Por Daniel Saraiva em 15 de março de 2016
Se procurarmos a definição de lenda no dicionário teremos o seguinte significado: “lendas são narrativas transmitidas oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular. No que se tornam conhecidas vão sendo registradas na linguagem escrita.”
Em outras palavras, lenda nada mais é do que a definição para coisas que não tem uma base de explicação científica, geralmente contando uma história com elementos criados. À medida em que a lenda vai passando de geração para geração, cada vez que é contada por outra pessoa, vai aumentando seu número fragmentos. É como aquele ditado que diz “quem conta um conto aumenta um ponto.”

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Na moda também usamos o termo lenda, atribuindo a seus profissionais. Na categoria de modelos, temos alguns nomes que basta pronunciá-los e milhares de histórias irão surgir. Nesse disputado universo, não basta beleza ou muito menos fama para ser considerado uma lenda. É um trabalho muito além disso, pois possuímos modelos que são verdadeiros ícones, mas não estão na boca das pessoas como alguns outros. O caso que cito é da indústria masculina, onde os modelos lendas são Jon Kortajarena, Evandro Soldati e os menos conhecidos são Sebastien Andrieu, Simon Nessman, Alexandre Cunha e Paul Boche entre alguns outros. Todos tiveram uma carreira tão significativa que são considerados ícones no meio dos modelos masculinos. Foram eles que fizeram a diferença na indústria e marcaram pela revolução que fizeram no mercado.
Mas o que leva um modelo a se tornar uma lenda? Seria o número de campanhas? Ou desfiles? Na verdade é todo um conjunto para que ele se firme mais e mais, porém isso não está relativamente associado em números e sim em marcos nos quais ele está presente. Assim como um espetáculo de circo, da mesma forma são desfiles e campanhas, que mesmo sendo repetidos, dificilmente sairão do mesmo jeito. Porém, sempre haverá aqueles desfiles que tornam-se lendários pela participação de um modelo, onde ele incorpora tão bem o personagem que deixa a plateia perplexa, como foi o caso de Gisele Bundchen no seu primeiro desfile internacional para Alexander McQueen e Karlie Kloss para o desfile de Jonh Gallianno na Dior. São modelos que conseguiram se destacar em um determinado evento.
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Também temos desfiles que são lendários e os modelos que participam acabam entrando para a história da moda, podendo virar futuras lendas, como o desfile da Givenchy, que deixou sua casa em Paris para desfilar em Nova Iorque num espetáculo que fez um remake de todas as suas coleções e trouxe uma homenagem ao 7 de setembro. E assim como ele tivemos o da Chanel, com sua marcha em favor do feminismo, o da Gucci, que abandonou aquele ar de mulher sexy e resolveu apostar numa moda sem gênero. São tantos que não caberia aqui nesse post, e olhe que estou falando apenas dos mais recentes. Mas o que quero passar é que não está associado a apenas um trabalho em si. Note que nomes como esses fizeram parte de muitas outras histórias na moda, como Gisele no editorial da Vogue Itália e Jon Kortajarena nu para a campanha de óculos da Tom Ford. São imagens que marcaram bastante e lembranças que vêm de imediato ao mencionar os nomes de alguns deles.
O que muita gente não percebe é que existem grandes e pequenas lendas, onde as pequenas são lembradas por apenas um marco na história, mas que mesmo assim fizeram uma reviravolta no mercado, como foi o caso de Kendall Jenner, que trouxe um novo segmento de modelo no mercado com base em números de fãs pelas redes sociais. Modelo que sai do papel de apenas um cabide e traz um trabalho de influenciador no seu público. Houve sim, muitas subcelebridades que tiveram um papel na modelagem, como Paris Hilton, Justin Bieber e Rihanna, mas todos só tiveram apenas uma pequena participação nesse mundo, diferente da garota de reality de família polêmica que conseguiu desfilar, estampar revistas e emprestar seu rosto para campanhas fortes. De fato, ainda está cedo para chamá-la de lenda, mas que ela já esta no caminho certo para conseguir, isso temos que reconhecer. Ainda há um certo preconceito em relação a esse tipo de estrelato, mas querendo ou não, algumas pessoas marcaram e mudaram o mercado. Por mais que muita gente não concorde, não depende da nossa aprovação. Essas pessoas existem e estão sim, fazendo história. No fim das contas, a modelo que batalhou anos para chegar lá e a menina de milhões de seguidores terão sua parcela de influência sobre o público e conseguirão resultados pra lá de satisfatórios para as marcas que representarem. A vida é dinâmica, o mercado também.

 

Abraços!

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2 opinaram sobre “O que torna o modelo uma lenda?”.

  1. Aleks Nogueira

    16 de março de 2016

    Lindo post Daniel, a algumas lendas em alguns modelos que fica para sempre! Como você citou, Gisele ficara para sempre, e quando me falam em modelos no sexo masculino me vem na cabeça direto o Paulo Zulu ( porque será?) querendo ou não ele fez sua lenda nas passarelas.
    Abraços querido.

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  2. Garoto in Foco

    22 de março de 2016

    Genteee Paulo Zulu é um ícone para os modelos masculinos brasileiros, é um nome que sempre vai ser lembrado.