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Causar desejo – é com esse objetivo que as lojas de fast fashion trabalham, procurando despertar em seus clientes uma grande necessidade através da variedade de produto e seus preços “significativamente baixos”. Pense em quantas vezes você saiu de casa para comprar apenas uma camiseta ou uma calça e voltou com mais de uma peça, com a desculpa de que os preços estavam ótimos, porque encontrou a peça que tinha visto na internet e sabia que próxima semana não estaria mais disponível, afinal lojas assim mudam de coleção quase que todos os meses trazendo mais novidades.

Fui um consumidor assíduo de fast fashion daqueles que todo mês separava metade do salário, onde 90% do meu guarda-roupa era composto por marcas desse segmento. E em épocas de promoção parecia até cena do filme Delírios de Consumo de Beck Bloom, tamanho era o estrago que fazia. Usava como desculpa que eu precisava de cada peça na nova estação e como sempre estava fotografando look, era bom ter muitas opções. As coisas foram mudando quando comecei a descobrir os horrores por trás de uma coleção de fast fashion, todo o escândalo de trabalho escravo que às vezes colocamos em nossas cabeças de que são boatos ou histórias antigas para que possamos alimentar esse monstrinho consumista dentro de nós.

Me livrar de comprar em fast fashion não foi fácil e ainda não está sendo. Vez ou outra me pego desejando algo e às vezes até caindo em tentação, mas reflito um pouco sobre o quão egoísta estou sendo com tal atitude. Há quem não bote fé nessa minha postura, como um amigo que sempre procura enfatizar de que não adianta deixar de comprar se o desejo ainda continua.

Mas caros amigos, aí é que está a mágica da coisa: é você dizer não para si mesmo, pois lojas assim são estruturadas e ambientadas para causar essa sensação de desejo nos consumidores. Não quero fazer disso uma obrigação para meus leitores, não estou pedindo que façam o mesmo que eu, mas acredito ser isso algo que merece uma pauta aqui no blog, para que possamos refletir um pouco sobre o que andamos consumindo.

Se você optar por ainda continuar a consumir fast fashion não te julgarei, claro, mas gostaria de convidá-lo a fazer compras com uma consciência maior e a tentar procurar outros meios, inclusive se preferirem posso fazer um post indicando todas as lojas que me fizeram abandonar de vez a compra de roupas dessas redes.

A última compra que fiz na Zara lembro bem que foi em 2016: dois sapatos de 60 reais cada e uma jaqueta preta de cetim estampada. E até hoje ainda tenho as peças, que aliás não me livrei de nenhuma depois de aderir ao tal posicionamento, mas resolvi fazer diferente. Se lojas assim fazem peças com o intuito de você descartá-las para comprar mais eu faço o contrário, não descarto para não precisar de mais. Assim estão elas estão completando entre  3 a 5 anos de uso e só me livrarei delas quando realmente achar necessário.

Engana-se quem pensa que para ser fashionista é necessário um closet abarrotado de roupas. Na verdade o que faz a diferença é como você monta a composição. Pense nos benefícios direta e indiretamente que você está gerando para mundo, pois além de não compactuar com o trabalho escravo estará também amenizando os impactos ambientais causado pelas indústrias têxteis. Como falei no parágrafo anterior, não é preciso abandonar de vez, você pode diminuir o ritmo ou optar por comprar de marcas menores, sobre as quais inclusive sabemos que será o mesmo preço e a durabilidade do produto será bem maior. Fica a dica.

Abraços!

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4 opinaram sobre “Por quê decidi dizer não às fast fashion”.

  1. Daniele

    14 de outubro de 2017

    Ótimo post! Acho que em geral devemos ter consciência no consumo, pois as pessoas têm exagerado não só no consumo de roupas. A humanidade sofre com esse consumismo.
    Bjos

  2. luciano

    16 de outubro de 2017

    Amigo, adorei seu texto, o consumo consciente é a melhor coisa.
    Eu ainda compro em fast fashion e creio que continuarei comprando, mas mudei muito a forma como faço minhas compras, cansei de só acumular.
    Adorei sua reflexão, parabéns!

    http://www.entreeles.com/

  3. Laryssa Machado

    17 de outubro de 2017

    Oii Daniel, fico feliz por você ter conseguido. Eu ainda vivo neste dilema, não compro sempre e nem me deixo levar pelo desejo de ter AQUELA peça, mas vez ou outra caiu em alguma promoção de compre 1 e leve outra da Forever 21 e depois fico com o sentimento de culpa, pois todas essas lojas/marcas trabalham com o trabalho escravo. Para fugir disso e tentar consumir de forma mais sustentável e consciente possível, sempre compro em brechó.

    Abraços
    http://www.larydilua.com

  4. Jeovana

    15 de novembro de 2017

    “Na verdade o que faz a diferença é como você monta a composição” Filosofou bonito Dani, e tirou as palavras da boca de muita gente, inclusive da minha. Muita das vezes vamos fazendo compras sem ver, eu por trabalhar em loja sempre tenho esse pensamento, aliás , tinha. Eu estava reparando, é sempre assim: “essa blusa está na promoção, última peça, preciso levar pois está em um preço ótimo.” e lá se vai meu salário.