nos garotos a altura, barriga, cabelo, calvíce ou espinhas são características que até podem ser melhoradas, mas que tudo isso depende de existir uma aceitação por parte da pessoa e seu desejo de mudar ou não, porque é algo que está no seu corpo, como característica sua. Demorou muito para que essa insegurança saísse de mim, na verdade achava eu que jamais viveria sem ela. Durante a sessão de fotos sempre pedia o fotografo que fotografasse debaixo para cima, na tentativa de me alongar. Essas inseguranças podem lhe dominar, caso você não revide e comece a se impor. É preciso entender que características assim não te fazem menos atraente ou um modelo ruim. É necessário que se reconheça o talento que você possui sem precisar focar apenas no que te diminui, mas principalmente valorizando o que você realmente é.

Lógico que nem tudo se resume a essas matérias, mas é importante entender que você não precisa deixar de usar uma peça de roupa porque ela te deixou mais largo ou mais baixo, afinal isso de maneira alguma tira sua beleza. Mulheres, vocês não precisam se parecer com algumas modelos em questão de corpo. Homens, não é necessária “altura de modelo de passarela” para ser considerado bonito. Não deixe de apostar nas roupas que você quer independente delas te deixarem mais isso ou aquilo, afinal o que vale não é a aparência, mas a identidade e personalidade que você tem ao vestir roupas assim. Devemos sim, nos desprender cada vez mais desses rótulos. Se peguei passarela com minha altura? Poucas, daquelas de se contar nos dedos, mas isso não tira o crédito de coisas grandiosas das quais já tive o prazer de participar. E incrível como elas só apareceram agora, após desistir de tentar me encaixar no molde que o mercado queria me impor para finalmente passar a ser eu mesmo.

E quanto às marcas, é preciso repensar se o padrão imposto nos seus desfiles é algo conivente com nosso país multicultural e multirracial, pois há muito tempo os desfiles deixaram de ser eventos apenas para profissionais da moda para se tornarem abertos ao consumidor final. Bom, espero que minha opinião esteja valendo, afinal quem vos fala não é apenas um modelo que é considerado baixo para seus padrões, mas um cliente que também não se sente representado nessas ocasiões muito menos se encaixa nos já tão batidos padrões.

Abraços!

Padrão: de acordo com essas definições que a gente encontra nos dicionários, significa “modelo a ser seguido ou exemplo a ser copiado”. Automaticamente me vêm à cabeça aquelas frases comparativas que ouvimos na infância, quando nossa mãe diz “você deveria ser como o fulaninho. Olha só o fulano, aquele é que é um menino bom. Por que você não faz igual a ele?” Pronto, bastam essas comparações pra gente começar a se sentir mal, afinal não somos o tal fulano e muito menos gostaríamos de ser. Tudo o que queríamos, na verdade, era sermos amados, aceitos e compreendidos do jeito que éramos, meio desengonçados, amarrotados, envergonhados ou mesmo com a nossa timidez.

O fato é que crescemos ouvindo esse tipo de comparação e aquilo vai mexendo com a nossa autoestima. Porém, há uma ponta de esperança. Acreditamos que na vida adulta as coisas serão diferentes, afinal adulto faz o que quiser, certo? Errado. Quer dizer, era pra ser o certo, mas não é bem assim que as coisas funcionam. A gente cresce e pode fazer as próprias escolhas, mas o fantasma do padrão ainda nos assombra e agora mais vivo do que nunca. Quer entender melhor? Então experimenta ser diferente do que todos estão acostumados a pensar que é o mais bonito, o melhor, o que deve ser seguido.

Quer um exemplo? Tenho vários. Coloque uma modelo com número 42 desfilando para uma grife famosa. Entendam, estou me referindo a modelo, nada de digital influencer, atriz ou alguém que já tenha um público fiel e cativo independente de qualquer coisa. Dará certo? Não tem nem perigo. Ninguém aceitará, pelo contrário: o número 42, que cá entre nós, é sim, um número como qualquer outro, será excluído, humilhado, massacrado e comparado ao 38, ao 36, etc e começará toda aquela história que a gente já conhece. Outro exemplo, que por sinal é bem comum: quantas modelos negras se vê num desfile aqui mesmo, nas passarelas do nosso país?

Agora dê uma olhada ao seu redor e me diga: o número de pessoas negras nos comerciais, nas campanhas, nas novelas, no teatro, nos desfiles e no cinema é correspondente ou proporcional ao da população brasileira? Claro que não, afinal inventaram algo chamado padrão e criaram para ele um monte de regras que a maioria de nós está longe de conseguir /querer seguir. São padrões que não são nossos, mas que nos impuseram e todos os dias tentam nos fazer engolir goela abaixo, como se fôssemos obrigados a nos adequar ao que os outros querem e não sermos o que realmente somos.

Contudo, não seguir, não fazer parte, ser “diferente”, implica na maioria das vezes em ser também excluído. Gente gorda na moda só ganhará espaço como modelo plus size, não apenas como modelo. Haverá sempre um rótulo para diferenciar um modelo de um “modelo negro”, como se só a palavra modelo representasse gente comum e todos os outros considerados fora do padrão precisassem de uma palavra-complemento, um sufixo, uma explicação. Mas não somos todos gente comum? Deveria mesmo existir essa separação? Eu entendo que há uma segmentação de público, de estilo, de gosto, que há moldes que são desenhados para esse ou aquele corpo, com essas ou aquelas medidas. Porém, acima de tudo, somos humanos. E ser humano é ser igual em direitos, é precisar de representatividade, mesmo com suas particularidades.

Quando decidi seguir a carreira de modelo eu sabia que seria difícil, mas não imaginava que fosse tanto. Imaginem só um cara magro, sem músculos definidos ou barriga tanquinho estampar campanhas de marcas de roupa ou de acessórios! Como vender produtos masculinos não sendo o padrão masculino esperado pela mídia, pelas agências e até pelo próprio público? Porém, em toda correnteza há sempre alguém que nada contra e foi o que resolvi fazer. Recusei-me a aceitar que não posso, que não sou, que nunca serei. Simplesmente decidi que eu sou. Porque nunca engoli que eu deveria ser como o fulaninho, mas decidi ser eu mesmo em toda e qualquer circunstância e mostrar para quem quiser ver que ser diferente é normal, que homem pode usar qualquer peça e que querer que os outros sigam um padrão é torturar o ser humano lhe submetendo a uma condição. Padronização? Não. Vale mais a diversidade.

Por um mundo onde você possa ser o que quiser, de verdade.

Abraços!

Quanta saudade tenho de escrever neste espaço no sentido de algo mais pessoal! Adoro quando tenho a oportunidade de compartilhar uma experiência ou dica com vocês por aqui. Sinto que, por mais que já tenha falado, há ainda muito de mim a mostrar e por isso fico feliz quando há essa oportunidade. Desta forma decidir mostrar esse Diário de Viagem, que foi bem diferente dos demais.

Em feriados de carnaval escolho lugares que não comemorem essa festividade, por isso Guaramiranga sempre foi um destino certo, até surgir a oportunidade de conhecer Mulungu, cidade vizinha. Quando vi que onde estaríamos hospedados seria longe da cidade fiquei bastante empolgado, pois em algumas viagens gosto daquela tranquilidade, principalmente envolvendo a natureza. O lugar é chamado de Sítio do Elo.

A viagem não foi direcionada a descanso e passeio, na verdade o intuito seria fotografar para quatro marcas. Diferente dos trabalhos anteriores, nesse cada marca se encaixava na outra para completar a sessão. Não as fotografamos separadamente e sim juntas, porém para cada marca a foto tinha como foco seus produtos. As que participaram da sessão foram Gêmeos Bag, Chapelaria Bagagem Extra, Look Zolly Jeans e RK Acessórios, as quais para duas delas tive o prazer de trabalhar pela primeira vez. Como a casa em que ficamos tinha um espaço enorme isso facilitou bastante o trabalho, pois tínhamos vários cenários no mesmo ambiente e não precisamos nos locomover para outros lugares, o que só nos tomaria muito tempo.

Como em todo trabalho há sempre os desafios, mesmo com anos de experiência na profissão ainda sinto o mesmo nervosismo e ansiedade como se fosse minha primeira vez. Quando estou fotografando procuro dar o meu melhor, pois nesse mercado um trabalho bom soma com os demais, mas um trabalho ruim pode comprometer sua imagem como profissional, além da equipe envolvida. Um modelo deve ser como um ator, porém ele interpreta um personagem na hora das fotos e essa sempre será a parte mais difícil. É necessário pensar nas poses e expressões que serão feitas e se será possível passar a mensagem que a marca deseja  no ambiente em que se está. Mas a melhor parte de tudo isso é ver que depois de finalizado o resultado saiu melhor que o esperado.

Eu nunca entendia quando um modelo viajava a trabalho e alegava que não teve tempo de conhecer o lugar, sempre dizia que comigo seria diferente e que se possível nem dormiria, só para explorar o lugar. Isso eram apenas teorias de quem não conhecia bem o que fazia, pois na prática as coisas foram bem diferentes. Como foram quatro marcas o trabalho foi bem extenso e, quando finalizado, sempre procurava descansar ou mesmo dar uma volta no lugar. Não consegui conhecer tudo de Mulungu inclusive pela falta de tempo, mas visitei a cidade, que não é grande e até arrisquei uma noite de passeio em Guaramiranga, que para ser sincero não valeu muito a pena. Ficamos todo o carnaval sem sinal de internet, o que permitiu curtir mais do lugar e ter a experiência de ficar um longo tempo offline, algo que recomendo se fazer de vez em quando.

Estava um pouco na dúvida se faria esse post por conhecer tão pouco da cidade e não poder colocar mais informações, mas senti que precisava compartilhar essa experiência, tanto pela viagem como pelo trabalho. E mesmo não conhecendo tudo de Mulungu me senti bastante bem recebido e me permiti curtir cada momento daquela natureza maravilhosa. E não poderia deixar de mencionar o quanto sou grato por todas essas oportunidades que estão chegando para mim. Pequenas viagens, grandes experiências. E que venha a próxima.

Abraços!

Logo quando dei meus primeiros passos na indústria da moda fui instruído por profissionais que cuidavam da minha carreira de modelo e afirmavam que “modelo sempre deve estar sorrindo”. Independente da situação em que você se encontrasse deveria lembrar que era um cabide e que tal objeto não reclama. Fui orientado que no início da carreira não poderia dizer não para alguns profissionais, somente quando atingisse um certo nome na indústria. Então, se um profissional fosse grosseiro comigo eu não teria escolha e deveria engolir o sapo.

Durante muito tempo segui os conselhos que me passaram até perceber que mesmo me sacrificando daquela maneira as portas não estavam sendo abertas. A partir daí comecei a traçar minha própria carreira, me desligando de agências que só me tinham em seus castings apenas para fazer volume. Sim, eu sabia do risco que seria seguir por esse caminho, mas estava cansado de nunca me darem uma oportunidade, de sempre me dizerem o que eu tinha que fazer, de tentar me encaixar em um padrão, de precisar ter esse ou aquele comportamento diante de uma indústria que não te aceita como você é, que não respeita seus limites e quer que você seja no mínimo perfeito.

Em meus tempos livres comecei a ler sobre moda e sobre a carreira de modelo e assim fui aprendendo sobre como montar ensaios fotográficos de modelos, trabalho que hoje chamamos de ‘photo shoot’.  Para sempre manter meu portfolio atualizado comecei a montar meus próprios trabalhos, assim não fico para trás no mercado por não possuir uma agência. O passo seguinte foi procurar amigos que estivessem dispostos a me ajudar, pois alguns estavam entrando na carreira de fotógrafo e tinham não só disposição como também sede de fazer trabalhos de qualidade que lhes rendessem o almejado reconhecimento. Logo começamos a rodar Fortaleza atrás de lugares bacanas, uma aventura cheia de desafios para profissionais que queriam conquistar sua independência e fazer valer o seu trabalho.

Entre erros e acertos fui fazendo minha própria trajetória e tendo consciência do que queria e do que não queria. Nos erros acabava virando motivo de piada para alguns. Nos acertos passei a ser inspiração para outros. Comecei então a me dar conta de que não importava a situação em que me encontrava, jamais iria fazer certos tipos de trabalho para alavancar minha carreira como modelo ou trabalharia com profissionais que insistissem em me destratar. O mínimo que as agências ou outros profissionais poderiam ter por mim era respeito e é disso que não abro mão de jeito nenhum.

Pois bem. Seguir esse caminho não me impediu de engolir muitos sapos na indústria da moda, como citei em outros textos. O mercado local tem muita dificuldade em dar oportunidade para um modelo sem agência. Porém, foi isso que me fez ser dono da minha própria imagem, me ajudando a conhecer cada vez mais a mim mesmo, a me aceitar e me respeitar. Passei a me tratar como uma empresa e a traçar metas para serem alcançadas a longo prazo, não para satisfazer aos outros, mas para me sentir realizado diante de meus próprios objetivos.

Hoje percebo que o jogo virou. Para se tornar um modelo é necessário muito mais do que um rosto e altura com medidas. É preciso uma imagem pessoal bem trabalhada com muita personalidade, que desperte nas marcas o desejo de ter seu rosto vinculado às suas campanhas. Segundo Tyra, super modelo dos anos 90, hoje um modelo não tem que ser apenas um rosto bonito ou alguém famoso nas redes sociais. É preciso ser os dois, o que eles chamam de ‘Boss’, cuja tradução é “Modelo Chefe”, aquele que além de modelo tem seu próprio negócio e faz sua própria marca no mercado.

Porém, eu acredito que hoje, caros amigos, vocês devem ser fiéis à sua própria marca, àquilo que vocês são, aos seus conceitos e ideologias e não precisam ter que se submeter às pressões do mercado, como foi o caso da modelo Ruby Jean Wilson, que é vegana e enquanto estava na maquiagem para fazer um editorial descobriu que as peças eram todas feitas de pele de animal. Receosa e um pouco confrontada consigo mesma e com a carreira ela explicou para os profissionais que não posaria e largou o estúdio. Então pergunto: de quem foi a falta de profissionalismo? Com essa atitude ela pode ter se prejudicado no mercado, mas não se rendeu aos “encantos” desse trabalho. Ela foi fiel a si mesma e à sua própria marca e isso, meus amigos, é o melhor que podemos oferecer nesse universo.

Hoje percebo que fiz bem largando aquilo e aqueles que insistiam em me moldar para ser um manequim sem cérebro. Hoje tenho a liberdade de possuir vontade própria e vocês nem imaginam o quanto isso é realmente libertador. Não me sinto menos profissional do que ninguém, nem me martirizo por seguir meu próprio caminho. Claro que seria muito bem-vinda a assistência de uma agência, mas acredito que a vida tem seus motivos e que nada é por acaso.  Hoje me sinto feliz com tudo o que construí ao longo desses anos. Posso não ter feito internacionais ou desfilado nos Fashion Weeks, mas isso não me faz menos modelo, pelo contrário: me dá muito orgulho poder ter o privilégio de construir minha própria imagem. Devido às escolhas que fiz outras portas se abriram e hoje só trabalho para marcas com as quais possuo alguma identificação. É muito bom ter poder de decisão sobre a sua carreira e poder dizer ‘sim, é esta a marca para a qual desejo trabalhar’. Alguns me chamarão de louco, outros de mau profissional. Porém, nada que os outros digam pode realmente te diminuir, pois só quem sabe o que é melhor para você é você mesmo.

 

Abraços!

Há muita gente que critica a fotografia, não essas de momentos, cotidianas, mas essas que fazem as pessoas ficarem presas ao clique perfeito e optarem por algo ilusório, que engana tanto a quem está curtindo quanto a elas mesmas, pois ironicamente acabam acreditando naquilo que reproduzem. A fotografia pode ser o que você decidir: verdade, mentira, ilusão ou intenção. Mas a questão é: você é verdadeiro com o que fotografa ou cria uma realidade alternativa? Vale a pena maquiar o real para envaidecer o virtual? Com a revolução das redes sociais, criar um mundo de ilusões acaba sendo quase uma obrigação. Mas, e você, o que faz com a sua imagem?

Cresci numa família em que todos gostavam de registrar momentos, adorava as tardes de domingo onde minha mãe me arrumava para tirar fotos no quintal da nossa antiga casa. Nesses dias já cheguei até a fazer fotos para o ateliê de noiva da vovó (seriam esses meus primeiros passos como modelo? Hahaha!). Na pré-adolescência vivia uma eterna frustração por não ter mais câmera para registrar, meus pais sempre tinham outras prioridades que impossibilitavam a compra de uma melhor. Por isso, tenho poucas fotos dessa época e fica até difícil de lembrar um momento. Ao adquirir minha primeira câmera e celular que continha uma, passava o dia me registrando. Gostava de poder gravar várias faces de mim mesmo em uma imagem. A partir daí passei a registrar tudo e até hoje tenho guardado em várias pastas no computador fotos de amizades que não estão mais comigo, turmas de escolas que só restaram memórias, viagens, eventos, cada uma com sua lembrança e significado único que nos faz ver a importância da fotografia em nossas vidas.

A arte de registrar um momento através de um clique se tornou um hábito da nova geração com as redes sociais e blogs, tanto que hoje podemos dizer que ninguém vive sem uma câmera, é a famosa geração da selfie. Há também aqueles que realmente pesam a mão e deixam de viver o lado simples da vida se prendendo a uma falsa imagem registrada apenas para redes sociais. Mas claro, se não há um equilíbrio começa o exagero e, em consequência, surgem os críticos. E em partes eu concordo com tudo isso, sabe? Houve momentos que realmente me prendi ao clique perfeito, ao resultado que ele gerava ao ser postado numa rede social. Foi nesse momento que percebi que precisava me desintoxicar de tudo e voltar às origens que me fizeram ser um blogueiro/modelo. Precisava procurar o por quê de ter escolhido registrar tudo o que faço para mostrar a vocês. Resultado? Um tempo fora de tudo, blog passando por um intervalo de quase dois meses que me fizeram rever e pensar nos momentos maravilhosos que este espaço me trouxe durante esses cinco anos. Então percebi que o segredo disso tudo era voltar àquela essência simples de quando criei, nada profissional demais, sem carão e pose em todas as fotos. Na verdade descobri que deveria desopilar, me desprender, ser menos exigente, afinal o objetivo do blog sempre foi ser apenas o espaço de um garoto mostrando o lado maravilhoso do seu cotidiano, o de registrar momentos e não likes.

Tudo o que é postado aqui é 95% do meu cotidiano real. Podem até haver algumas pequenas modificações apenas para deixar a fotografia melhor, mas nada que fuja da realidade.  Sou preso a uma câmera, sim, mas procuro um equilíbrio entre o real e o virtual, o momento de registrar e o de viver. Quero passar uma mensagem melhor em cada foto, quero transmitir o sentimento que sinto naquele momento, a obsessão pelo clique perfeito ficou no passado.

O tempo passa rápido demais, nos deixando apenas lembranças do que já foi. Ora, quem diria que o blog estaria hoje às vésperas dos seus 6 anos? São momentos assim que às vezes fogem da nossa percepção e só nos damos conta quando passou. Mas, ao olharmos para trás, conseguimos ver tudo o que foi construído. Hoje consigo enxergar todos os momentos vividos no instante em que tirava uma foto apenas para dar bom dia para vocês e é maravilhoso poder lembrar a história que há por trás disso tudo. Por isso, trouxe alguns momentos que tive durante uma sessão de fotos. Queria muito compartilhar isso com vocês.

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Festa surpresa organizada por amigos e familiares.

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Fui agenciado por uma agência importante de São Paulo

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Após essa foto, fomos abordados por ladrões. Mas não fomos assaltados.

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Quando resolvi mudar o visual. Fotografia espontânea enquanto tentava ajustar o boné.

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O dia que passei a ver que precisava de fotógrafos pro meu blog. O primeiro deles foi o João Paulo, que tirou essa foto.

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Assinei o contrato para ser modelo oficial de uma marca

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Editorial para a Revista Estourada, no dia estava mais nervoso que em outros trabalhos.

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Editorial para a Revista Ozten

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Primeira vez que fui fotografado pela Bia Lopes. A partir daí ela passou a me ajudar muito com o blog.

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Meu primeiro casting para Atto Favo.

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O melhor encontro de blogueiros que participei.

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Quando finalmente decidi reformar meu quarto.

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Fotografia espontânea tirada enquanto brincava com minha cachorra Melissa.

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Após essa foto, fomos convidados a se retirar do local, por ser proibido fotografar.

O inicio de coisas boas que 2017 está me trazendo.

O inicio de coisas boas que 2017 está me trazendo.

É por causa de momentos como esses que quero registrar em fotografia cada vez mais, não como narcisismo, mas porque quero lembrar da sensação, do cheiro e sentimento de todo aquele momento. No final, se você ainda se sente incomodado com influenciadores que são muito artificiais, convido vocês a fazerem uma limpeza em suas redes sociais. Encha seu feed de pessoas reais, que valorizam a essência, então você perceberá que é na simplicidade que o principal é dito ou vivido naquela imagem. Siga pessoas inspiradoras que fazem registros não para alimentar o ego, mas para mostrar que o mundo tem um lado mágico no nosso cotidiano e que muitas vezes não enxergamos, mas está ali naquele cenário abandonado, naquele look que te faz se sentir maravilhoso, naquele lugar que tinha uma comida espetacular. E é somente assim que você enxerga a maravilha que é a vida através de um clique.