Por Daniel Saraiva em 18 de novembro de 2015

Existem várias lendas e até mesmo histórias relatando que quando há a junção do número 13 com uma sexta-feira o azar é garantido. A data é considerada por muitos como um dia amaldiçoado (há até a história da ultima ceia de cristo que foi realizada numa sexta e onde estavam presentes 13 pessoas, entre elas um traidor), de fato para muitos esse dia é levando bastante a sério. Acredita-se que mortos podem levantar da tumba, bruxas fazem rituais, mas, histórias à parte, muita coisa não passa de lenda.

Bom, na última sexta-feira 13 alguns acontecimentos nos levaram a questionar se isso tudo é mesmo lenda ou se há motivos para superstição. Lógico que não há relação com a data em si, na verdade o que ocorreu nessa última sexta é uma das várias coisas que ocorrem nesse mundo tão grande e tão cheio de dores e desamor. Sou o tipo de pessoa que parou de acreditar nas coisas que passam na televisão e hoje posso garantir que ela não faz parte da minha vida. Se me prejudico com isso? Em partes, pois acabo ficando desligado de muitos acontecimentos importantes e  sendo noticiado apenas por amigos ou redes sociais.

Mas um dos fatos que me levaram a abandonar a televisão se deve à manipulação que ela faz quando dá ênfase a apenas alguns acontecimentos e omite outros para que tudo pareça bem ou mesmo haja um desvio de foco daquilo que para nós seria importante, mas que para quem está por trás dos veículos de comunicação seria, de certa maneira, prejudicial. Após ficar sabendo do lamentável ocorrido em Paris, no outro dia acordo com a notícia de que a “Cidade Luz” não foi a única e sim apenas mais uma entre os muitos lugares alvos de violência, descaso e onde ocorreram verdadeiros desastres, como Japão, Bagdá, Beirute, Mariana, Osasco.

Lamentavelmente se vê que você tem um leque de opções de desgraças para se importar. Vou até dizer que o Ceará não ficou de fora, pois Fortaleza teve uma tragédia que, tenho certeza, não foi a primeira e nem a última, pois aqui também está difícil de se viver em paz. De repente a gente se depara com a notícia de “Uma chacina que deixou 11 mortos”. O que me faz derramar algumas lágrimas ao escrever esse texto é, além de me deparar com a crueldade do ocorrido, saber que nas notícias se usa o termo “o pior, ATÉ AGORA”, alertando para a possibilidade de que algo ainda mais terrível pode acontecer no próximo mês ou ate mesmo amanhã. Saber que não estamos livres, que teremos que nos preparar, pois as próximas vítimas poderão ser um de nós. Saber que não há sequer uma previsão de tempos de  paz, pois esse termo deixa bem claro que coisas piores estão por vir. Essa é a verdade que  não gostaríamos de ouvir.

Esses dias o facebook permitiu uma linda iniciativa, onde você poderia mudar sua foto do perfil em solidariedade às pessoas da França. Essa campanha foi uma maneira encontrada pela equipe que faz a rede social de mostrar que se importa com o que acontece no mundo. Mas, como sempre, não é possível agradar a todos. Nem todo mundo gostou. Muita gente achou que a iniciativa estaria menosprezando o que aconteceu nas demais localidades, como as já citadas aqui, por exemplo.

Esse tipo de atitude não me surpreende, vejo que muita gente não entende o valor passado através da mensagem. Mas o pior se deve à guerra que realmente aconteceu na rede social, quando uma vlogueira resolveu fazer uma piada de humor negro, mas na tentativa de rebater os rumores falsos de que ela havia sido morta em Paris. Na frase publicada estava escrito “dia triste pras inimigas: fui pra Paris e não morri”. Se foi ou não de mau gosto, não estou aqui para julgar, mas para dizer que rapidamente a notícia viralizou e a vlogueira foi bombardeada com mensagens de ódio, algumas inclusive desejando que ela deveria ter morrido, no quanto ela era insignificante, ofensas gratuitas que diminuíam terrivelmente a garota, sendo que as mesmas pessoas que enviaram tais mensagens estavam com a foto do perfil alterada em solidariedade à campanha “Ore por Paris”, com frases publicadas em sua linha do tempo de dizeres que precisamos de mais amor.

Quanta contradição, não? Como teríamos mais amor? É disso que estou querendo falar. Não teremos mais amor se continuarmos desejando a desgraça do próximo. Por mais errado que ele esteja, não temos direito  algum sobre a vida desse ou daquele ser humano. Acredito que a boca que pede amor não pode desejar o ódio, pois são duas palavras completamente opostas. Amor e ódio não podem habitar simultaneamente o mesmo ser humano. Se isso está acontecendo, precisamos reavaliar nossas atitudes. E não estou aqui para dar sermão de bom samaritano, estou querendo mostrar o quanto o mundo está errado e no quanto estamos nos deixando levar por sentimentos ruins. E quando digo nós, estou me referindo a mim também. Expor esse texto me fez avaliar alguma atitudes minhas que precisam ser mudadas e gostaria de convidar todos vocês vocês a fazerem o mesmo.

O ódio parece estar cada vez mais enraizado dentro de nós. É triste saber que muitos se sentem comovidos apenas por que se tornou uma tragédia mundial. Por mais que haja realmente um sentimento de lamentação e tristeza, muitos não param para olhar à sua volta. Semana passada mesmo me deparei com colegas profissionais abalados com a tragédia de Minas Gerais, mas não conseguiam se comover a com a situação da colega que estava ao lado passando por um momento ruim. Não posso generalizar e dizer em números pessoas que são assim. Escrever esse texto não me fez ver o quanto sou diferente das pessoas e sim que me comovi com situações que estavam acontecendo do outro lado do país ou do mundo, mesmo sabendo que há gente igualmente necessitada num interior bem próximo de onde moro e nunca fiz nada.
De fato eu não posso ajudar a todos e não terei o conhecimento de tudo o que se passa no meu estado ou país, mas se eu conseguir ajudar a quem está do meu lado, terei forças também para ajudar a quem está mais distante. No fim das contas, o que precisamos não é mudar uma foto de perfil ou encher a timeline de frases bonitas. Precisamos sair do computador e doar, ajudar e nos oferecer para o que for. E quando não pudermos fazer isso, termos ao menos o prazer de amar o próximo, pois isso tudo ocorre por falta dessa iniciativa que muitos acham insignificante. Fica a lição de que não é a sexta-feira 13, nem a superstição. A maior tragédia mundial é a falta de amor. Porque somente corações vazios desse sentimento são capazes de se preencher com tanta fome e sede de destruição.

Abraços!

Deixe sua opinião

Seu email não será publicado.



*

Seja o primeiro a opinar sobre “Mais amor para quem?”.