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Ser religioso, fazer parte de uma religião e segui-la à risca nunca foi sinônimo de ter estilo diferenciado. Pelo contrário: geralmente as pessoas que frequentam alguma igreja assiduamente são associadas a algo cafona, sem nenhuma ousadia ou criatividade.  O motivo? Há muitas teorias. Algumas pessoas acham que ser devoto a Deus é sinônimo de abdicar de toda e qualquer vaidade, que é preciso ser discreto em todos os sentidos e nunca, jamais chamar a atenção para si mesmo, especialmente se for por meio da aparência.

Recentemente esse assunto veio à tona devido ao comportamento de alguns pastores e religiosos dos EUA e eu me sinto feliz e aliviado por isso. Sempre gostei de me vestir diferente, de ter estilo próprio, de usar peças que as pessoas geralmente não usam no cotidiano. E sempre fui evangélico também – o que poucas pessoas sabem. Porém, para mim sempre foi um desafio aliar as duas coisas, pois muita gente acaba levantando questionamentos sobre a minha fé, devido ao meu envolvimento com o universo da moda.

Nasci em uma família evangélica, mas acreditem: meus pais nunca me pressionaram para me manter na igreja ou fortalecer a minha fé, tudo isso foi acontecendo naturalmente, por vontade própria, por gostar de me sentir próximo a Deus e por acreditar e confiar Nele infinitamente e em todos os sentidos. E isso nunca me limitou em nada. Decidi não beber por escolha própria, foi ideia minha fazer esse voto a Deus, assim como todas as outras opções que fiz na vida.

Assim, mesmo apaixonado por moda, jamais senti vontade ou necessidade de me desviar do caminho cristão. Jamais tive vontade de deixar de ser evangélico pelo fato de ser apaixonado por moda. Sempre acreditei que temos que seguir nosso caminho, que devemos ser fiéis aos nossos sonhos e que isso não implica necessariamente em ser infiel a Deus. Seguir o que queremos neste mundo não significa necessariamente ser alguém sem fé. E fico muito aliviado que igrejas e fiéis estejam finalmente se dando conta disso.

Para ir à igreja as pessoas precisam, antes de tudo, se sentir livres. Nos sentir à vontade no ambiente em que estamos é primordial. E como nos sentir à vontade quando não estamos vestidos da maneira como nos identificamos? É claro que é preciso bom senso e discernimento para ir à casa de Deus, mas isso não significa necessariamente nos privar de sermos criativos e termos nosso próprio estilo.

A visão arcaica e negativa que muitas pessoas mantém até hoje em relação à religião tem agora uma chance de ser modificada. Chegou a hora de mostrar que ser cristão não é ser preso, privado ou muito menos contido – ser cristão é ter a alma livre e expressar a liberdade e o amor a Deus em toda a essência do ser. E liberdade é, entre as muitas opções para vestir, poder enfim escolher.

Abraços!