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Padrão: de acordo com essas definições que a gente encontra nos dicionários, significa “modelo a ser seguido ou exemplo a ser copiado”. Automaticamente me vêm à cabeça aquelas frases comparativas que ouvimos na infância, quando nossa mãe diz “você deveria ser como o fulaninho. Olha só o fulano, aquele é que é um menino bom. Por que você não faz igual a ele?” Pronto, bastam essas comparações pra gente começar a se sentir mal, afinal não somos o tal fulano e muito menos gostaríamos de ser. Tudo o que queríamos, na verdade, era sermos amados, aceitos e compreendidos do jeito que éramos, meio desengonçados, amarrotados, envergonhados ou mesmo com a nossa timidez.

O fato é que crescemos ouvindo esse tipo de comparação e aquilo vai mexendo com a nossa autoestima. Porém, há uma ponta de esperança. Acreditamos que na vida adulta as coisas serão diferentes, afinal adulto faz o que quiser, certo? Errado. Quer dizer, era pra ser o certo, mas não é bem assim que as coisas funcionam. A gente cresce e pode fazer as próprias escolhas, mas o fantasma do padrão ainda nos assombra e agora mais vivo do que nunca. Quer entender melhor? Então experimenta ser diferente do que todos estão acostumados a pensar que é o mais bonito, o melhor, o que deve ser seguido.

Quer um exemplo? Tenho vários. Coloque uma modelo com número 42 desfilando para uma grife famosa. Entendam, estou me referindo a modelo, nada de digital influencer, atriz ou alguém que já tenha um público fiel e cativo independente de qualquer coisa. Dará certo? Não tem nem perigo. Ninguém aceitará, pelo contrário: o número 42, que cá entre nós, é sim, um número como qualquer outro, será excluído, humilhado, massacrado e comparado ao 38, ao 36, etc e começará toda aquela história que a gente já conhece. Outro exemplo, que por sinal é bem comum: quantas modelos negras se vê num desfile aqui mesmo, nas passarelas do nosso país?

Agora dê uma olhada ao seu redor e me diga: o número de pessoas negras nos comerciais, nas campanhas, nas novelas, no teatro, nos desfiles e no cinema é correspondente ou proporcional ao da população brasileira? Claro que não, afinal inventaram algo chamado padrão e criaram para ele um monte de regras que a maioria de nós está longe de conseguir /querer seguir. São padrões que não são nossos, mas que nos impuseram e todos os dias tentam nos fazer engolir goela abaixo, como se fôssemos obrigados a nos adequar ao que os outros querem e não sermos o que realmente somos.

Contudo, não seguir, não fazer parte, ser “diferente”, implica na maioria das vezes em ser também excluído. Gente gorda na moda só ganhará espaço como modelo plus size, não apenas como modelo. Haverá sempre um rótulo para diferenciar um modelo de um “modelo negro”, como se só a palavra modelo representasse gente comum e todos os outros considerados fora do padrão precisassem de uma palavra-complemento, um sufixo, uma explicação. Mas não somos todos gente comum? Deveria mesmo existir essa separação? Eu entendo que há uma segmentação de público, de estilo, de gosto, que há moldes que são desenhados para esse ou aquele corpo, com essas ou aquelas medidas. Porém, acima de tudo, somos humanos. E ser humano é ser igual em direitos, é precisar de representatividade, mesmo com suas particularidades.

Quando decidi seguir a carreira de modelo eu sabia que seria difícil, mas não imaginava que fosse tanto. Imaginem só um cara magro, sem músculos definidos ou barriga tanquinho estampar campanhas de marcas de roupa ou de acessórios! Como vender produtos masculinos não sendo o padrão masculino esperado pela mídia, pelas agências e até pelo próprio público? Porém, em toda correnteza há sempre alguém que nada contra e foi o que resolvi fazer. Recusei-me a aceitar que não posso, que não sou, que nunca serei. Simplesmente decidi que eu sou. Porque nunca engoli que eu deveria ser como o fulaninho, mas decidi ser eu mesmo em toda e qualquer circunstância e mostrar para quem quiser ver que ser diferente é normal, que homem pode usar qualquer peça e que querer que os outros sigam um padrão é torturar o ser humano lhe submetendo a uma condição. Padronização? Não. Vale mais a diversidade.

Por um mundo onde você possa ser o que quiser, de verdade.

Abraços!

Quanta saudade tenho de escrever neste espaço no sentido de algo mais pessoal! Adoro quando tenho a oportunidade de compartilhar uma experiência ou dica com vocês por aqui. Sinto que, por mais que já tenha falado, há ainda muito de mim a mostrar e por isso fico feliz quando há essa oportunidade. Desta forma decidir mostrar esse Diário de Viagem, que foi bem diferente dos demais.

Em feriados de carnaval escolho lugares que não comemorem essa festividade, por isso Guaramiranga sempre foi um destino certo, até surgir a oportunidade de conhecer Mulungu, cidade vizinha. Quando vi que onde estaríamos hospedados seria longe da cidade fiquei bastante empolgado, pois em algumas viagens gosto daquela tranquilidade, principalmente envolvendo a natureza. O lugar é chamado de Sítio do Elo.

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A viagem não foi direcionada a descanso e passeio, na verdade o intuito seria fotografar para quatro marcas. Diferente dos trabalhos anteriores, nesse cada marca se encaixava na outra para completar a sessão. Não as fotografamos separadamente e sim juntas, porém para cada marca a foto tinha como foco seus produtos. As que participaram da sessão foram Gêmeos Bag, Chapelaria Bagagem Extra, Look Zolly Jeans e RK Acessórios, as quais para duas delas tive o prazer de trabalhar pela primeira vez. Como a casa em que ficamos tinha um espaço enorme isso facilitou bastante o trabalho, pois tínhamos vários cenários no mesmo ambiente e não precisamos nos locomover para outros lugares, o que só nos tomaria muito tempo.

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Como em todo trabalho há sempre os desafios, mesmo com anos de experiência na profissão ainda sinto o mesmo nervosismo e ansiedade como se fosse minha primeira vez. Quando estou fotografando procuro dar o meu melhor, pois nesse mercado um trabalho bom soma com os demais, mas um trabalho ruim pode comprometer sua imagem como profissional, além da equipe envolvida. Um modelo deve ser como um ator, porém ele interpreta um personagem na hora das fotos e essa sempre será a parte mais difícil. É necessário pensar nas poses e expressões que serão feitas e se será possível passar a mensagem que a marca deseja  no ambiente em que se está. Mas a melhor parte de tudo isso é ver que depois de finalizado o resultado saiu melhor que o esperado.

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Eu nunca entendia quando um modelo viajava a trabalho e alegava que não teve tempo de conhecer o lugar, sempre dizia que comigo seria diferente e que se possível nem dormiria, só para explorar o lugar. Isso eram apenas teorias de quem não conhecia bem o que fazia, pois na prática as coisas foram bem diferentes. Como foram quatro marcas o trabalho foi bem extenso e, quando finalizado, sempre procurava descansar ou mesmo dar uma volta no lugar. Não consegui conhecer tudo de Mulungu inclusive pela falta de tempo, mas visitei a cidade, que não é grande e até arrisquei uma noite de passeio em Guaramiranga, que para ser sincero não valeu muito a pena. Ficamos todo o carnaval sem sinal de internet, o que permitiu curtir mais do lugar e ter a experiência de ficar um longo tempo offline, algo que recomendo se fazer de vez em quando.

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Estava um pouco na dúvida se faria esse post por conhecer tão pouco da cidade e não poder colocar mais informações, mas senti que precisava compartilhar essa experiência, tanto pela viagem como pelo trabalho. E mesmo não conhecendo tudo de Mulungu me senti bastante bem recebido e me permiti curtir cada momento daquela natureza maravilhosa. E não poderia deixar de mencionar o quanto sou grato por todas essas oportunidades que estão chegando para mim. Pequenas viagens, grandes experiências. E que venha a próxima.

Abraços!