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Por Daniel Saraiva em 20 de janeiro de 2016
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Para muita gente a moda não passa de superficialidade. É que moda é quase sempre associada a consumismo, como se ela se resumisse apenas à compra de itens da última tendência. Mas claro que não é bem assim. Na verdade a moda está diretamente relacionada à construção da identidade e compreensão da personalidade. Sim, a moda diz muito sobre nós, sobre o lugar a que pertencemos, a sociedade em que vivemos, a religião a qual seguimos, enfim: o que usamos é um reflexo do que somos.

 
Acontece que, no mundo atual, o que vemos é uma grande mudança em relação às identidades ou uma revolução de subjetividades. Mas calma, deixa eu explicar melhor. Bom, há um certo tempo era bem mais fácil identificar alguém pela maneira de vestir. Os estilos eram muito específicos e geralmente você se identificava com algum e se vestia de acordo com ele. Era mais fácil saber se alguém pertencia a determinada tribo, se o irmão da sua namorada era rockeiro ou se aquele seu vizinho era, por exemplo, muito religioso.
 
É claro que hoje ainda é possível identificar estilos, tribos e saber muito sobre alguém pela maneira como se veste. Mas a subjetividade é bem maior. Se antes praticamente todas as roupas e acessórios usados em um mesmo look se adequavam ao mesmo estilo, hoje é possível usar uma variedade enorme de peças de uma só vez, sem se preocupar se elas estão coerentes ou se estamos seguindo um padrão.

A verdade é que hoje há uma pluralidade de identidades. Eu posso me identificar com algo e também gostar do seu oposto e expor isso por meio do que eu uso. Embora sejamos todos pertencentes a uma sociedade, também somos seres individuais, com pensamentos e gostos bem particulares e isso pode estar explícito naquilo que usamos no cotidiano. No modo de vida atual, aquilo que vestimos, ou seja, a nossa imagem é (propositalmente ou não) confundida com o “ser”. E isso é maravilhoso. Temos uma liberdade que, acredito eu, nunca tivemos antes. Claro que não podemos dizer que já atingimos o auge dessa liberdade, porque inclusive muitos de nós ainda sentem o peso da cobrança em relação ao modo como nos apresentamos socialmente, seja no corte de cabelo, na barba, na roupa ou no que for. Mas podemos dizer sim, que a moda deu grandes passos em relação à expressão do modo de ser individual.
 
Pertencemos a determinado grupo social, mas não somos iguais. E essas diferenças podem gritar ao mundo. Se há alguns séculos éramos vistos como pertencentes à elite, ao clero ou ao proletariado de acordo com as roupas que vestíamos, hoje não se deve julgar a que classe social determinada pessoa pertence pelas roupas que ela usa (embora esta infelizmente ainda seja uma prática comum). O que vestimos tem mais a ver com nossas ideologias, nosso estado de espírito, nossa relação com nós mesmos, com o mundo e nossa identidade cultural. E isso pode mudar, caso a gente mude. Não é bacana?
 
Mas sabem o que é mais engraçado? É que durante muito tempo a moda foi considerada algo que por si próprio é impessoal, que não nos vê como seres individuais e nos define como “ovelhas de um determinado rebanho”. Porém, ela ganha verdadeiro sentido quando permite que você expresse a sua individualidade. E assim nascem os estilos.
 
Bom, eu comecei esse texto falando que muita gente vê a moda como algo fútil e é claro que não será esse post que lhe fará mudar de opinião. Mas como modelo e blogueiro de moda me vejo na obrigação de trazer meu posicionamento sobre isso. Porque as pessoas acham que moda é somente o que está nas passarelas, nas campanhas, na TV e nas revistas. Mas não é bem assim. Moda, meus amigos, também é a roupa que você usa para ir ao trabalho, à faculdade, ao cinema ou onde for. Moda também é aquela calça que você adora, mas que ficou velhinha e pra não se desfazer você resolveu customizar. Moda é a roupa do jovem da periferia, da patricinha, do estudante. É esse casaco que eu coloco porque acho a minha cara, mas é também aquela camisa social, o boné de aba larga, aquele sneaker que eu adoro e o tênis branco que todo mundo acha meio sem graça, mas que me deixa super bem. A moda somos nós. Porque ela não é feita apenas de grandes criadores e estilistas renomados. É feita por gente comum, feito eu e você. Por falar nisso… E você, veste o quê? 

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