Todos os posts sobre Moda
Por Daniel Saraiva em 18 de janeiro de 2017

Quando se trata de moda as pessoas costumam confundir bastante seu significado. Claro que a palavra em si tem um sentido bem amplo, mas há muitas outras situações e acontecimentos – alguns bem específicos, inclusive, aos quais as pessoas costumam denominar de moda. Não que elas estejam 100% erradas, mas é que ampliar tanto o sentido de algo que deveria ser apenas uma ramificação acaba comprometendo o verdadeiro significado e deixando muita gente confusa.

Com a expansão da era digital e a chegada das redes sociais, o termo “modinha” vem caindo cada vez mais na boca do povo. E a própria modinha vem ganhando bastante espaço. Antes era preciso que um artista famoso usasse determinada peça ou tivesse determinada atitude – que poderia ser um gesto ou uma palavra – e de repente um número incontável de pessoas estava reproduzindo aquilo por todos os lugares. Isso quando não era um personagem icônico de determinada novela que caía nas graças do povo e também “lançava moda”. Era o brinco da fulana, a saia da cicrana, o boné do fulaninho. Seja lá o que fosse, aquilo começava a ganhar proporção de tal maneira que de repente as ruas eram tomadas por pessoas usando tal coisa. E é basicamente isso que é modinha. Aquela coisa rápida, instantânea, efervescente, que faz com que todo mundo use a mesma coisa ou reproduza o mesmo comportamento. Ela cresce como uma epidemia, mas desaparece na mesma proporção de velocidade.

Pois bem, as redes sociais viraram um canal de propagação da modinha. Só que, diferente dos velhos tempos, hoje não precisa mais ser um artista famoso ou um personagem de novela pra fazer a coisa acontecer. Os memes da internet que o digam. A web propaga as coisas em uma velocidade tão incrível que você pode hoje ir dormir anônimo e amanhã acordar famoso. Imagina só um gesto, uma frase, uma fala, uma piada ou mesmo um acessório, né? E quando isso acontece a gente costuma, na maioria das vezes em uma conversa despretensiosa, dizer que tal coisa “virou moda”. Ué, virou?

Bom, eu não posso discordar de todo, porque a modinha também poderia ser incluída no conceito de moda, já que acaba se caracterizando também como um tipo de comportamento, com a venda de determinado conceito, etc Porém, a moda em si é muito mais ampla. Moda tem a ver com a sua personalidade, com a sua essência, ela é aquilo que te traduz. Você faz a sua moda, usa as roupas que acredita que te definem, corta o cabelo, ou pinta, ou deixa crescer ou faz, sei lá, inúmeras coisas que acha que tem a ver com a pessoa que você é, mas sem precisar imitar ninguém. É esse o meu conceito de moda e pelo que tenho visto e lido de uns tempos pra cá, me parece que não sou só eu que penso assim.

Então me incomoda um pouco essa confusão entre moda e modinha, confesso. Modinha me parece algo mais superficial, automático, que você faz sem questionar, sem saber por quê, só porque todo mundo tá fazendo. Um exemplo disso é um recente comportamento reproduzido em determinada rede social, onde uma pessoa que acaba de adicionar outra (ou aceitar qualquer solicitação de amizade) tem o perfil invadido por comentários de amigos, comentários esses que insinuam um possível envolvimento da pessoa com o novo amigo, ou dá a entender que a pessoa é a chamada “pegadora”. Isso pra mim não é e nunca será moda. E sabe por que não? Porque faz com que pessoas que defendem determinados conceitos, pessoas esclarecidas, inclusive, abram mão daquilo que acreditam, mesmo que de maneira temporária, apenas para fazer parte daquele grupo que reproduz a modinha, como o caso de uma amiga que é feminista, mas deixou de lado sua bandeira para fazer um comentário machista (e não, não era ironia), apenas para não perder a oportunidade de aderir à tal brincadeira.

Entendem a diferença? A moda não te prende, não te limita, não te obriga a fazer algo que não condiz com o que você é. A moda não te pede para reproduzir algo, ela te faz criador. A moda te liberta para ser você mesmo, para fazer aquilo que você tem vontade e para mostrar ao mundo que você tem personalidade, mesmo quando você coloca a roupa mais básica do seu guarda-roupa, mas não se troca, não se vende e não abre mão de si mesmo por pura… Modinha.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 7 de dezembro de 2016

Ousadia, uma definição que ainda é difícil de entrar na cabeça de muitos. Quer saber por quê? Infelizmente os meninos não são tão desenrolados como as meninas na hora de ousar em um look.  Às vezes o receio ainda fala mais alto, levante a mão quem se veste diferente e ainda não foi encarado de maneira estranha na rua por causa do que está usando? Usar o que se deseja não é uma tarefa fácil, mas que deve sim, ser realizada. Aqui no blog já passamos o Manual de Estilo do Garoto in Foco, já mostramos inspirações para compor a partir das principais tendências e muitas outras dicas, mas percebo que não é uma tarefa fácil para vocês. É normal sentir um bloqueio de criatividade ou ficar preso por não saber por onde começar, pois não se trata de um dia comprar uma jaqueta de paetê e pronto, você já está sendo ousado/estiloso. Tudo isso é um processo lento e de autoconhecimento. Você precisa primeiro se conhecer para ter a certeza do que realmente deseja ter dentro do seu guarda-roupa e principalmente daquilo que vestirá seu corpo.

Mas se você quer ousadia e pretende dar o primeiro passo, por que não começar pelo preto? Uma das cores mais básicas da cartela de cores, roupas nessa cor passam a mensagem de sofisticação e elegância sem precisar de muita produção. Por isso, nós, modelos, sempre optamos por looks all black para ir aos castings (algo que estou deixando aos poucos), pois você nunca erra. O que quero propor no post de hoje não é optar por looks All Black, mas usar uma peça diferente nesta cor tão básica. Na hora de escolher você não deve se deixar levar somente pela cor, procure peças com detalhes a mais, com uma estampa por cima, spikes, brilhos, patches ou mesmo uma modelagem diferente. Não precisa ser algo chamativo, apenas que saia da linha do básico. Nas inspirações que separei, resolvi unir um pouco das peças pretas que considero diferentes e que não se enquadram no quesito simplicidade, são elas jaquetas, calça, jardineira, camisa e boné.

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Como o preto é uma cor mais fácil de se usar, você não terá problema na hora da escolha, por exemplo é muito mais fácil optar por uma jardineira preta ao invés de uma jeans que irá chamar mais a atenção, mesmo sendo jeans. E quanto a peças de padronagens diferentes, geralmente são elas que dão uma melhorada no look, tirando ele da linha do básico para algo mais produzido.

Outra dica valiosa é inverter a ordem da primeira e optar por combinar peças ousadas com pretas básicas. Mesmo que seja uma calça de brim você notará a diferença se combinada com outro modelo de calça. Para começar escolha apenas uma peça diferente, para que dê tempo de se acostumar a ela. Quando você perceber estará querendo muitas outras. Porém, lembre-se: não se limite apenas ao preto, pois é uma cor viciante. Use apenas como um primeiro passo e aos poucos vá aderindo a outras peças diferenciadas. O segredo disso tudo é ir evoluindo lentamente para não causar de imediato um choque em si mesmo e nesse processo você vai evoluindo e adquirindo o famoso estilo pessoal.

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Bom, essa foi uma dica que usei logo quando decidi ousar mais e acabou sendo um processo bacana, pois aos poucos fui aderindo a novos estilos. A peça preta ainda é padrão no meu guarda-roupa, mas aos poucos vou deixando ela de lado para montar looks com uma pegada diferenciada. Por mais que um modelo opte pelo preto ou em eventos noturnos as pessoas gostem dessa cor, você não precisa seguir uma regra. Ouse cada vez mais e assim estará não apenas se conhecendo melhor, mas também se sentindo uma nova pessoa.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 23 de novembro de 2016

Trabalhar com moda é ser visto como um personagem do filme Diabo Veste Prada. Bom, ao menos é quase sempre assim. E quando falamos que somos blogueiros automaticamente surgem na mente das pessoas flashes de imagens de street style que apreciamos no tumblr e pinterest. São visões distorcidas que muitos acabam criando, infelizmente. E não adianta bater na tecla contrária quando há profissionais do meio que realmente alimentam essa ilusão (sendo  eles os que possuem uma maior proximidade com o público). De fato trabalhar com moda é estar por dentro de todas as principais tendências e saber com antecedência tudo o que será febre nas estações. É ver de perto todo aquele glamour e chegar a suspirar com todo o processo de criação e trabalho de algumas marcas. Mas na hora de alimentar o desejo consumista e sair igual à Rebeca Bloom de Os Delírios de Consumo de Rebeca Bloom, vários fatores vêm em nossa mente – e só quando acompanhamos de perto tudo isso começamos a pensar e repensar na hora de uma compra.

Logo quando mergulhei a fundo no universo da moda e comecei a realmente estudar e a aplicar todo aquele conhecimento e aquelas dicas no meu estilo pessoal, acabei me deslumbrando com tudo o que via, pois tudo o que era diferente e atual despertava meu interesse a ponto de querer logo comprar. Passei a bancar o consumista, chegando a gastar todos os meses muito dinheiro para adquirir todas as principais tendências. Chegando a fazer até lista com cada item que gostaria de possuir e o que é pior: a cada compra os itens dela não diminuíam, pelo contrário: tudo só tendia a aumentar, isso porque a cada mês surgia um novo item para compor a tal lista. Foi então que percebi que estava entrando em algo sem fim e comecei a pensar se realmente valia a pena tudo aquilo. O resultado de toda aquela farra consumista foi um guarda-roupa abarrotado de roupas as quais muitas vezes eu nem chegava a usar todas as peças, algumas delas usei apenas uma vez devido à elevada quantidade. Pois é, fui me dando conta de que moda é algo que está muito além do consumismo. Hoje vejo muitas tendências que me fazem pirar, mas poucas são as que levo para casa. Ainda tenho aquele desejo de um estilo pessoal, mas estou investindo no que possuo ao invés de procurar o que não tenho. Para ser bem sincero nem lembro qual foi a minha última aquisição de moda.

Hoje não permito mais roupa acumulada no guarda-roupa. Gosto de moda, mas odeio desperdício e acabei me dando conta de que um não precisa necessariamente estar ligado ao outro, assim como também não preciso ter roupa de grife para estar bem apresentável. Nunca comprei em brechós ou bazares, apesar de achar a ideia ótima, mas adoro trocar peças com amigos e até mesmo doar as que não uso mais. E foi com essa onda de consumo consciente que ando aplicando em meu cotidiano que comecei a ser mais exigente na hora de escolher as peças que entrarão para o meu guarda-roupa. Me pergunto se preciso realmente de mais uma roupa no meio das tantas que já tenho ou caso precise realmente comprar, me desfaço de alguma justamente para não acumular. Ter um estilo diferenciado dos demais, aquele estilo a la Garoto in Foco não significa ter peças de sobra: o que é necessário ter de sobra é criatividade para se reinventar com as peças que já se possui.

Ao contrário do que muitos pensam, não é feio herdar peças de segunda mão de outra pessoa, mesmo que elas estejam um pouco surradas, sejam maiores que sua numeração ou mesmo estejam ultrapassadas. Hoje a moda é tão livre que todos esses obstáculos que nos impediam de usar certos tipos de roupa se tornaram vantagens, eu mesmo às vezes troco algumas peças com amigos, pois em meio à crise que nosso país enfrenta comprar roupa nova com frequência virou sinônimo de luxo.

Bom, claro que ainda tenho desejo por muitas peças, mas estou priorizando outras coisas no momento e investindo mais no que já possuo. Tenho vontade de ousar mais e me expressar cada vez mais através do meu estilo e usar o que já tenho para isso, além de estimular a criatividade é um ótimo incentivo para quem quer se vestir bem e acha que pra isso precisa sair por aí com as mãos cheias de sacolas e os bolsos pra lá de vazios. Quero poder me inspirar em estilos coreanos, franceses e por aí vai, mas acredito que não seja o tempo ainda, então prefiro guardar essas inspirações no pinterest enquanto usufruo do que já possuo. Mas fiquem ligados, pois chega uma hora em que a limpeza do guarda-roupa é feita naturalmente e aos poucos você vai se dando conta de que estão nascendo novas ideias e inspirações. Tudo é válido, desde que te faça bem. Se comprar é bom, recriar a partir do que já temos é inspirador também.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 28 de setembro de 2016
“Nada importava até a manhã em que fiquei na frente do meu armário e pensei sobre o que eu ia usar”. A frase citada é de David Granger, editor-chefe da revista Esquire e autor de um livro sobre estilo masculino – Guia Para Homens de Boa Aparência. Bom, o objetivo deste post não é falar sobre o seu guia, mas refletir um pouco sobre a frase citada. Quantos de nós não já não ficamos horas em frente ao guarda-roupa nos perguntando que roupa usar? Por mais que a escolha fosse simples, bastava escolher uma calça e camisa, você saberia que no fundo não era só isso que queria, não é mesmo? Sentindo a necessidade de ir além, de mostrar algo a mais naquele look, fosse uma personalidade escondida por dentro da timidez ou um ótimo bom gosto para combinação, que não se mostrava através daquela farda de trabalho.
Aqui no blog já foi mencionado por várias vezes que suas roupas lhe definem sim, e que através delas você pode mostrar o melhor de si mesmo. O nome disso vocês já sabem: identidade pessoal, atitude essa que foi a mais forte tendência de 2016, onde o mundo da moda resolveu quebrar os velhos padrões de combinações e regras para dizer ao público “seja você mesmo e use o que você deseja, mesmo que os outros não gostem, porque se você tem que ser autêntico a alguém, seja a si próprio”. Mas como mostrar meu estilo pessoal se nem eu mesmo sei quem sou realmente? Essa jornada rumo a você mesmo não é uma tarefa fácil. Confesso que estou nela há tempos e ainda continuo descobrindo coisas sobre mim mesmo e isso vai refletindo no meu modo de vestir. Quanto ao resultado, acabei percebendo que meu estilo pessoal não veio apenas com o blog, mas desde a infância, quando sempre optava pelo incomum, pelo diferente e que mais tarde isso refletiu no meu estilo. Não que eu me ache o “diferentão do Ceará”, mas sei que estou longe de usar aquilo que as pessoas consideram convencional, até porque quem usa casacos ou determinadas peças de sobreposição em pleno calor do Nordeste?
A cada post onde comentava sobre identidade pessoal, tinha como intuito que vocês passassem pelo mesmo que eu e através disso descobrissem o que poderiam fazer com seu estilo pessoal. Mas como disse anteriormente, não é uma tarefa fácil, por isso resolvi tentar ajudar, mostrando como funciona a maneira como me visto ou dizendo como é construída a identidade Garoto in Foco.
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Gosto de pegar o clássico e modificar, de pegar o fashion e deixá-lo mais fácil. Meu estilo é quando vejo um look que me agrada nas redes sociais e acrescento algo de maneira a diferenciá-lo, mas sem me preocupar com um estilo definido, como pegar uma calça de moletom e combinar com blazer e um boné aba reta, mas ao invés de tênis optar por uma Chelsea Boots. Percebem o quanto de peças opostas utilizei no mesmo look? Porém nem sempre são várias peças, pode ser apenas uma para quebrar o estilo convencional e dar aquela diferenciada, mas isso quem define é você. E quando uma longline é de paetê e combinamos com um look all black para dar aquele destaque? Não mesmo, pegue sua calça bike, junte com sneakers azul e jaqueta cropped verde esmeralda e combine com ela. Parece confuso falando assim, não é? Mas o resultado foi esse da foto que estão vendo. Ficou bacana, né? Uma das regras para o Estilo Garoto in Foco é não se limitar na hora de combinar, o céu é o limite para você.

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O mais interessante é que através desse post sua mente possa ser aberta para a liberdade de criar seu próprio estilo. Porém, caso isso não aconteça, é pra isso que temos o “Inspire-se” aqui do blog, para ajudá-los a compor um look bem ao meu estilo, porque o Garoto in Foco não se resume só a mim, mas a todos aqueles que querem ser diferentes. A maior regra é a liberdade. Pense nisso.

Abraços!