Por Daniel Saraiva em 13 de maio de 2015

Menino ou menina? Isto é, masculino ou feminino? Produtos são criados para um determinado gênero, mas aos poucos isso vem levantando alguns questionamentos. O que leva um produto a ser tachado de masculino ou feminino? É um tipo de discussão bem complicada, pois ambas as partes possuem vários argumentos que levam adiante sua defesa.

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Blogueiros com a mesma peça lançada pela Ricahuelo em parceria com a Versace( Foto Fashion Hall)
A moda é uma das mais afetadas nesse caso e, de uns tempos para cá, isso vem causando uma verdadeira confusão, pois hoje é normal homens usarem peças que foram desenvolvidas para o guarda-roupa feminino (o exemplo mais claro foi a coleção da Versace para a Riachuelo) e vice-versa. Porém, o caso mais recente foi o do blogueiro Kadu Dantas, que postou uma foto em sua rede social onde usava a mesma peça que sua colega de profissão. Acabei notando nos comentários que muitos garotos gostaram da atitude e muitos outros, apesar de terem gostado da camisa, não usariam, pelo fato de ter sido criada para o público feminino (mesmo não aparentando). Aí fica uma dúvida: o preconceito é algo concreto ou só está na sua cabeça?
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Campanha Agender( Foto Vintage Fashion)
De fato existem peças femininas que podem ser usadas por homens e ninguém irá notar. Percebendo isso alguns estilistas resolveram adaptar suas roupas, que foi o caso de marcas como Giorgi Armani, Prada e Gucci, que decidiram colocar mulheres nos desfiles masculinos vestindo peças unissex. Essa atitude pareceu ser um divisor de águas para muitos garotos e garotas que gostam de usar peças geralmente criadas para o sexo oposto. Mas então por que há preconceito? Muitos irão achar sua roupa bonita, mas ao abrir a boca para dizer que é feminina, por mais que não aparente, irão torcer o nariz, como já presenciei, o que me leva a questionar o motivo desse preconceito. Se a peça não mostra nitidamente para qual público ela foi criada, por que temos que segmentá-la?

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Marlene Dietrich a primeira mulher a usar calças( Foto google imagens)
Voltando alguns séculos podemos ver que era comum homens usando meia calça, salto, peruca, vestido e maquiagem e isso não estava relacionado à sexualidade de ninguém. Sabemos que os tempos são outros e que isso também tem a ver com questões culturais. Mas se procurarmos um pouco, há um certo tempo as mulheres não tinham liberdade para usar calças porque eram peças exclusivas do guarda-roupa masculino e hoje se tornou algo muito comum entre elas. Isso mostra o quanto a moda e o gênero podem mudar de lado e ter suas posições invertidas sem estarem relacionadas à sexualidade. Não somos obrigados a nos adequar a esse estilo, mas respeitar é algo essencial. Porém, a questão que quero levantar  aqui é: se uma peça não tem uma padronagem masculina e nem feminina, por que temos que segmentá-la para este ou aquele gênero? Você deixaria de usar determinada peça por que não gostou ou por que lá no fundo você sente um peso por ela não ter sido feita para o seu gênero?
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Mick Jagger e David Bowie adeptos da moda sem gênero (Foto google imagens)
Tivemos muitos casos não apenas no mundo da moda, mas também da música e do cinema, de homens que quebraram esse tabu e mostraram que o gênero estava somente em nossas cabeças. Os casos mais famosos são Mick Jagger e David Bowie.
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Campanha Agender( Foto Facebook)
E se você acha que tudo isso se limita a debates e desfiles, está enganado. A grande marca de luxo Selfridges lançou uma linha unissex chamada de Agender. O intuito da marca é proporcionar aos seus consumidores uma experiência de escolher se vestir sem limitações de gênero. A modelo Agyness Deyn criou uma marca onde suas peças foram inspiradas no guarda-roupa masculino. Não demorou muito e as peças viraram febre entre os fashionistas. A marca foi batizada de Title A. E você? Usa o quê?

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Moletom da Kenzo que fez sucesso entre ambos os públicos( Foto Lilian Place)
Campanha Title A, foto revista glamour(Foto Lilian Place)
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Abraços!

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1 pessoa opinou sobre “Unissex, uma quebra de gênero?”.

  1. Luciano Maia

    15 de maio de 2015

    O unissex está cada vez mais em evidência, para ambos os sexos, e isso é ótimo!!
    Adorei o post e o tema levantado aqui 🙂

    http://luoucuras.blogspot.com.br/