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Por Daniel Saraiva em 19 de abril de 2017

Medo do que os outros irão dizer – uma frase forte que só de ouvir já causa um frio na barriga em muita gente. Percebemos o quão desagradável ela se torna quando é a nós que ela é dirigida, chegando até mesmo a nos causar uma certa retração em algumas situações. Vivemos numa sociedade onde estamos sujeitos a passar por críticas alheias, principalmente sobre o nosso modo de vestir, ou seja: usar tudo aquilo que queremos e da maneira como gostamos não é uma tarefa fácil.  Só de pensar na quantidade de coisas que deixamos de fazer ou roupas que desistimos de vestir por medo de uma segunda opinião me faz refletir sobre até que ponto estamos vivemos nossa vida de acordo com o que queremos.

Já se perguntaram o que vocês deixaram de fazer por medo do que irão falar? Não é necessário ser algo perigoso ou maluco, basta lembrar das vezes em que você se sentiu receoso com o que estava vestindo. A situação se torna pior quando você, ao entrar numa loja, sente vontade de usar ou comprar determinada peça, mas a mídia ou pessoas próximas a você te fizeram acreditar que não tinha “o corpo ideal” ou estilo para vesti-la. É nesse momento que percebemos o quão chato é quando opinam no que você veste, sempre achando que estão ajudando, quando na verdade tudo isso acaba te reprimindo. Opiniões assim são como uma prisão, que te limitam de tal maneira que sua identidade vai embora para tentar se encaixar em um molde do agrado de outros.

Se tem uma coisa que aprendi nesses anos de blog e de moda é que a frase “ fulano está passando vexame com tal roupa” é algo muito singular e não uma regra. Talvez para você o “passar vexame” sejam homens de cropped, mas para esses homens quem passa vexame são pessoas com opiniões tão chatas como essa. É por isso que devemos respeitar a decisão de cada um na hora que se escolhe usar o que deseja, pois só você mesmo saberá o que te faz sentir-se bem.  Por muito tempo vivi situações assim, quando pessoas próximas a mim insistiam em me enfiar suas opiniões goela abaixo com frases como “você é tão bonito, não precisa se vestir dessa forma. Homem não precisa usar calças tão coladas. Você não tem vergonha de usar esse tipo de roupa?”. Foi então que respondi para mim mesmo: e daí? E daí se eu gosto de usar roupas coladas, e daí se às vezes costumo misturar peças bem opostas, e daí se uso jaquetas no calor, se isso me faz sentir bem?  Não precisamos nos importar com opiniões alheias, sério. Só quem sabe o melhor para você é você mesmo, então comece a amadurecer a ideia de que segundas opiniões nem sempre lhe acrescentam. É necessário que você se desprenda dessa barreira que estão criando em relação ao que você veste e a tudo o que diz respeito à sua vida, afinal é você o roteirista, diretor e personagem principal e só você pode decidir sobre qualquer coisa, certo?

E para quem gosta de opinar sobre as roupas de outras pessoas, uma dica: você não é obrigado a achar tudo lindo, mas é seu dever respeitar e só expor sua opinião quando convidado a fazê-lo. Caso contrário, não interfira no vestir do outro. Achar um estilo bonito ou feio são concepções suas, não tem por que mudar, mas amadureça a ideia de que cada um é livre para usar o que deseja e não cabe a ninguém interferir.

Por fim, é necessário entender que não precisamos de mais críticos de estilos, na verdade precisamos de influenciadores de liberdade, esses que sempre nos motivam a sermos livres apenas sendo nós mesmos. E cá entre nós, não há nada mais lindo do que essa autonomia. Por isso, chega de se limitar pelas opiniões alheias. Que possamos todos os dias nos moldar de acordo com a nossa própria essência, com base naquilo que realmente acreditamos, afinal de contas para quem mesmo é que a gente se veste?

Abraços!

Sabe aquele trabalho que te enche de alegria? Pois é, tem um bem especial que eu gostaria muito de compartilhar aqui com vocês. Na verdade eu até já tinha mencionado antes, teve texto e tudo, mas surgiu uma nova oportunidade e eu precisava registrar tudo aqui, porque há outras coisas muito importantes envolvidas nisso além da parceria com uma marca internacional, claro.

Bom, apesar de já ter dito anteriormente, gostaria de ressaltar que o primeiro contato que tive com a Zaful foi através de um email que eles me enviaram dizendo que me encontraram por meio do meu blog e que meu estilo havia chamado a atenção, pois muito se adequava à sua proposta. Nesse primeiro contato aconteceu algo meio trágico: tive problemas com a entrega das peças e acabei tendo que pagar pelos impostos, além de uma delas ter sido roubada durante o percurso, pois eram duas jaquetas e recebi apenas uma. Um outro fator que atrapalhou bastante foi o tamanho das peças, pois a numeração não correspondia à que eu uso e acabei tendo que me virar com o número errado mesmo.

Meses depois a marca fez um novo contato sugerindo uma nova colaboração, que recusei, devido à experiência passada. Porém, eles insistiram e disseram que mudaram os procedimentos da entrega e a grade do tamanho de roupas, e que havia muito interesse em fechar essa parceria comigo. Na entrega realmente foi diferente, além do prazo ser mais curto eles me auxiliaram no processo da escolha, mostrando grades de tamanhos internacionais e brasileiros para que eu pudesse escolher a peça do tamanho certo.

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Peças Zaful: Moletom, Óculos.

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Bom, deu super certo. Mas sabe o que é mais bacana disso tudo? Não é só ter fechado duas vezes parceria com uma marca internacional. É saber que, embora vendendo peças femininas, eles procuraram um modelo masculino e viram em mim o potencial para usá-las, independente do gênero especificado na etiqueta da roupa. E quer saber? Se essas etiquetas não sinalizassem esse público, ninguém ia saber. As peças são lindas, algumas têm estampas floridas, outras, detalhes minuciosos, mas quem disse que homem não pode usar roupa com um cunho mais delicado?

Cheguei à conclusão de que não é uma etiqueta que define uma roupa. Acho que já é hora de pararmos de rotular algumas peças e nos prendermos àquilo que queremos realmente usar. Já imaginaram quantas vendas podem ter sido perdidas por uma loja de roupas voltada para o público feminino não abrir as portas também para o masculino? Quem sabe muitas de suas peças não vistam ambos os gêneros e você nem tenha percebido? Na verdade a gente tem a mania de considerar agênero peças mais folgadas e com a mesma padronagem de tamanho, mas será que é realmente isso que estamos procurando?

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Peças Zaful: Boné, Sobreposição

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Acredito que haja ainda muitos tabus a serem quebrados em relação a isso, fato. Mas acredito também que o público masculino já tenha uma mente um tanto aberta em relação a isso, embora ainda precise evoluir bem mais nesse sentido. Mas, quem sabe com o tempo não possamos voltar a ter a liberdade que havia nos anos 80, quando muitas roupas eram vendidas como unissex? Aliás, pensar que há umas três décadas era possível que homens e mulheres usassem as mesmas roupas e saber que hoje, em pleno 2017, esse é ainda um tabu a ser quebrado é um tanto esquisito, não? Gratidão à Zaful por escolher um modelo masculino para peças femininas e mais gratidão ainda por esse modelo escolhido ter sido eu, Daniel Saraiva. E que venham mais oportunidades assim. Prometo não olhar a etiqueta.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 22 de fevereiro de 2017

Homem que é home não pode… E assim começam muitas histórias de machismo, preconceito e intolerância. Vivemos em uma sociedade machista, isso é fato. E por mais que tenhamos avançado em alguns pontos, ainda é complicado para um homem optar pela vaidade quando ela não envolve músculos bem trabalhados ou estilo bad boy. A masculinidade está quase sempre associada ao homem barbado, malhado, de terno, camisa gola polo ou bermuda. Mas claro, ser homem é muito mais do que isso.

Eu sempre gostei de me vestir diferente. Sempre me senti bem assim. E isso muitas vezes me causou alguns problemas, a maioria deles relacionada ao preconceito, seja da família, dos amigos ou até mesmo de desconhecidos que chegaram a me olhar com ar de bizarrice. Porém, nunca me intimidei. Pelo contrário, sempre procurei cada vez mais peças diferenciadas, que tivessem a ver com a minha personalidade e não me fizessem sentir mais um na multidão. Não que eu queira ser mais ou melhor do que ninguém, pelo contrário. Essa postura na verdade me fez incentivar outras pessoas a também vestirem o que querem, em especial o público masculino. Sim, porque as mulheres, de certa forma, já possuem alguma liberdade em relação à vaidade, à beleza, às cores e estilos. Homem, infelizmente, ainda não. Uma mulher, por exemplo, pode sair por aí usando calça e se sentir feliz da vida, inclusive, se ela quiser, a calça pode lhe sair um item super sexy. Agora imaginem o contrário – um homem andando por aí de saia. Já existe, não é? Porém, isso quase não é aceito, embora a aceitação não seja lá o principal, até porque ninguém tem nada a ver com o que os outros usam ou deixam de usar. Mas gostando ou não você tem que respeitar.

Segundo a nossa sociedade, há algumas regras que devem ser seguidas à risca pelos machos alfa em questão: não tirar a sobrancelha, não se depilar, não usar calça skinny, não usar maquiagem, não usar peças do guarda-roupa feminino, não… Olha, são muitas, e se eu for listar todas precisaremos de um outro post só para destacá-las. Porém, já dá para se ter uma noção de que aquilo que define a nossa masculinidade está ligado a comportamentos enraizados em nossa sociedade desde uma época em que moda era um assunto longe de merecer ser discutido. E isso, claro, é muito injusto conosco, homens do ano XVII do século XXI.

E vocês sabem quem são nossos maiores inimigos? Nós mesmos, claro. Tenho a impressão de que o homem por si já nasce preconceituoso – com os outros e com ele mesmo. Mas claro, a culpa não é só nossa. Somos criados ouvindo a velha e cansada frase “homem que é homem não pode” e lá vem aquela lista de coisas que mencionei ali em cima, inclusive, há um quesito não mencionado, mas bem tradicional: o choro. Então, se você também já se sentiu oprimido, não precisa mais engolir o choro. Chegou a hora de nos expressarmos como bem quisermos e a maneira como nos vestimos é uma boa opção maneira para se começar.

Bom, preciso dizer que fácil não é. Você precisa, antes de tudo, vencer seus próprios medos, receios e preconceitos. Precisa dizer a si mesmo que você pode e passar a ter a consciência de que se você quiser mesmo que as coisas sejam diferentes, é bom começar a agir diferente. Pra que a sociedade mude alguém precisa começar. Muitos já começaram, mas quem os acompanhará? Quem terá a coragem de deixar de lado o macho man interior para finalmente se tornar um homem livre? Bom, que você não faça por modinha, mas pelo real significado da moda: de que ser você mesmo é a melhor maneira de expressão. E que você se sinta bem sendo vaidoso, diferente ou até mesmo seguindo a multidão.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 15 de fevereiro de 2017

Recentemente li um artigo que questionava as compras exageradas de produtos lançados como tendências, mas que consumidos de maneira tão massificada que passaram a saturar o mercado. E pude perceber o risco que é nos deixarmos levar pelo que o mercado praticamente nos obriga a consumir, sem nos darmos conta de que na maioria das vezes estamos levando para o nosso guarda-roupa peças que nada tem a ver conosco, mas com toda e qualquer pessoa que achar aquele produto “bonitinho” ou “descolado”.

 O que muita gente atribui à moda não é a moda propriamente dita. Muitas vezes querem nos empurrar goela abaixo uma cor, um sapato, um casaco, um novo jeans, uma estampa, um tecido ou seja o que for, alegando que aquilo é a nova tendência e que vai sim, fazer muito sucesso. Com o marketing devidamente trabalhado o produto é vendido em larga escala. As fast fashions estão lotadas de pessoas que se veem maravilhadas por eles. E pouco tempo depois temos uma multidão se vestindo praticamente igual.

Mas espera aí, moda não era aquilo que te diferenciava? Não era a moda que tinha a função de te dar uma personalidade única, de te destacar pela ousadia de ser você mesmo? Então por que há tanta gente comprando a mesma coisa com o objetivo de se sentir único? Talvez porque o mercado esteja preocupado apenas em vender e não em conscientizar. Porque para uma indústria não compense fabricar peças diferentes, mas fazer crer que algumas o são. E quem acredita se iguala à multidão.

Bom, eu vivo gritando aos quatro cantos do mundo que moda é essência e que é essa essência que vemos refletida na sua aparência. Mas como enxergar isso numa multidão de camisetas de estampa floral, de sapatênis ou de camisas cor de rosa? Será que você está realmente vestido de si mesmo ou o mercado está te vestindo como ele bem entende e te fazendo acreditar que você “anda na moda”? Afinal de contas, andar na moda é fazer moda? Foi-se o tempo em que me iludia com posts retratando tendências ou mostrando peças de determinados desfiles no estilo “10 peças que você precisa ter no seu guarda-roupa”. Não, nós não precisamos ter isso ou aquilo, essa é uma necessidade mais deles do que nossa. Chega de imposições, agora somos nós quem tomamos as decisões.

Já conversamos sobre isso outras vezes e uma das coisas que sempre defenderei é que é você que faz a moda e não a moda que faz você. Portanto, quando o comercial te disser que é essa ou aquela marca que deve ser usada, quando as revistas te disserem que a cor do ano é aquela tal e as lojas encherem os manequins e araras de determinadas peças, reflita. Você não precisa vestir o óbvio, nem o mais fácil, nem o mais sofisticado para estar bem na fita. Tudo o que você precisa é usar aquilo que parece com você, que reflete o que você é e mostra ao mundo (ou a quem você quiser) que ser livre é muitas vezes ir na contramão do que as pessoas estão pregando por aí como liberdade, mas vem disfarçadas em etiquetas de R$ 49,90.

Abraços!