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Por Daniel Saraiva em 22 de junho de 2016
Como diria Karl Largerfeld, nome por trás da grife Chanel, “chique não é uma questão de dinheiro ou de quanto você gasta, mas como você cria um senso de estilo único”. Há tempos a moda passou das classes sociais mais altas migrando para as demais. O que antes era restrito tem se tornado cada vez mais acessível. A moda está cada vez mais presente em nosso cotidiano e dos anos 20 para cá, podemos notar que ela está mais em alta do que seus próprios produtos, pois hoje muitas pessoas têm uma noção do que ela significa.
A democratização da moda hoje não se resume apenas a usar o que se quer, mas na quebra de barreiras e até mesmo em amenizar os conflitos do meio, como é o caso das grifes com as fast fashions. Conflitos esses que estão longe de acabar, mas que aos poucos vão se amenizando e o resultados são as parcerias lançadas por ambas, que geram uma receita boa para os dois lados, com o crescimento de vendas e popularidade. Por isso, grandes nomes da moda deixaram um poucos suas maisons para planejar parcerias.
A mais recente que tivemos e está dando o que falar foi Karl Largefeld para a Riachuelo, mas isso não vem de hoje. Na verdade o próprio Kaiser da moda já lançou há muito tempo atrás uma mesma parceria, porém com a C&A, e assim como ele, outros nomes famosos, nacionais e internacionais fizeram suas colaborações. Isso é visto como uma forma de dar às pessoas um preço mais acessível por uma peça de um grande designer, porém, sejamos sinceros, os preços não são tão acessíveis quanto os demais produtos vendidos na loja, mas se levarmos em consideração o valor de uma peça autêntica da marca, isso já nos convence.
A parceria cria todo um desejo em cima das duas marcas que não se limita apenas aos pontos de venda, em alguns casos são promovidos até desfiles de peso, como aconteceu com a Versace para a Riachuelo, Alexander Herdcovith para a C&A e Karl Largefeld para a Riachuelo. Tivemos também o que foi o boom da moda com a parceria da Balmain com a H&M, que promoveu um megadesfile numa estação de metrô e causou uma grande badalação com a presença de muitas celebridades, todas vestidas de Balmain, além da explosão nas redes sociais com sua #balmaination.
São ações como essa que movimentam a moda e trazem uma democracia maior atingindo todas as classes, pois se a fast fashion representa uma população que não é alcançada por grife, os grandes designers estão ajudando a mudar isso, trazendo suas colaborações. Grandes foram os números de colaborações já feitas e que foram um verdadeiro sucesso, chegando até a fazer compradores acamparem do lado de fora das lojas. Apesar de achar tal atitude exagerada e esse tipo de jogada gerar um consumo desenfreado, funciona para dar aquele diferencial no estilo de muita gente, pois as peças são verdadeiros delírios de consumo.
Coleções colaborativas lançadas pela Riachuelo: Adriana Degreas, André Lima, Camila Coelho, Camila Coutinho, Claudia Leitte, Cris Barros, Daslu, Dudu Bertholini, Fernanda Motta, Gabriela Pugliesi, Helô Rocha, Huis Clos, Juliana Jabour, Lalá Rudge, Llas, Lethicia Bronstein, Lorenzo Merlino, Los Dos, Martha Medeiros, Marcelo Sommer, Maria Garcia, Matheus Mazzafera, Oskar Metsavath, Pedro Lourenço, Raphael Falci, Robert Forrest, Thais Gusmão, Thassia Naves, Triya, Versace, Zapalla, Karl Largefeld.
Coleções colaborativas lançadas pela C&A: Anne Fontaine, Francisco Costa, Issa London, Roberto Cavalli e Stella McCartney; Adriana Barra, Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Andrea Marques, Água de Coco, Billabong, Carina Duek, Dress To, Espaço Fashion, Giuliana Romanno, Iódice, Isabella Giobbi, Lenny Niemeyer, Lilly Sarti, Maria Bonita Extra, Maria Filó, Mixed, MOB, NK, Patrícia Bonaldi, Santa Lolla e Sergio K.
Por Daniel Saraiva em 7 de junho de 2016

Gucci é o mais novo fenômeno da moda. Há algumas temporadas a maison tem dado o que falar e não é pra menos: a casa que antes possuía um estilo sexy onde suas campanhas sempre exibiam um apelo sexual passou a ficar cada vez mais jovem, romântica e (por que não dizer?), mais comportada. Uma contramão do que esperávamos, mas que tem dado certo.

Caso você não tenha muito acesso à moda, irei lhe atualizar deste acontecimento. A Gucci, uma importante grife de Milão, acabou demitindo sua diretora criativa Frida Giannini, responsável por comandar todas as criações da marca e planejar tudo. E na busca por alguém que pudesse ocupar tal posto, viram que os nomes mais quentes estavam todos em cargos e contratos fechados, então numa estratégia mágica resolveram levantar alguém de dentro da maison para subir de cargo. Foi aí que entrou Alessandro Michele. Ora, pra que melhor do que alguém que já trabalha com a marca, não é mesmo? O que de início pareceu uma tarefa meio arriscada, se tornou uma jogada que traria a Gucci de volta aos holofotes, afinal, já fazia um certo tempo que a marca estava apagada e com vendas baixíssimas no mercado.

Numa cultura onde somos moldados para gostar apenas do que é novidade e descartar o que é velho, então surge Michele, indo na contramão com uma proposta diferente com o intuito de preservar as coleções, ou seja, em uma época onde estamos vivendo consumo imediato em que marcas fazem desfiles com peças diferentes a cada estação, Michele irá apenas evoluir cada uma das peças. É como se a cada nova temporada a mesma coleção recebesse uma repaginada, assim, aquela jaqueta da primeira coleção não precisa ser descartada, se tornando atemporal e transformando não só o segmento de coleção, mas toda a identidade da casa. Percebemos que o caminho traçado por Michelli vai de encontro com o consumo consciente, que não é um assunto novo por aqui, já que sua pioneira foi Vivienne Westwood.

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Você deve se perguntar, mas não é apenas uma coleção? Na verdade o boom se deve pelo rejuvenescimento da marca, porque se notarmos, as coleções antigas de grandes grifes tinham um público muito adulto, roupas com um estilo mais maduro e que não agradava muito aos jovens, fazendo-os preferirem marcas mais despojadas. Porém, com a dominação da era digital, cresceu o número de jovens influentes e o mercado dessa idade aumentou em números, começando a atrair os olhares de grandes grifes que desejavam o poder de influência desses jovens atrelados às suas marcas. Diante disso, se percebeu a necessidade de rejuvenescer a marca, já que seu público estava caminhando por um novo rumo.
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É importante frisar que esse novo posicionamento de Alessandro ressalta uma postura digna de aplicarmos ao nosso estilo de vida. Você deve ser quem desejar ser e não precisa abrir mão do seu estilo pessoal para vestir a marca. Na verdade hoje você veste Gucci e não ela lhe veste e temos notado isso cada vez mais em seus desfiles, que têm como foco principal um garoto romântico vintage, mas no seu último desfile, Cruise 2017, que foi inspirado na moda da cidade londrina, foi mostrado que o garoto romântico ainda estava lá, porém vestiu também o punk e o estilo de rua sem precisar abrir mão de sua identidade. Nisso podemos ver que a união desses dois grandes nomes resulta num traço marcante: a liberdade. E é essa liberdade que ele deseja passar para seu consumidor: seja sexy, nerd, vintage, punk, sem gênero, seja quem você quiser – tem espaço para você aqui.

Percebem o poder de uma identidade pessoal e no quanto isso está ocupando o mercado, em como a moda está mais voltada para você? Hoje ela se encaixa no que você quiser e isso nos faz querer buscar não só um estilo nosso, mas um comportamento que nos possibilite descobrir e nos conhecer cada vez mais. Esse é o desejo da moda atual, por isso não acreditamos que sejam apenas roupas, mas uma descoberta por você mesmo através do que se veste. E cá entre nós, Michelli está certo. Você é o que deseja ser. Basta querer.

Abraços!
Por Daniel Saraiva em 20 de janeiro de 2016


Para muita gente a moda não passa de superficialidade. É que moda é quase sempre associada a consumismo, como se ela se resumisse apenas à compra de itens da última tendência. Mas claro que não é bem assim. Na verdade a moda está diretamente relacionada à construção da identidade e compreensão da personalidade. Sim, a moda diz muito sobre nós, sobre o lugar a que pertencemos, a sociedade em que vivemos, a religião a qual seguimos, enfim: o que usamos é um reflexo do que somos.

 
Acontece que, no mundo atual, o que vemos é uma grande mudança em relação às identidades ou uma revolução de subjetividades. Mas calma, deixa eu explicar melhor. Bom, há um certo tempo era bem mais fácil identificar alguém pela maneira de vestir. Os estilos eram muito específicos e geralmente você se identificava com algum e se vestia de acordo com ele. Era mais fácil saber se alguém pertencia a determinada tribo, se o irmão da sua namorada era rockeiro ou se aquele seu vizinho era, por exemplo, muito religioso.
 
É claro que hoje ainda é possível identificar estilos, tribos e saber muito sobre alguém pela maneira como se veste. Mas a subjetividade é bem maior. Se antes praticamente todas as roupas e acessórios usados em um mesmo look se adequavam ao mesmo estilo, hoje é possível usar uma variedade enorme de peças de uma só vez, sem se preocupar se elas estão coerentes ou se estamos seguindo um padrão.

A verdade é que hoje há uma pluralidade de identidades. Eu posso me identificar com algo e também gostar do seu oposto e expor isso por meio do que eu uso. Embora sejamos todos pertencentes a uma sociedade, também somos seres individuais, com pensamentos e gostos bem particulares e isso pode estar explícito naquilo que usamos no cotidiano. No modo de vida atual, aquilo que vestimos, ou seja, a nossa imagem é (propositalmente ou não) confundida com o “ser”. E isso é maravilhoso. Temos uma liberdade que, acredito eu, nunca tivemos antes. Claro que não podemos dizer que já atingimos o auge dessa liberdade, porque inclusive muitos de nós ainda sentem o peso da cobrança em relação ao modo como nos apresentamos socialmente, seja no corte de cabelo, na barba, na roupa ou no que for. Mas podemos dizer sim, que a moda deu grandes passos em relação à expressão do modo de ser individual.
 
Pertencemos a determinado grupo social, mas não somos iguais. E essas diferenças podem gritar ao mundo. Se há alguns séculos éramos vistos como pertencentes à elite, ao clero ou ao proletariado de acordo com as roupas que vestíamos, hoje não se deve julgar a que classe social determinada pessoa pertence pelas roupas que ela usa (embora esta infelizmente ainda seja uma prática comum). O que vestimos tem mais a ver com nossas ideologias, nosso estado de espírito, nossa relação com nós mesmos, com o mundo e nossa identidade cultural. E isso pode mudar, caso a gente mude. Não é bacana?
 
Mas sabem o que é mais engraçado? É que durante muito tempo a moda foi considerada algo que por si próprio é impessoal, que não nos vê como seres individuais e nos define como “ovelhas de um determinado rebanho”. Porém, ela ganha verdadeiro sentido quando permite que você expresse a sua individualidade. E assim nascem os estilos.
 
Bom, eu comecei esse texto falando que muita gente vê a moda como algo fútil e é claro que não será esse post que lhe fará mudar de opinião. Mas como modelo e blogueiro de moda me vejo na obrigação de trazer meu posicionamento sobre isso. Porque as pessoas acham que moda é somente o que está nas passarelas, nas campanhas, na TV e nas revistas. Mas não é bem assim. Moda, meus amigos, também é a roupa que você usa para ir ao trabalho, à faculdade, ao cinema ou onde for. Moda também é aquela calça que você adora, mas que ficou velhinha e pra não se desfazer você resolveu customizar. Moda é a roupa do jovem da periferia, da patricinha, do estudante. É esse casaco que eu coloco porque acho a minha cara, mas é também aquela camisa social, o boné de aba larga, aquele sneaker que eu adoro e o tênis branco que todo mundo acha meio sem graça, mas que me deixa super bem. A moda somos nós. Porque ela não é feita apenas de grandes criadores e estilistas renomados. É feita por gente comum, feito eu e você. Por falar nisso… E você, veste o quê? 
Por Daniel Saraiva em 27 de maio de 2015
O que parecia ser apenas uma brisa de verão acabou sendo uma tempestade no mundo da moda. Muitos não acreditaram no poder que o tênis esportivo teria no meio fashion, afinal sua finalidade era apenas para fins esportivos, porém ele acabou tendo grande destaque nas últimas temporadas e tem tudo para seguir firme nas próximas estações.
Quando ele deu seus primeiros passos nos desfiles das poderosas maisons Chanel e Dior, muitos pensavam que se tratava apenas de uma pegadinha de Karl Largerfeld e Raf Simons como forma de expor uma ideia e não imaginavam que viraria uma tendência mundial. Mas a combinação do tênis com roupas sociais se deu no início dos anos 90, quando jovens estudantes, buscando uma forma de mostrar sua identidade, optaram por usar tênis esportivos com ternos durante suas formaturas, atitude que acabava sendo levada como piada por muita gente, afinal ninguém imaginava que esse tipo de identidade se tornaria uma das maiores tendências da atualidade. Quando os tênis deram seus primeiros passos na passarela foi para muitos um momento de repúdio, pois eles já haviam sido muito criticados por fashionistas. Ora, quem não lembra de alguns programas de moda que sempre salientavam para os homens que tênis esportivo era de uso exclusivo de acadêmia? Mas não demorou muito para mudarem de ideia e logo o tênis virou a principal tendência nos streets style.
Agora os homens podem sim, pegar seus tênis esportivos para combinar produções mais sofisticadas ou da maneira que sua criatividade apontar, pois nós aqui do Garoto in Foco sempre defendemos a teoria de ‘quem faz a moda é você’. Mas cuidado, não confunda com os tênis de amortecedores, pois esses são de uso exclusivo para práticas esportivas e não ficam nada legais com peças mais sofisticadas.
Bom, você deve usar o tênis da maneira que seu estilo se adequar. Pode ser combinado com camisa social ou com jaqueta de couro, a escolha é sua. Mas lembrando que é sempre bom fugir do velho sapatênis. Use o esportivo mesmo, pois o sapatênis é um sapato meio que disfarçado de tênis que acaba causando uma confusão na cabeça na hora de compor o look. Por isso, quando for adequar essa tendência é importante que se escolha um esportivo mesmo. Não tenha medo de ousar nas cores, afinal o tênis deve ser o ponto de principal destaque do look. As marcas favoritas dos fashionistas são Nike, New balance e Adidas. Se caso optar por usar com a barra da calça dobrada (assunto para futuro post), escolha usar sem meia ou com uma de cor diferente para causar um contraste.

 

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Abraços!