Por Daniel Saraiva em 17 de maio de 2017

Esses dias, durante um passeio pelas redes sociais, acabei me deparando com perfis de alguns famosos que me surpreenderam pelo número de seguidores. Fiquei imaginando o quanto poderia ser interessante o conteúdo postado por eles para chegarem àquele nível de popularidade. Na dúvida, fui pesquisar. Vi inúmeros perfis, muita gente considerada bonita, carismática, postando fotos em lugares de encher os olhos e quase sempre pessoas muito estilosas fazendo aquelas poses que a gente adora ver. Até aí tudo bem. Mas eu ainda não tinha as minhas respostas, aliás, ainda não as tive. E continuo sem entender o real motivo de se tornar um digital influencer.

 Temos visto cada vez mais digitais influencers ganharem seguidores, credibilidade e espaço. Mas uma coisa me chamou a atenção: por que essas pessoas tão famosas nas redes sociais são também tão padronizadas? Senti falta da diversidade de raças, de gênero, de classes sociais. A maioria dos influenciadores digitais não começaram pobres, classe D e E. Então por que nos influenciamos e nos deixamos fascinar tão facilmente por aquilo que pouco nos representa?

Vi sim, alguns perfis de mulheres negras e empoderadas pregando justamente esse empoderamento e a conquista tão merecida de espaço, o que me deixou feliz. Porém, onde estão os homens negros, os jovens de periferia, a “galera” do movimento de rua, os suburbanos que não seguem padrões, mas são cheios de atitudes e ideias realmente interessantes? Isso me obriga realmente a questionar: quem é seu digital influencer? Ele realmente te representa? Ele te inspira no modo de ser, viver, de encarar a vida e os problemas, na maneira como se expressa, como se veste e como usa a sua liberdade de ser o que quer em seu favor ou apenas reproduz o que tanta gente vem reproduzindo, vestindo a roupa da moda, a marca da vez e fazendo as velhas poses e carões já tão conhecidos?

Fingir rebeldia não é questionar problemas sociais. Usar o que a moda impõe não é atitude. Então, o que realmente te influencia? O que te faz querer comprar aquilo que alguém disse que é bom ou querer usar aquilo que determinada pessoa usa? Uma paisagem, uma pose ou a conta bancária? Tem certeza de que é esse o caminho que se deve realmente seguir? Bom, longe de mim dizer a você o que se deve fazer, logo eu, que vivo pregando a liberdade de ser o que se quer. Mas me incomoda ver que quanto mais diferentes queremos pregar que somos, mais iguais vamos ficando. Que queremos demonstrar consciência bancando a futilidade alheia e pegando carona naquilo que a gente gostaria que fosse a nossa vida, mas está longe de ser a nossa realidade. Eu não tenho um digital influencer favorito. Costumo seguir profissionais aos quais admiro e pessoas que acredito que tenham muito a me acrescentar/inspirar. Mas hoje gostaria de saber: por que ao invés de se deixar influenciar, a influência não vem de você?

Abraços!

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5 opinaram sobre “Digital Influencer: quem realmente te influencia?”.

  1. Diamantes Lingerie

    18 de maio de 2017

    Pra mim, influencers é mais que quantidade de seguidores, é quem se comunica e traz um conteúdo pra gente se inspirar.
    Adorei o texto e a reflexão, Dani.

    https://mydiamantes.com.br/

  2. Daniele

    19 de maio de 2017

    Ótimo texto!
    Creio que nem sempre a quantidade de seguidores reflete o que vc realmente influencia as pessoas. Isso tudo é tão novo que estamos descobrindo como é esse mundo!
    Sucesso para nós!
    Bjos

  3. Plasticaholic

    21 de maio de 2017

    Menino ducêu. Muitas palmas pra você.
    Poderíamos dar um zilhão de exemplos aqui também, mas nem precisa, vc escreveu super bem…
    Sentimos muita falta disso tbm, e inclusive somos parte dessa minoria fora dos padrões …
    E sabe o que é engraçado? Pessoas que deveriam se inspirar ” na gente” (no fora do padrão “blogueirinho” em geral) , seguem e valorizam somente os padrões. Algo que eles não são, muitas das vezes “não serão” , entende? Claro que devem se inspirar tbm, mas sem dar valor ao que é “real” .

  4. Luciano Maia

    21 de maio de 2017

    Acho que não são só números que tornam uma pessoa influenciadora de algo, ela tem que trazer conteúdo, ser referência de algo realmente, e impactar “alguens” né?
    Adorei seu texto, amigo, ótima reflexão!!

    http://www.entreeles.com/

  5. Laryssa Machado

    25 de maio de 2017

    Daniel amo esses seus post reflexivos e questionadores, realmente cadê os digital influencers que quebram os padrões? E nós enquanto blogueiros, estamos quebrando esses padrões?

    http://www.larydilua.com