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Por Daniel Saraiva em 21 de setembro de 2016
3 comentários  |  Loading Ler mais tarde

Vivemos com medo. Esse é um sentimento que nos acompanha desde que nascemos e o que parece é que será um companheiro até o último dia de nossas vidas. Estamos em um mundo onde o medo tem se tornado muitas vezes maior do que a esperança é mais comum do que qualquer sentimento de alívio. Quando criança temos medo de tudo que parece diferente para nós, como o bicho papão, o carro preto (quem não conhece a lenda?), monstros que sombreiam nossa imaginação ou até mesmo de pessoas que já morreram. Porém, coisas reais, coisas que fazem parte do curso natural  da vida ou do nosso cotidiano não chegam necessariamente a nos assustar, como o amor, os conflitos familiares, o futuro, a escola, o bairro ou o mundo. Não temos uma noção maior do perigo, então tememos apenas coisas que para nós naquela idade parecem ser muito maiores do que nossa inocência pode compreender.

Com o tempo vamos percebendo que há muito mais para se ter medo nesse mundo e que isso vai além daqueles filmes de terror, de máscaras assustadoras, bichos ou monstros que parecem vivos. Parece que quanto mais crescemos os medos também vão aumentando, é um sentimento que vai evoluindo de acordo com a idade. Saímos da infância, do mundo da fantasia onde poderíamos ser inclusive heróis e tudo poderia ter um final feliz para adentrar ao mundo real, com todos os reais problemas aos quais temos direito. E em um certo período da vida percebemos que o que mais nos assusta são os nossos pensamentos, que na verdade eles são os principais causadores de certos pavores. Mas como controlá-los? Realmente parece muito difícil, pois a impressão que temos é que eles possuem domínio próprio.

Aquela aflição de como vai ser o seu futuro, se os nossos sonhos se realizarão, se o convívio familiar mudará, se o amor virá em algum momento, se alcançaremos os nosso objetivos, se aquela pessoa que amo me deixará, se alguém próximo partir, se eu partir, se não alcançar a felicidade ou se alguma doença nos pegar de surpresa… Todos os nossos medos estão classificados nessa palavra de cinco letras e não importa qual o tamanho, você sempre o carregará consigo. É inevitável. Faz parte de nós, seres humanos. Somos repletos de dúvidas, incertezas, inseguranças. Temos medo de falhar, medo de perder, medo de sofrer, medo de… A lista é enorme.

O medo é criado a partir do momento em que uma determinada situação foge do seu controle, ou que você acha que não pode resolvê-la porque ela é muito maior do que você. É quando pensamos que aquilo que está por vir não nos trará benefícios de nada, pelo contrário: só servirá para nos atormentar. Especialistas dizem que o medo tem a função de nos proteger, já que por meio dele podemos evitar ou até mesmo fugir de situações de perigo, quando nossa mente percebe um certo risco e prevê que ali algo pode dar errado e nos levar a situações de sofrimento ou até mesmo à morte. Porém, a maneira como sentimos e reagimos é muito particular. Medo é algo tão singular e pessoal que acaba sendo um sentimento que não podemos compartilhar. E é tão sufocante que não daria para defini-lo, pois o que é medo para mim não será para você. Então como o outro irá entender? Não dá pra entender, apenas compreender que isso faz parte de nós e depende também das nossas experiências de vida, frustrações e traumas que sofremos ao longo de nossa caminhada.

Porém, há um medo em particular que me incomoda muito (e que vejo se tornar cada vez mais frequente em nossa sociedade): o medo de viver. As pessoas estão perdendo a coragem pela vida e se entregando ao medo. Querem evitar o sofrimento, mas não percebem que sem isso não há também vitórias. Não querem se arriscar, amar, se relacionar, não querem tentar, aprender, sentir. Ter medo é saudável, porém deixar o medo dominar é sinônimo de fraqueza (ou de algo mais grave). A vida não nos dá garantia alguma se as coisas vão funcionar, mas ela nos dá inúmeras chances de tentar. Então meu conselho é: tente. Viva. Experimente. Quando o pensamento disser “não vá”, substitua-o por “eu vou”. Permita-se. Permita-se viver. Se cair, levante. Se machucar, sara.  Precisamos lembrar diariamente do velho ditado “o que não nos mata, nos fortalece”. Precisamos da dor para evoluir. Por isso, se tiver medo, enfrente. E se por algum acaso der errado, vá lá e faça novamente.

Abraços!

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3 opinaram sobre “Os medos que se realizam”.

  1. Luciano Maia

    28 de setembro de 2016

    Viver com medo é tenso, limitador. Por mais que esse "sentimento" exista, não devemos nos aprisionar nele, nunca!!
    Ótimo post, amigo, bem reflexivo. AMEI!

    http://www.entreeles.com/

  2. Mistura de Moda

    28 de setembro de 2016

    gostei muito se encontrou um pouco na causa setembro amarelo,prevenção ao suicídio,eu assumo eu tenho esse medo de viver,mas eu tento ao máximo viver e ver as coisas belas da vida ..

  3. Mickaela 100Artimanhas

    6 de outubro de 2016

    Óptimo post e óptimo tema a ser debatido. Viver com medo não é viver… temos que viver por nós, sempre!

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    http://100artimanhas.blogspot.com/