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Todos os posts sobre Garoto Informa

No mundo em que vivemos hoje cada um precisa de uma arma. Não, não me refiro a essas que espalham terror por onde passam, mas àquelas que nos dão voz e coragem para expressarmos tudo o que sentimos, armas essas que nos ligam a pessoas que nos apoiam e compartilham da mesma opinião, tornando mais forte a causa ou situação a qual estamos abraçando.

Todos sentimos essa necessidade de nos armar de expressão e andarmos por aí munidos de opiniões e ideias bem embasadas, para que no momento exato possamos mirar e atirar. Colocar para fora aquilo que sentimos é algo realmente libertador e cada um procura a melhor maneira de fazer isso: uns usam as redes sociais, outros, porém, gravam vídeos e há aqueles que criam sua própria plataforma de site/blog. Seja como defesa ou ataque, cada um usa como achar melhor, mas nem sempre os resultados são positivos. Nesse assunto posso até me citar como exemplo, pois encontrei na moda a minha verdadeira forma de expressão, de me fazer ser visto ou ouvido por tudo que tinha para dizer. Porém, foi no blog que travei batalhas quase que diárias com pessoas, sistemas, regras e em algumas situações até comigo mesmo.

Para os profissionais da moda o próprio mercado é uma forte arma, mas que infelizmente nem todos sabem usar, pois ela acaba sendo uma faca de dois gumes. Um exemplo recente foi o tapete vermelho hollywoodiano recheado de atrizes e atores usando preto em forma de protesto contra os abusos sofridos por mulheres em sets de filmagens. Atrelado a isso tivemos também a modelo Cameron Russell que incentivou modelos masculinos e femininos a mostrarem sua voz e relatarem os frequentes assédios que sofriam nesse mercado de modelo, que cá entre nós, vêm acontecendo desde muito tempo. É a moda sendo utilizada para denunciar aquilo que acontece em seu próprio universo, mas que, claro, não deveria acontecer. Situações como essas mobilizaram pessoas de vários lugares do mundo e fizeram aquele reboliço no mercado para que as mudanças realmente acontecessem e eu acredito que elas realmente estejam começando a acontecer.

Outra arma utilizada recentemente, mas que infelizmente foi para o mal, mesmo que sem intenção (porém de profundo mau gosto), foi a campanha da marca sueca H&M, que colocou uma criança negra usando um moletom com a seguinte frase: “O macaco mais legal da floresta”. Um ato racista, infeliz, que causou uma revolta compreensível por parte do público.                                                                                                                                                                                                                                                Um pedido de desculpas foi comunicado, houve perda de duas parcerias de grande porte e não se sabe ao certo o quanto isso afetou as vendas, embora tenhamos a noção de que não foi pouca coisa. Mas nessa situação pudemos concluir o quanto a H&M acabou dando um tiro no pé, não é? Infelizmente ela não foi a única e nem será a última. Porém, é necessário que as marcas e pessoas entendam que hoje cada um tem suas armas esperando o momento certo para utilizá-las, alguns com consciência, outros sem um mínimo de bom senso. Por isso, é importante que o pensamento de agora em diante não seja a defesa em si, nem mesmo o ataque, mas o coletivo, a missão de amenizar esse duelo de armas entre pessoas e marcas que presenciamos com tanta frequência.

Se antes a moda falava, hoje ela praticamente grita com tudo o que tem a dizer. Afinal, se olharmos o atual estado do mercado, veremos que por trás de quase tudo existe uma mensagem fortíssima, seja ela qual for. Alexander McQueen, Vivienne Westwood e Jonh Galianno foram os pioneiros que conheci a utilizarem suas armas dentro do universo da moda, mas, atualmente, há Alessandro Michelli e Demma Gavsalia, que refletem em cada coleção tudo aquilo que desejam passar. Dizer que a moda é fútil e inútil já se tornou um conceito bastante antiquado. Aqui no Brasil tivemos Zuzu Angel, que usava suas criações como forma de protesto contra a ditadura. E, claro, existiram e existem muitos outros com boas histórias de resistência para contar.

A moda nos dá essas armas, mas é preciso sabedoria e estudo para que você saiba usá-las da forma correta. Caso contrário, estará apenas seguindo a multidão em meio a muitos outros que não sabem para onde estão indo. Por isso, é importante que antes de conhecer nossas armas nos conheçamos cada vez mais, para saber que tipo de arma podemos manusear. No mais, vale ressaltar: informação é tudo. Por isso, antes de nos armarmos de qualquer conceito, nos municiemos de conhecimento. Somente assim teremos propriedade para lutar em qualquer guerra e, principalmente, lutar pela paz.

Abraços!

Recentemente me deparei com um comercial do Axe falando sobre como o machismo interfere na vida dos homens. Achei a ideia genial e necessária, já que vivemos em um mundo machista que massacra tanto homens quanto mulheres, mas os homens não têm coragem de colocar a boca no trombone e sofrem calados, vítimas deles mesmos.

De uns tempos pra cá temos acompanhado o crescimento do movimento feminista, o que é algo maravilhoso. A igualdade de gênero precisa e deve ser cada vez mais discutida, pregada e, principalmente, praticada. Há quem se contraponha, reclame, esperneie e acredite piamente que o feminismo é radicalismo por parte das mulheres e massacrante para os homens. Porém, somente quem não conhece de fato as necessidades do movimento e ainda não parou para fazer ao menos uma simples reflexão, acaba por condená-lo.

O feminismo não coloca a mulher em posição de vantagem sobre os homens, pelo contrário: reivindica respeito à igualdade de direitos, à conquista da liberdade pelo sexo feminino, liberdade essa necessária, que deveria ser um direito natural, porém, negada durante toda a história da humanidade. Mas será que é só às mulheres que o feminismo beneficia?

Em contraponto, temos o machismo, que tem a mulher como ser inferior e pré-determina quem está no comando – os homens, no caso. Porém, muita gente não se dá conta de que esse mesmo machismo que oprime as mulheres, acaba fazendo o mesmo também com os homens, porque define quem pode fazer o quê, atribuindo regras e funções aos gêneros e privando a nós, seres humanos, do nosso direito de sermos quem realmente somos, da maneira que queremos.

Assim, o machismo nos prejudica sim, e muito. Querem saber como? Ah, tem muitas maneiras. Inclusive eu mesmo tenho sofrido certa perseguição por causa disso. Porque homem que é homem não usa essa ou aquela peça de roupa. Usei croped em uma campanha e fui recriminado. Homem que é homem não usa calça colada, não se depila, não pode ser vaidoso. E você fica se perguntando a origem dessa trogloditagem toda, porque olha, não vejo sentido em nada que exista apenas com a função de limitar os outros. Porém, muita gente vive de pregar justamente isso. Mais um motivo para louvarmos a iniciativa do Axe.

Homens, esqueçam o machismo. Passamos a vida nos reprimindo, engolindo o choro, tendo que ser fortes, bons de briga, dominadores, namoradores, conquistadores baratos, durões, independentes, seguros e tudo o que a sociedade espera de nós. E o que ganhamos em troca? Sinceramente, nada. Nenhuma vantagem, nenhum benefício, nenhum mérito além de um monte de gente machista nos presenteando com elogios que cá entre nós, não servem para nada.

Obrigado por me entender, Axe. Obrigado por trazer à tona questionamentos tão úteis e necessários. Prefiro mil vezes o direito de chorar quando sentir vontade, de expressar medo, insegurança, de falar sobre o que eu sinto, de gostar de me vestir diferente, de não fazer o estilo machão, de não fazer sexo só por fazer, de não acumular mulheres apenas para prestar contas com a sociedade e poder sim, cuidar da minha aparência. Quero poder ser eu mesmo, sempre, na essência. Eu sou homem e quero igualdade de gênero. Quero ser livre, pra valer. E tudo o que o machismo não me permitiu até hoje, me desculpem, mas irei fazer.

 

Abraços!

Recentemente li um artigo que questionava as compras exageradas de produtos lançados como tendências, mas que consumidos de maneira tão massificada que passaram a saturar o mercado. E pude perceber o risco que é nos deixarmos levar pelo que o mercado praticamente nos obriga a consumir, sem nos darmos conta de que na maioria das vezes estamos levando para o nosso guarda-roupa peças que nada tem a ver conosco, mas com toda e qualquer pessoa que achar aquele produto “bonitinho” ou “descolado”.

 O que muita gente atribui à moda não é a moda propriamente dita. Muitas vezes querem nos empurrar goela abaixo uma cor, um sapato, um casaco, um novo jeans, uma estampa, um tecido ou seja o que for, alegando que aquilo é a nova tendência e que vai sim, fazer muito sucesso. Com o marketing devidamente trabalhado o produto é vendido em larga escala. As fast fashions estão lotadas de pessoas que se veem maravilhadas por eles. E pouco tempo depois temos uma multidão se vestindo praticamente igual.

Mas espera aí, moda não era aquilo que te diferenciava? Não era a moda que tinha a função de te dar uma personalidade única, de te destacar pela ousadia de ser você mesmo? Então por que há tanta gente comprando a mesma coisa com o objetivo de se sentir único? Talvez porque o mercado esteja preocupado apenas em vender e não em conscientizar. Porque para uma indústria não compense fabricar peças diferentes, mas fazer crer que algumas o são. E quem acredita se iguala à multidão.

Bom, eu vivo gritando aos quatro cantos do mundo que moda é essência e que é essa essência que vemos refletida na sua aparência. Mas como enxergar isso numa multidão de camisetas de estampa floral, de sapatênis ou de camisas cor de rosa? Será que você está realmente vestido de si mesmo ou o mercado está te vestindo como ele bem entende e te fazendo acreditar que você “anda na moda”? Afinal de contas, andar na moda é fazer moda? Foi-se o tempo em que me iludia com posts retratando tendências ou mostrando peças de determinados desfiles no estilo “10 peças que você precisa ter no seu guarda-roupa”. Não, nós não precisamos ter isso ou aquilo, essa é uma necessidade mais deles do que nossa. Chega de imposições, agora somos nós quem tomamos as decisões.

Já conversamos sobre isso outras vezes e uma das coisas que sempre defenderei é que é você que faz a moda e não a moda que faz você. Portanto, quando o comercial te disser que é essa ou aquela marca que deve ser usada, quando as revistas te disserem que a cor do ano é aquela tal e as lojas encherem os manequins e araras de determinadas peças, reflita. Você não precisa vestir o óbvio, nem o mais fácil, nem o mais sofisticado para estar bem na fita. Tudo o que você precisa é usar aquilo que parece com você, que reflete o que você é e mostra ao mundo (ou a quem você quiser) que ser livre é muitas vezes ir na contramão do que as pessoas estão pregando por aí como liberdade, mas vem disfarçadas em etiquetas de R$ 49,90.

Abraços!

Quando se trata de moda as pessoas costumam confundir bastante seu significado. Claro que a palavra em si tem um sentido bem amplo, mas há muitas outras situações e acontecimentos – alguns bem específicos, inclusive, aos quais as pessoas costumam denominar de moda. Não que elas estejam 100% erradas, mas é que ampliar tanto o sentido de algo que deveria ser apenas uma ramificação acaba comprometendo o verdadeiro significado e deixando muita gente confusa.

Com a expansão da era digital e a chegada das redes sociais, o termo “modinha” vem caindo cada vez mais na boca do povo. E a própria modinha vem ganhando bastante espaço. Antes era preciso que um artista famoso usasse determinada peça ou tivesse determinada atitude – que poderia ser um gesto ou uma palavra – e de repente um número incontável de pessoas estava reproduzindo aquilo por todos os lugares. Isso quando não era um personagem icônico de determinada novela que caía nas graças do povo e também “lançava moda”. Era o brinco da fulana, a saia da cicrana, o boné do fulaninho. Seja lá o que fosse, aquilo começava a ganhar proporção de tal maneira que de repente as ruas eram tomadas por pessoas usando tal coisa. E é basicamente isso que é modinha. Aquela coisa rápida, instantânea, efervescente, que faz com que todo mundo use a mesma coisa ou reproduza o mesmo comportamento. Ela cresce como uma epidemia, mas desaparece na mesma proporção de velocidade.

Pois bem, as redes sociais viraram um canal de propagação da modinha. Só que, diferente dos velhos tempos, hoje não precisa mais ser um artista famoso ou um personagem de novela pra fazer a coisa acontecer. Os memes da internet que o digam. A web propaga as coisas em uma velocidade tão incrível que você pode hoje ir dormir anônimo e amanhã acordar famoso. Imagina só um gesto, uma frase, uma fala, uma piada ou mesmo um acessório, né? E quando isso acontece a gente costuma, na maioria das vezes em uma conversa despretensiosa, dizer que tal coisa “virou moda”. Ué, virou?

Bom, eu não posso discordar de todo, porque a modinha também poderia ser incluída no conceito de moda, já que acaba se caracterizando também como um tipo de comportamento, com a venda de determinado conceito, etc Porém, a moda em si é muito mais ampla. Moda tem a ver com a sua personalidade, com a sua essência, ela é aquilo que te traduz. Você faz a sua moda, usa as roupas que acredita que te definem, corta o cabelo, ou pinta, ou deixa crescer ou faz, sei lá, inúmeras coisas que acha que tem a ver com a pessoa que você é, mas sem precisar imitar ninguém. É esse o meu conceito de moda e pelo que tenho visto e lido de uns tempos pra cá, me parece que não sou só eu que penso assim.

Então me incomoda um pouco essa confusão entre moda e modinha, confesso. Modinha me parece algo mais superficial, automático, que você faz sem questionar, sem saber por quê, só porque todo mundo tá fazendo. Um exemplo disso é um recente comportamento reproduzido em determinada rede social, onde uma pessoa que acaba de adicionar outra (ou aceitar qualquer solicitação de amizade) tem o perfil invadido por comentários de amigos, comentários esses que insinuam um possível envolvimento da pessoa com o novo amigo, ou dá a entender que a pessoa é a chamada “pegadora”. Isso pra mim não é e nunca será moda. E sabe por que não? Porque faz com que pessoas que defendem determinados conceitos, pessoas esclarecidas, inclusive, abram mão daquilo que acreditam, mesmo que de maneira temporária, apenas para fazer parte daquele grupo que reproduz a modinha, como o caso de uma amiga que é feminista, mas deixou de lado sua bandeira para fazer um comentário machista (e não, não era ironia), apenas para não perder a oportunidade de aderir à tal brincadeira.

Entendem a diferença? A moda não te prende, não te limita, não te obriga a fazer algo que não condiz com o que você é. A moda não te pede para reproduzir algo, ela te faz criador. A moda te liberta para ser você mesmo, para fazer aquilo que você tem vontade e para mostrar ao mundo que você tem personalidade, mesmo quando você coloca a roupa mais básica do seu guarda-roupa, mas não se troca, não se vende e não abre mão de si mesmo por pura… Modinha.

Abraços!

Trabalhar com moda é ser visto como um personagem do filme Diabo Veste Prada. Bom, ao menos é quase sempre assim. E quando falamos que somos blogueiros automaticamente surgem na mente das pessoas flashes de imagens de street style que apreciamos no tumblr e pinterest. São visões distorcidas que muitos acabam criando, infelizmente. E não adianta bater na tecla contrária quando há profissionais do meio que realmente alimentam essa ilusão (sendo  eles os que possuem uma maior proximidade com o público). De fato trabalhar com moda é estar por dentro de todas as principais tendências e saber com antecedência tudo o que será febre nas estações. É ver de perto todo aquele glamour e chegar a suspirar com todo o processo de criação e trabalho de algumas marcas. Mas na hora de alimentar o desejo consumista e sair igual à Rebeca Bloom de Os Delírios de Consumo de Rebeca Bloom, vários fatores vêm em nossa mente – e só quando acompanhamos de perto tudo isso começamos a pensar e repensar na hora de uma compra.

Logo quando mergulhei a fundo no universo da moda e comecei a realmente estudar e a aplicar todo aquele conhecimento e aquelas dicas no meu estilo pessoal, acabei me deslumbrando com tudo o que via, pois tudo o que era diferente e atual despertava meu interesse a ponto de querer logo comprar. Passei a bancar o consumista, chegando a gastar todos os meses muito dinheiro para adquirir todas as principais tendências. Chegando a fazer até lista com cada item que gostaria de possuir e o que é pior: a cada compra os itens dela não diminuíam, pelo contrário: tudo só tendia a aumentar, isso porque a cada mês surgia um novo item para compor a tal lista. Foi então que percebi que estava entrando em algo sem fim e comecei a pensar se realmente valia a pena tudo aquilo. O resultado de toda aquela farra consumista foi um guarda-roupa abarrotado de roupas as quais muitas vezes eu nem chegava a usar todas as peças, algumas delas usei apenas uma vez devido à elevada quantidade. Pois é, fui me dando conta de que moda é algo que está muito além do consumismo. Hoje vejo muitas tendências que me fazem pirar, mas poucas são as que levo para casa. Ainda tenho aquele desejo de um estilo pessoal, mas estou investindo no que possuo ao invés de procurar o que não tenho. Para ser bem sincero nem lembro qual foi a minha última aquisição de moda.

Hoje não permito mais roupa acumulada no guarda-roupa. Gosto de moda, mas odeio desperdício e acabei me dando conta de que um não precisa necessariamente estar ligado ao outro, assim como também não preciso ter roupa de grife para estar bem apresentável. Nunca comprei em brechós ou bazares, apesar de achar a ideia ótima, mas adoro trocar peças com amigos e até mesmo doar as que não uso mais. E foi com essa onda de consumo consciente que ando aplicando em meu cotidiano que comecei a ser mais exigente na hora de escolher as peças que entrarão para o meu guarda-roupa. Me pergunto se preciso realmente de mais uma roupa no meio das tantas que já tenho ou caso precise realmente comprar, me desfaço de alguma justamente para não acumular. Ter um estilo diferenciado dos demais, aquele estilo a la Garoto in Foco não significa ter peças de sobra: o que é necessário ter de sobra é criatividade para se reinventar com as peças que já se possui.

Ao contrário do que muitos pensam, não é feio herdar peças de segunda mão de outra pessoa, mesmo que elas estejam um pouco surradas, sejam maiores que sua numeração ou mesmo estejam ultrapassadas. Hoje a moda é tão livre que todos esses obstáculos que nos impediam de usar certos tipos de roupa se tornaram vantagens, eu mesmo às vezes troco algumas peças com amigos, pois em meio à crise que nosso país enfrenta comprar roupa nova com frequência virou sinônimo de luxo.

Bom, claro que ainda tenho desejo por muitas peças, mas estou priorizando outras coisas no momento e investindo mais no que já possuo. Tenho vontade de ousar mais e me expressar cada vez mais através do meu estilo e usar o que já tenho para isso, além de estimular a criatividade é um ótimo incentivo para quem quer se vestir bem e acha que pra isso precisa sair por aí com as mãos cheias de sacolas e os bolsos pra lá de vazios. Quero poder me inspirar em estilos coreanos, franceses e por aí vai, mas acredito que não seja o tempo ainda, então prefiro guardar essas inspirações no pinterest enquanto usufruo do que já possuo. Mas fiquem ligados, pois chega uma hora em que a limpeza do guarda-roupa é feita naturalmente e aos poucos você vai se dando conta de que estão nascendo novas ideias e inspirações. Tudo é válido, desde que te faça bem. Se comprar é bom, recriar a partir do que já temos é inspirador também.

Abraços!

Muito se fala sobre o atual estado da moda que assumiu a postura do “see now buy now”, que em tradução livre significa “veja agora, compre agora”. O intuito desse novo sistema é fazer com que os clientes das marcas não precisem esperar muito tempo para adquirir aquela peça que foi desfilada na passarela. Sim, pois agora o conceitual e o comercial estão entrelaçados juntos numa mesma passarela.

 

Para entendermos melhor explicarei rapidamente: antes um designer criava uma coleção com peças e cortes diferenciados que gerava uma certa dúvida para quem era de fora da moda. Isso se chamava peças conceituais, que tinham como finalidade mostrar uma tendência ou um conceito que a marca desejava passar. Nada daquilo seria usado, na verdade após os desfiles era tido um intervalo de 6 meses para as peças conceituais serem transformadas em roupas comerciais e assim irem para as lojas. Com o avanço da moda e o estouro do street style, muitos sentiram a necessidade de ousar mais e usar peças das passarelas em suas produções. Isso fez com que a moda passasse a olhar para este comportamento de algumas pessoas e trazer o comercial e conceitual juntos numa mesma passarela, sem precisar passar por uma extração para ser vendida. Alguns profissionais da moda perceberam que os desfiles estavam ficando cada vez mais comerciais e até passaram a chamar as Fashion Weeks de desfile de shopping. Com isso, a moda foi cada vez mais distante, transformando o desejável em resultado imediato, quero dizer, hoje muitos desfiles são apresentados e após o encerramento as coleções desfiladas rapidamente estarão nas lojas, tudo muito rápido e prático para que o cliente não precise esperar mais.  ”O cliente não tem mais paciência para esperar por um longo tempo para comprar as peças desfiladas”, disse Christopher Bailey, diretor criativo da grife Burberry.

 

De fato algo que todo mundo detesta é esperar. Aguardar para uma peça chegar em suas mãos se torna cansativo, mas espera aí, será que não estamos exagerando? Afinal isso é um retrato de uma cultura consumista, algo que sinceramente se tornou tão clichê, pois a moda está tão aberta, tão independente e incentivando cada vez mais o consumo consciente. Não precisamos mais nos desfazer daquela peça porque ela não esta mais em alta, você usa o que deseja, aquela de ser ridículo repetir roupa ficou no passado e hoje somos cada vez mais livres para usarmos o que queremos. A moda está apontando para um rumo que menos se torna mais e em relação a consumo isso também se aplica.

 

Hoje a moda vive por você e não você por ela. Não sobrevivemos mais de tendências, nosso comportamento se tornou tendência, ela se aproxima mais do individual, de como é o seu estilo, a sua combinação, esse é o ponto alto da moda atual, identidade de estilo. E por esse motivo não temos a necessidade de lotar nossos guarda-roupas com peças e mais peças. Se for para lotar, que seja do seu estilo pessoal e não apenas de tendências. Lógico que somos fascinados por novidades e tudo o que é novo nos atrai, porém a visão aqui é outra, se uma peça é bonita, ela sempre será bonita, sua visão não deve mudar com o tempo, aliás, acredito que quanto mais velha, mais única ela acaba se tornando. Dois estilistas que estão fazendo uma bagunça na moda com esse novo conceito são Alessandro Micheli, diretor criativo da Gucci e Demna Gvasalia, diretor da Vetments e Balenciaga. Ambos acreditam que a moda é você, sua atitude, sua postura, onde você quer comprar, o seu desejo, fazendo a moda se afastar de tendência e ir para o individual. Eles também dizem que peça que é dita como de temporada passada não faz mais sentido. Se você ama não liga para temporada.

 

Confesso que adoro comprar roupas, mas compro para o estilo pessoal e não por tendência, por isso me falam que sou diferente dos demais blogueiros e modelos. Se gosto de uma peça não quero saber quando vou usar e nem como usar, acabo levando. Mas também preservo peças antigas, um bom exemplo disso é que comprei uma camisa que fez muito sucesso quando a C&A lançou, porém sempre deixei guardada e a usei poucas vezes, anos depois resolvi tirar de vez do meu guarda-roupa, o que levou muita gente a se surpreender com ela e em como ela era diferente, isso porque para muitos ela não passava de modinha, mas para mim até hoje é uma das minhas favoritas.

 

Gosto do novo, mas preservo o velho e dificilmente me desfaço de minhas peças, e quando resolvo fazer isso é por motivos certos e não porque não estão mais em alta, tenho peças que já possuem 6 anos e por aí vai. Acredito que precisamos de mais posturas assim. Precisamos parar de comprar peças apenas por uma febre momentânea, pois por mais atraente que sejam as novas coleções, devemos pensar se realmente temos a necessidade de comprá-las. Por isso, antes de sair por aí comprando algo que acabou de ser lançado, certifique-se de que no seu guarda-roupas não já existe algo similar. E que o consumo não seja só pelo prazer de comprar.

Abraços!

Gucci é o mais novo fenômeno da moda. Há algumas temporadas a maison tem dado o que falar e não é pra menos: a casa que antes possuía um estilo sexy onde suas campanhas sempre exibiam um apelo sexual passou a ficar cada vez mais jovem, romântica e (por que não dizer?), mais comportada. Uma contramão do que esperávamos, mas que tem dado certo.

Caso você não tenha muito acesso à moda, irei lhe atualizar deste acontecimento. A Gucci, uma importante grife de Milão, acabou demitindo sua diretora criativa Frida Giannini, responsável por comandar todas as criações da marca e planejar tudo. E na busca por alguém que pudesse ocupar tal posto, viram que os nomes mais quentes estavam todos em cargos e contratos fechados, então numa estratégia mágica resolveram levantar alguém de dentro da maison para subir de cargo. Foi aí que entrou Alessandro Michele. Ora, pra que melhor do que alguém que já trabalha com a marca, não é mesmo? O que de início pareceu uma tarefa meio arriscada, se tornou uma jogada que traria a Gucci de volta aos holofotes, afinal, já fazia um certo tempo que a marca estava apagada e com vendas baixíssimas no mercado.

Numa cultura onde somos moldados para gostar apenas do que é novidade e descartar o que é velho, então surge Michele, indo na contramão com uma proposta diferente com o intuito de preservar as coleções, ou seja, em uma época onde estamos vivendo consumo imediato em que marcas fazem desfiles com peças diferentes a cada estação, Michele irá apenas evoluir cada uma das peças. É como se a cada nova temporada a mesma coleção recebesse uma repaginada, assim, aquela jaqueta da primeira coleção não precisa ser descartada, se tornando atemporal e transformando não só o segmento de coleção, mas toda a identidade da casa. Percebemos que o caminho traçado por Michelli vai de encontro com o consumo consciente, que não é um assunto novo por aqui, já que sua pioneira foi Vivienne Westwood.

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Você deve se perguntar, mas não é apenas uma coleção? Na verdade o boom se deve pelo rejuvenescimento da marca, porque se notarmos, as coleções antigas de grandes grifes tinham um público muito adulto, roupas com um estilo mais maduro e que não agradava muito aos jovens, fazendo-os preferirem marcas mais despojadas. Porém, com a dominação da era digital, cresceu o número de jovens influentes e o mercado dessa idade aumentou em números, começando a atrair os olhares de grandes grifes que desejavam o poder de influência desses jovens atrelados às suas marcas. Diante disso, se percebeu a necessidade de rejuvenescer a marca, já que seu público estava caminhando por um novo rumo.
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É importante frisar que esse novo posicionamento de Alessandro ressalta uma postura digna de aplicarmos ao nosso estilo de vida. Você deve ser quem desejar ser e não precisa abrir mão do seu estilo pessoal para vestir a marca. Na verdade hoje você veste Gucci e não ela lhe veste e temos notado isso cada vez mais em seus desfiles, que têm como foco principal um garoto romântico vintage, mas no seu último desfile, Cruise 2017, que foi inspirado na moda da cidade londrina, foi mostrado que o garoto romântico ainda estava lá, porém vestiu também o punk e o estilo de rua sem precisar abrir mão de sua identidade. Nisso podemos ver que a união desses dois grandes nomes resulta num traço marcante: a liberdade. E é essa liberdade que ele deseja passar para seu consumidor: seja sexy, nerd, vintage, punk, sem gênero, seja quem você quiser – tem espaço para você aqui.

Percebem o poder de uma identidade pessoal e no quanto isso está ocupando o mercado, em como a moda está mais voltada para você? Hoje ela se encaixa no que você quiser e isso nos faz querer buscar não só um estilo nosso, mas um comportamento que nos possibilite descobrir e nos conhecer cada vez mais. Esse é o desejo da moda atual, por isso não acreditamos que sejam apenas roupas, mas uma descoberta por você mesmo através do que se veste. E cá entre nós, Michelli está certo. Você é o que deseja ser. Basta querer.

Abraços!


Para muita gente a moda não passa de superficialidade. É que moda é quase sempre associada a consumismo, como se ela se resumisse apenas à compra de itens da última tendência. Mas claro que não é bem assim. Na verdade a moda está diretamente relacionada à construção da identidade e compreensão da personalidade. Sim, a moda diz muito sobre nós, sobre o lugar a que pertencemos, a sociedade em que vivemos, a religião a qual seguimos, enfim: o que usamos é um reflexo do que somos.

 
Acontece que, no mundo atual, o que vemos é uma grande mudança em relação às identidades ou uma revolução de subjetividades. Mas calma, deixa eu explicar melhor. Bom, há um certo tempo era bem mais fácil identificar alguém pela maneira de vestir. Os estilos eram muito específicos e geralmente você se identificava com algum e se vestia de acordo com ele. Era mais fácil saber se alguém pertencia a determinada tribo, se o irmão da sua namorada era rockeiro ou se aquele seu vizinho era, por exemplo, muito religioso.
 
É claro que hoje ainda é possível identificar estilos, tribos e saber muito sobre alguém pela maneira como se veste. Mas a subjetividade é bem maior. Se antes praticamente todas as roupas e acessórios usados em um mesmo look se adequavam ao mesmo estilo, hoje é possível usar uma variedade enorme de peças de uma só vez, sem se preocupar se elas estão coerentes ou se estamos seguindo um padrão.

A verdade é que hoje há uma pluralidade de identidades. Eu posso me identificar com algo e também gostar do seu oposto e expor isso por meio do que eu uso. Embora sejamos todos pertencentes a uma sociedade, também somos seres individuais, com pensamentos e gostos bem particulares e isso pode estar explícito naquilo que usamos no cotidiano. No modo de vida atual, aquilo que vestimos, ou seja, a nossa imagem é (propositalmente ou não) confundida com o “ser”. E isso é maravilhoso. Temos uma liberdade que, acredito eu, nunca tivemos antes. Claro que não podemos dizer que já atingimos o auge dessa liberdade, porque inclusive muitos de nós ainda sentem o peso da cobrança em relação ao modo como nos apresentamos socialmente, seja no corte de cabelo, na barba, na roupa ou no que for. Mas podemos dizer sim, que a moda deu grandes passos em relação à expressão do modo de ser individual.
 
Pertencemos a determinado grupo social, mas não somos iguais. E essas diferenças podem gritar ao mundo. Se há alguns séculos éramos vistos como pertencentes à elite, ao clero ou ao proletariado de acordo com as roupas que vestíamos, hoje não se deve julgar a que classe social determinada pessoa pertence pelas roupas que ela usa (embora esta infelizmente ainda seja uma prática comum). O que vestimos tem mais a ver com nossas ideologias, nosso estado de espírito, nossa relação com nós mesmos, com o mundo e nossa identidade cultural. E isso pode mudar, caso a gente mude. Não é bacana?
 
Mas sabem o que é mais engraçado? É que durante muito tempo a moda foi considerada algo que por si próprio é impessoal, que não nos vê como seres individuais e nos define como “ovelhas de um determinado rebanho”. Porém, ela ganha verdadeiro sentido quando permite que você expresse a sua individualidade. E assim nascem os estilos.
 
Bom, eu comecei esse texto falando que muita gente vê a moda como algo fútil e é claro que não será esse post que lhe fará mudar de opinião. Mas como modelo e blogueiro de moda me vejo na obrigação de trazer meu posicionamento sobre isso. Porque as pessoas acham que moda é somente o que está nas passarelas, nas campanhas, na TV e nas revistas. Mas não é bem assim. Moda, meus amigos, também é a roupa que você usa para ir ao trabalho, à faculdade, ao cinema ou onde for. Moda também é aquela calça que você adora, mas que ficou velhinha e pra não se desfazer você resolveu customizar. Moda é a roupa do jovem da periferia, da patricinha, do estudante. É esse casaco que eu coloco porque acho a minha cara, mas é também aquela camisa social, o boné de aba larga, aquele sneaker que eu adoro e o tênis branco que todo mundo acha meio sem graça, mas que me deixa super bem. A moda somos nós. Porque ela não é feita apenas de grandes criadores e estilistas renomados. É feita por gente comum, feito eu e você. Por falar nisso… E você, veste o quê? 
Nunca entendi essa de categorizar gerações de décadas com letras. Pra falar a verdade, nunca ouvi mencionarem gerações de primeiras letras como: A, B, C, D… Enfim. De fato quando a geração X virou notícia e depois da publicação da revista i-D, que fala que chegamos à geração Y, foi que me dei conta de que mudamos de categoria sem ao menos sermos comunicados. Agora estamos na geração dos conectados, das notícias instantâneas, selfies, haters e dos 15 minutos de fama.
É claro que isso tem dois lados. Se agora estamos mais conectados, universalmente ligados 24 horas por dia, por outro há também uma série de questionamentos que nos fazem pensar se fazer parte dessa geração é mesmo algo tão bom assim. Para mim, por exemplo, de certa forma isso é muito positivo, pois sem toda essa conexão não seria possível manter o blog nem estar sempre em contato com vocês trocando ideias, postando fotos em tempo real e tendo esse retorno por meio de comentários e mensagens. Além do mais, dá para saber que campanha teve mais acessos e qual trabalho postado aqui vocês mais gostaram.
 
Há muitas outras vantagens também. Em se tratando da profissão de modelo, por exemplo, não podemos negar que muitos atingiram a fama da noite para o dia graças às redes sociais, que facilitaram que sua imagem chegasse aos olhos certos (mas isso é assunto pra um outro post). Muita gente consegue ter ao menos 15 minutos de fama, ou menos, mas que essa possibilidade seria quase nula caso não tivéssemos à mão esse aparelhinho que nos oferece a praticidade de inúmeras funções em um único objeto.
Porém, tudo isso tem também um outro lado. Vivemos em uma maratona de acessos e perdemos as contas de quantas vezes ao dia paramos para olhar as notificações do celular. Como todo excesso, viver conectado demais pode nos fazer mal. Ligamos a internet e nos desligamos do mundo ao nosso redor, deixando passar coisas que deveriam (e mereciam) ter uma atenção especial. Ganhamos tempo encurtando distâncias, mas perdemos tempo vendo bobagens em excesso, ou esperando a próxima notificação para saber se nossa foto teve o número de curtidas que gostaríamos. E pior, para fazer parte desse universo virtual, criamos uma imagem que muitas vezes não representa o nosso verdadeiro eu, mas aquilo que gostaríamos de ser. Cenários, filtros, programas de edição de imagem, aplicativos, likes, números de seguidores, tudo isso ocupa a nossa cabeça como se precisássemos urgentemente mostrar ao mundo que temos a vida perfeita, a grama mais verde e a família de comercial de margarina.
Pertencer à Geração Y não seria tão ruim se cada um soubesse encontrar o equilíbrio e fazer uso consciente dessa ferramenta. Se não gastássemos tanto tempo tentando ser um personagem ao invés de nos tornarmos aquilo que queremos ser. Se não fingíssemos nos importar com a dor alheia curtindo o post depressivo do amigo, mas nos negando a colocar os pés fora de casa para dar a ele o abraço que tanto precisa. Se não fingíssemos popularidade mantendo um número enorme de amigos virtuais, mas vivendo a vida real como a mais solitária das criaturas. Até que ponto vale trocar o que já temos por esse universo paralelo? Que a tecnologia facilite as nossas vidas, que nos abra portas, janelas e horizontes, mas que saibamos usá-la com responsabilidade. Que a gente não esqueça que é muito bom brincar de ser feliz, mas vale muito mais ser feliz de verdade. Mas ei, você aí lendo esse post, tem certeza de que não tá deixando passar despercebido algo importante? Agora que o texto acabou, deixa um pouco a vida virtual de lado e abrace a vida real. Ainda dá tempo. Corre lá!

Abraços!



A polêmica é antiga, mas acredito que mereça ser motivo de postagem por aqui. Com o surgimento dos bloggers muitas polêmicas e críticas foram lançadas sobre esse segmento que tem crescido tanto nos últimos anos, se tornou um fenômeno na internet e é incrível como muita gente consegue fazer disso seu próprio negócio, tirando lucros que chegam a valores bastante altos. Bom, não se sabe exatamente como começou, mas existe uma certa rivalidade entre os blogueiros e a mídia, mais especificamente a mídia voltada para a moda. Devido a isso, houve até a criação de uma faculdade para ser blogueiro, idealizada por Alice Ferraz juntamente com a faculdade de Belas Artes.
Algumas pessoas têm uma raiva enorme desses tais blogueiros e os argumentos são muitos. O principal começa devido aos patrocínios, que não condizem com o assunto retratado no blog. Mas a publicidade é isso, aparece na TV, no youtube, no facebook e em muitos outros lugares. Eu particularmente não gosto desse tipo de propaganda, mas também não discrimino quem cede seu espaço para ela. Não vou mentir que houve épocas em que estive interessado em patrocínio no meu blog, mas preferi me aprimorar em passar um conhecimento com base ao invés de produtos que talvez nem fossem do meu agrado e ainda fazer do blog uma vitrine de loja.
Já recusei sim, alguns patrocínios. Não direi que foram muitos, mas não aceitei por não serem algo que eu realmente usaria. E recusar isso não me tornou melhor e nem pior, apenas diferente. Acredito que existam muitos blogueiros com os pensamentos iguais aos meus, de trazer informação para os seus leitores e não se preocupar em ter que divulgar esse ou aquele produto.
Sei que muitos jornalistas ficam indignados porque muitos desses blogueiros ocupam seus lugares na fila A dos desfiles, mas pensem comigo: é tão importante assim assistir a esses desfiles em lugares “privilegiados”? Será que de outros pontos também não daria para prestigiar? Já assisti a muitos eventos de moda em primeiras e em últimas filas e posso dizer que isso não interferiu em minha visão sobre o evento. Não vamos nos iludir, antes mesmo dos blogueiros existirem quem ocupava as primeiras filas junto com os jornalistas eram artistas famosos. Com o fim dos blogs não aumentará o número de cadeiras nos lugares privilegiados, na verdade eles só serão substituídos por outra classe que estiver no auge. E claro que seria melhor se eles fossem ocupados por uma classe que entende de moda.
Antes dos blogueiros a moda era vista como algo restrito e acredito que com o surgimento dos blogs as pessoas começaram a ter um acesso maior e a se interessar mais pelo assunto, mesmo que essa moda seja restrita a “look do dia”, mas através disso o mercado foi se tornando cada vez mais dinâmico, e com o surgimento desse tal “look do dia” que muitos criticam, tivemos uma reformulação nas editorias de moda com matérias na íntegra sobre os desfiles. Se notarmos bem, até as marcas se tornaram bem mais acessíveis no relacionamento com seu público. Claro que isso é devido a um conjunto de fatores e não apenas por causa dos blogs, mas que essas páginas na web tiveram sua parcela de colaboração, isso não se pode negar.
A partir disso tivemos uma maior liberdade e acesso a coisas relacionadas à moda. Quem não lembra daqueles programas que colocavam looks de celebridade e diziam se elas estavam de acordo com as tendências? Hoje isso não existe mais porque o tal erro de look ganhou uma palavra chamada identidade. Hoje se você mistura cores e estampas nãos está fora dos padrões da moda e sim dentro de uma identidade única que faz com que muitas marcas se inspirem, que são os chamados ‘street style’ (moda de rua). O conjunto contribuiu para que a moda se tornasse uma expressão de personalidade que antes não era vista por muita gente.
Dizer que o mérito é somente dos bloggers seria demais, mas tivemos sim uma participação nisso tudo. Não estou aqui para dizer que a minha classe é a mais certa e nem para fazê-los mudar de opinião. Na verdade não quero convencê-los de que os blogueiros são os melhores da moda, isso não compete a mim e não há uma verdade absoluta sobre quem é melhor ou pior, tudo é muito relativo. Só quero lembrar como funcionam as coisas, qual foi o papel do blogueiro nessa história e que, por mais que você odeie essa classe (o que é um direito seu), deve lembrar de alguns pontos importantes e a partir disso construir a sua opinião.
Se não gostamos de um determinado blogueiro não precisamos denegrir toda uma classe. Há profissionais bons e ruins em todas as áreas, não é mesmo? Sabemos que nas demais existe um diploma, coisa que nós não temos. Mas por que aqui não podemos ser valorizados pelo talento? Acredito que uma faculdade seja de fundamental importância sim, mas quantos profissionais tiveram seu talento reconhecido sem precisar entrar na vida acadêmica, como foi o caso do próprio Valentino, acredito sim, que existam blogueiros tão talentosos que mereçam créditos por seu trabalho, desenvoltura e esforço. Mas o que acredito que deva realmente existir seja uma maior aceitação dessas novas profissões que surgem com o avanço da tecnologia. Que haja menos intolerância e mais respeito. Menos preconceito e mais conhecimento. Porque só se discrimina quando se conhece apenas superficialmente. Que antes de criticar saibamos respeitar.