Muito se fala sobre o atual estado da moda que assumiu a postura do “see now buy now”, que em tradução livre significa “veja agora, compre agora”. O intuito desse novo sistema é fazer com que os clientes das marcas não precisem esperar muito tempo para adquirir aquela peça que foi desfilada na passarela. Sim, pois agora o conceitual e o comercial estão entrelaçados juntos numa mesma passarela.
Para entendermos melhor explicarei rapidamente: antes um designer criava uma coleção com peças e cortes diferenciados que gerava uma certa dúvida para quem era de fora da moda. Isso se chamava peças conceituais, que tinham como finalidade mostrar uma tendência ou um conceito que a marca desejava passar. Nada daquilo seria usado, na verdade após os desfiles era tido um intervalo de 6 meses para as peças conceituais serem transformadas em roupas comerciais e assim irem para as lojas. Com o avanço da moda e o estouro do street style, muitos sentiram a necessidade de ousar mais e usar peças das passarelas em suas produções. Isso fez com que a moda passasse a olhar para este comportamento de algumas pessoas e trazer o comercial e conceitual juntos numa mesma passarela, sem precisar passar por uma extração para ser vendida. Alguns profissionais da moda perceberam que os desfiles estavam ficando cada vez mais comerciais e até passaram a chamar as Fashion Weeks de desfile de shopping. Com isso, a moda foi cada vez mais distante, transformando o desejável em resultado imediato, quero dizer, hoje muitos desfiles são apresentados e após o encerramento as coleções desfiladas rapidamente estarão nas lojas, tudo muito rápido e prático para que o cliente não precise esperar mais.  “O cliente não têm mais paciência para esperar por um longo tempo para comprar as peças desfiladas”, disse Christopher Bailey, diretor criativo da grife Burberry.
De fato algo que todo mundo detesta é esperar. Aguardar para uma peça chegar em suas mãos se torna cansativo, mas espera aí, será que não estamos exagerando? Afinal isso é um retrato de uma cultura consumista, algo que sinceramente se tornou tão clichê, pois a moda está tão aberta, tão independente e incentivando cada vez mais o consumo consciente. Não precisamos mais nos desfazer daquela peça porque ela não esta mais em alta, você usa o que deseja, aquela de ser ridículo repetir roupa ficou no passado e hoje somos cada vez mais livres para usarmos o que queremos. A moda está apontando para um rumo que menos se torna mais e em relação a consumo isso também se aplica.
Hoje a moda vive por você e não você por ela. Não sobrevivemos mais de tendências, nosso comportamento se tornou tendência, ela se aproxima mais do individual, de como é o seu estilo, a sua combinação, esse é o ponto alto da moda atual, identidade de estilo. E por esse motivo não temos a necessidade de lotar nossos guarda-roupas com peças e mais peças. Se for para lotar, que seja do seu estilo pessoal e não apenas de tendências. Lógico que somos fascinados por novidades e tudo o que é novo nos atrai, porém a visão aqui é outra, se uma peça é bonita, ela sempre será bonita, sua visão não deve mudar com o tempo, aliás, acredito que quanto mais velha, mais única ela acaba se tornando. Dois estilistas que estão fazendo uma bagunça na moda com esse novo conceito são Alessandro Micheli, diretor criativo da Gucci e Demna Gvasalia, diretor da Vetments e Balenciaga. Ambos acreditam que a moda é você, sua atitude, sua postura, onde você quer comprar, o seu desejo, fazendo a moda se afastar de tendência e ir para o individual. Eles também dizem que peça que é dita como de temporada passada não faz mais sentido. Se você ama não liga para temporada.
Confesso que adoro comprar roupas, mas compro para o estilo pessoal e não por tendência, por isso me falam que sou diferente dos demais blogueiros e modelos. Se gosto de uma peça não quero saber quando vou usar e nem como usar, acabo levando. Mas também preservo peças antigas, um bom exemplo disso é que comprei uma camisa que fez muito sucesso quando a C&A  lançou, porém sempre deixei guardada e a usei poucas vezes, anos depois resolvi tirar de vez do meu guarda-roupa, o que levou muita gente a se surpreender com ela e em como ela era diferente, isso porque para muitos ela não passava de modinha, mas para mim até hoje é uma das minhas favoritas.
Gosto do novo, mas preservo o velho e dificilmente me desfaço de minhas peças, e quando resolvo fazer isso é por motivos certos e não porque não estão mais em alta, tenho peças que já possuem 6 anos e por aí vai. Acredito que precisamos de mais posturas assim. Precisamos parar de comprar peças apenas por uma febre momentânea, pois por mais atraente que sejam as novas coleções, devemos pensar se realmente temos a necessidade de comprá-las. Por isso, antes de sair por aí comprando algo que acabou de ser lançado, certifique-se de que no seu guarda-roupas não já existe algo similar. E que o consumo não seja só pelo prazer de comprar.
Abraços!

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8 opinaram sobre “Veja agora, compre agora: será que não estamos indo rápido demais?”.

  1. Aluisio Azevedo

    19 de agosto de 2016

    Ultimamente venho tendo déjà vus nas suas postagens no blog.
    Sempre tenho a sensação de que já vi o mesmo texto em algum lugar.
    E tudo se confirma quando você no final "começa" a expressar sua opinião.
    São dois textos diferentes, com linguagem diferente, com expressões diferentes, em fim… duas formas totalmente diferentes no mesmo texto.
    Ou seja, a sensação é que você copia e cola um texto de algum lugar, sobre um certo assunto, e logo abaixo você coloca sua opinião, como se você tivesse escrito tudo aquilo.
    Isso é o que eu estou sentindo há algum tempo, sou um leitor assíduo e venho apenas expressar minha opinião de leitor.
    Abraço.

  2. Garoto in Foco

    19 de agosto de 2016

    Olá, tudo bem? Bom, em primeiro lugar gostaria de agradecer o seu contato e a sua assiduidade em meu blog. É muito bom saber que alguns leitores visitam este espaço com certa frequência, significa que o trabalho está realmente tendo resultado. Bom, em relação ao texto, posso lhe assegurar que jamais fiz ou farei ctrl c / ctrl v. Não é de mim copiar e colar conteúdo de terceiros e assumir uma falsa autoria, até porque isso se configuraria como uma prática criminosa. Tudo o que escrevo e publico é fruto de um trabalho de pesquisa, feito com muito empenho, paciência e dedicação. Se há assuntos similares aos que você já leu em revistas ou sites, certamente se deve ao fato de que ao se falar de moda (ou qualquer outro assunto) geralmente abordaremos alguma temática já trabalhada ou mencionada por alguém, mas isso não quer dizer que houve plágio, e sim que o assunto é interessante o suficiente ao ponto de merecer ser abordado, discutido e até mesmo esclarecido. Porém, sempre faço isso dentro do meu ponto de vista. Primeiramente costumo explicar, contextualizar o assunto para que em seguida eu possa expressar minha opinião. Então, posso lhe assegurar, nada aqui é copiado e colado, mas pesquisado, estudado e adequado à minha opinião. Claro que alguns textos soarão mais pessoais, pois dependendo da tag eu faço questão de usar uma linguagem mais cotidiana. Porém, em relação aos textos de moda ou que abordam assuntos mais específicos, uso de uma linguagem mais formal, pois como falei, nada é postado em vão ou na base do “achismo”, mas sempre com embasamento teórico, resultado de pesquisa. E por fim, coloco-me à disposição para responder ou lhe auxiliar em quaisquer demais dúvidas que você tenha em relação ao meu blog.
    Grato,

    Daniel Saraiva.

  3. Luciano Maia

    20 de agosto de 2016

    Realmente, essas questão do SEE NOW BUY NOW só tende a aumentar, já que as pessoas estão cada vez mais imediatistas… O lance é você fazer aquilo que é saudável e bom pra você.
    Adorei o post e é super válido levantar essa questão!

    http://www.entreeles.com/

  4. Drica com Batom

    21 de agosto de 2016

    Eu mesma não suporto esperar para comprar algo eu sou meio que como vc tenho um estilo próprio mas confesso que gosto de usar o que está em alta claro de eu me identificar com aquela tendência.

  5. Daniele

    22 de agosto de 2016

    Como costumo estar na contra mão da moda, não tenho essa necessidade de consumir dessa forma. De todo modo temos que começar a pensar nessa forma de pensar.

  6. Aluisio Azevedo

    22 de agosto de 2016

    Oi, tudo bem?!
    Obrigado pelo retorno. admiro muito seu trabalho, e vejo o tamanho do seu crescimento cada dia que passa!
    Continue sempre assim.

    Abç;

  7. TV Ozten

    23 de agosto de 2016

    Eu realmente detesto esperar pra comprar algo que eu gosto e quero! Mas nos últimos tempos não tenho tempo (R$) nem de olhar muito menos comprar!
    Mas já tinha passado da hora disso acontecer! Esse lance de esperar o que a marca ia fazer com cada tendencia é chato demais!

  8. Ethan Blazer

    24 de agosto de 2016

    Hoje em dia existem inúmeras tendências, e para mim o estilo é algo mais pessoal, eu gosto muito de misturar as peças (antigas e novas) enfim, tudo vai depender do humor do momento, há dias que sou mais caprichado no visual e outros não. Se antes eu tinha aquele problema de comprar roupas por comprar sem avaliar a real utilidade, hoje estou sem comprar nada do vestuário há meses. O cenário está bem diferente e complicado para muitos.

    Parabéns conteúdo Daniel, curto bastante os posts onde você faz essas análises.
    Abração!!

    http://santuarioethanblazer.blogspot.com.br