Facebook Instagram Twitter Tumblr Youtube

Todos os posts sobre Moda

No mundo em que vivemos hoje cada um precisa de uma arma. Não, não me refiro a essas que espalham terror por onde passam, mas àquelas que nos dão voz e coragem para expressarmos tudo o que sentimos, armas essas que nos ligam a pessoas que nos apoiam e compartilham da mesma opinião, tornando mais forte a causa ou situação a qual estamos abraçando.

Todos sentimos essa necessidade de nos armar de expressão e andarmos por aí munidos de opiniões e ideias bem embasadas, para que no momento exato possamos mirar e atirar. Colocar para fora aquilo que sentimos é algo realmente libertador e cada um procura a melhor maneira de fazer isso: uns usam as redes sociais, outros, porém, gravam vídeos e há aqueles que criam sua própria plataforma de site/blog. Seja como defesa ou ataque, cada um usa como achar melhor, mas nem sempre os resultados são positivos. Nesse assunto posso até me citar como exemplo, pois encontrei na moda a minha verdadeira forma de expressão, de me fazer ser visto ou ouvido por tudo que tinha para dizer. Porém, foi no blog que travei batalhas quase que diárias com pessoas, sistemas, regras e em algumas situações até comigo mesmo.

Para os profissionais da moda o próprio mercado é uma forte arma, mas que infelizmente nem todos sabem usar, pois ela acaba sendo uma faca de dois gumes. Um exemplo recente foi o tapete vermelho hollywoodiano recheado de atrizes e atores usando preto em forma de protesto contra os abusos sofridos por mulheres em sets de filmagens. Atrelado a isso tivemos também a modelo Cameron Russell que incentivou modelos masculinos e femininos a mostrarem sua voz e relatarem os frequentes assédios que sofriam nesse mercado de modelo, que cá entre nós, vêm acontecendo desde muito tempo. É a moda sendo utilizada para denunciar aquilo que acontece em seu próprio universo, mas que, claro, não deveria acontecer. Situações como essas mobilizaram pessoas de vários lugares do mundo e fizeram aquele reboliço no mercado para que as mudanças realmente acontecessem e eu acredito que elas realmente estejam começando a acontecer.

Outra arma utilizada recentemente, mas que infelizmente foi para o mal, mesmo que sem intenção (porém de profundo mau gosto), foi a campanha da marca sueca H&M, que colocou uma criança negra usando um moletom com a seguinte frase: “O macaco mais legal da floresta”. Um ato racista, infeliz, que causou uma revolta compreensível por parte do público.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             Um pedido de desculpas foi comunicado, houve perda de duas parcerias de grande porte e não se sabe ao certo o quanto isso afetou as vendas, embora tenhamos a noção de que não foi pouca coisa. Mas nessa situação pudemos concluir o quanto a H&M acabou dando um tiro no pé, não é? Infelizmente ela não foi a única e nem será a última. Porém, é necessário que as marcas e pessoas entendam que hoje cada um tem suas armas esperando o momento certo para utilizá-las, alguns com consciência, outros sem um mínimo de bom senso. Por isso, é importante que o pensamento de agora em diante não seja a defesa em si, nem mesmo o ataque, mas o coletivo, a missão de amenizar esse duelo de armas entre pessoas e marcas que presenciamos com tanta frequência.

Se antes a moda falava, hoje ela praticamente grita com tudo o que tem a dizer. Afinal, se olharmos o atual estado do mercado, veremos que por trás de quase tudo existe uma mensagem fortíssima, seja ela qual for. Alexander McQueen, Vivienne Westwood e Jonh Galianno foram os pioneiros que conheci a utilizarem suas armas dentro do universo da moda, mas, atualmente, há Alessandro Michelli e Demma Gavsalia, que refletem em cada coleção tudo aquilo que desejam passar. Dizer que a moda é fútil e inútil já se tornou um conceito bastante antiquado. Aqui no Brasil tivemos Zuzu Angel, que usava suas criações como forma de protesto contra a ditadura. E, claro, existiram e existem muitos outros com boas histórias de resistência para contar.

A moda nos dá essas armas, mas é preciso sabedoria e estudo para que você saiba usá-las da forma correta. Caso contrário, estará apenas seguindo a multidão em meio a muitos outros que não sabem para onde estão indo. Por isso, é importante que antes de conhecer nossas armas nos conheçamos cada vez mais, para saber que tipo de arma podemos manusear. No mais, vale ressaltar: informação é tudo. Por isso, antes de nos armarmos de qualquer conceito, nos municiemos de conhecimento. Somente assim teremos propriedade para lutar em qualquer guerra e, principalmente, lutar pela paz.

Quando se trata de moda as pessoas costumam confundir bastante seu significado. Claro que a palavra em si tem um sentido bem amplo, mas há muitas outras situações e acontecimentos – alguns bem específicos, inclusive, aos quais as pessoas costumam denominar de moda. Não que elas estejam 100% erradas, mas é que ampliar tanto o sentido de algo que deveria ser apenas uma ramificação acaba comprometendo o verdadeiro significado e deixando muita gente confusa.

Com a expansão da era digital e a chegada das redes sociais, o termo “modinha” vem caindo cada vez mais na boca do povo. E a própria modinha vem ganhando bastante espaço. Antes era preciso que um artista famoso usasse determinada peça ou tivesse determinada atitude – que poderia ser um gesto ou uma palavra – e de repente um número incontável de pessoas estava reproduzindo aquilo por todos os lugares. Isso quando não era um personagem icônico de determinada novela que caía nas graças do povo e também “lançava moda”. Era o brinco da fulana, a saia da cicrana, o boné do fulaninho. Seja lá o que fosse, aquilo começava a ganhar proporção de tal maneira que de repente as ruas eram tomadas por pessoas usando tal coisa. E é basicamente isso que é modinha. Aquela coisa rápida, instantânea, efervescente, que faz com que todo mundo use a mesma coisa ou reproduza o mesmo comportamento. Ela cresce como uma epidemia, mas desaparece na mesma proporção de velocidade.

Pois bem, as redes sociais viraram um canal de propagação da modinha. Só que, diferente dos velhos tempos, hoje não precisa mais ser um artista famoso ou um personagem de novela pra fazer a coisa acontecer. Os memes da internet que o digam. A web propaga as coisas em uma velocidade tão incrível que você pode hoje ir dormir anônimo e amanhã acordar famoso. Imagina só um gesto, uma frase, uma fala, uma piada ou mesmo um acessório, né? E quando isso acontece a gente costuma, na maioria das vezes em uma conversa despretensiosa, dizer que tal coisa “virou moda”. Ué, virou?

Bom, eu não posso discordar de todo, porque a modinha também poderia ser incluída no conceito de moda, já que acaba se caracterizando também como um tipo de comportamento, com a venda de determinado conceito, etc Porém, a moda em si é muito mais ampla. Moda tem a ver com a sua personalidade, com a sua essência, ela é aquilo que te traduz. Você faz a sua moda, usa as roupas que acredita que te definem, corta o cabelo, ou pinta, ou deixa crescer ou faz, sei lá, inúmeras coisas que acha que tem a ver com a pessoa que você é, mas sem precisar imitar ninguém. É esse o meu conceito de moda e pelo que tenho visto e lido de uns tempos pra cá, me parece que não sou só eu que penso assim.

Então me incomoda um pouco essa confusão entre moda e modinha, confesso. Modinha me parece algo mais superficial, automático, que você faz sem questionar, sem saber por quê, só porque todo mundo tá fazendo. Um exemplo disso é um recente comportamento reproduzido em determinada rede social, onde uma pessoa que acaba de adicionar outra (ou aceitar qualquer solicitação de amizade) tem o perfil invadido por comentários de amigos, comentários esses que insinuam um possível envolvimento da pessoa com o novo amigo, ou dá a entender que a pessoa é a chamada “pegadora”. Isso pra mim não é e nunca será moda. E sabe por que não? Porque faz com que pessoas que defendem determinados conceitos, pessoas esclarecidas, inclusive, abram mão daquilo que acreditam, mesmo que de maneira temporária, apenas para fazer parte daquele grupo que reproduz a modinha, como o caso de uma amiga que é feminista, mas deixou de lado sua bandeira para fazer um comentário machista (e não, não era ironia), apenas para não perder a oportunidade de aderir à tal brincadeira.

Entendem a diferença? A moda não te prende, não te limita, não te obriga a fazer algo que não condiz com o que você é. A moda não te pede para reproduzir algo, ela te faz criador. A moda te liberta para ser você mesmo, para fazer aquilo que você tem vontade e para mostrar ao mundo que você tem personalidade, mesmo quando você coloca a roupa mais básica do seu guarda-roupa, mas não se troca, não se vende e não abre mão de si mesmo por pura… Modinha.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 7 de dezembro de 2016
1 comentário  |  Loading Ler mais tarde

Ousadia, uma definição que ainda é difícil de entrar na cabeça de muitos. Quer saber por quê? Infelizmente os meninos não são tão desenrolados como as meninas na hora de ousar em um look.  Às vezes o receio ainda fala mais alto, levante a mão quem se veste diferente e ainda não foi encarado de maneira estranha na rua por causa do que está usando? Usar o que se deseja não é uma tarefa fácil, mas que deve sim, ser realizada. Aqui no blog já passamos o Manual de Estilo do Garoto in Foco, já mostramos inspirações para compor a partir das principais tendências e muitas outras dicas, mas percebo que não é uma tarefa fácil para vocês. É normal sentir um bloqueio de criatividade ou ficar preso por não saber por onde começar, pois não se trata de um dia comprar uma jaqueta de paetê e pronto, você já está sendo ousado/estiloso. Tudo isso é um processo lento e de autoconhecimento. Você precisa primeiro se conhecer para ter a certeza do que realmente deseja ter dentro do seu guarda-roupa e principalmente daquilo que vestirá seu corpo.

Mas se você quer ousadia e pretende dar o primeiro passo, por que não começar pelo preto? Uma das cores mais básicas da cartela de cores, roupas nessa cor passam a mensagem de sofisticação e elegância sem precisar de muita produção. Por isso, nós, modelos, sempre optamos por looks all black para ir aos castings (algo que estou deixando aos poucos), pois você nunca erra. O que quero propor no post de hoje não é optar por looks All Black, mas usar uma peça diferente nesta cor tão básica. Na hora de escolher você não deve se deixar levar somente pela cor, procure peças com detalhes a mais, com uma estampa por cima, spikes, brilhos, patches ou mesmo uma modelagem diferente. Não precisa ser algo chamativo, apenas que saia da linha do básico. Nas inspirações que separei, resolvi unir um pouco das peças pretas que considero diferentes e que não se enquadram no quesito simplicidade, são elas jaquetas, calça, jardineira, camisa e boné.

streetwear1

Como o preto é uma cor mais fácil de se usar, você não terá problema na hora da escolha, por exemplo é muito mais fácil optar por uma jardineira preta ao invés de uma jeans que irá chamar mais a atenção, mesmo sendo jeans. E quanto a peças de padronagens diferentes, geralmente são elas que dão uma melhorada no look, tirando ele da linha do básico para algo mais produzido.

Outra dica valiosa é inverter a ordem da primeira e optar por combinar peças ousadas com pretas básicas. Mesmo que seja uma calça de brim você notará a diferença se combinada com outro modelo de calça. Para começar escolha apenas uma peça diferente, para que dê tempo de se acostumar a ela. Quando você perceber estará querendo muitas outras. Porém, lembre-se: não se limite apenas ao preto, pois é uma cor viciante. Use apenas como um primeiro passo e aos poucos vá aderindo a outras peças diferenciadas. O segredo disso tudo é ir evoluindo lentamente para não causar de imediato um choque em si mesmo e nesse processo você vai evoluindo e adquirindo o famoso estilo pessoal.

streetwear2

Bom, essa foi uma dica que usei logo quando decidi ousar mais e acabou sendo um processo bacana, pois aos poucos fui aderindo a novos estilos. A peça preta ainda é padrão no meu guarda-roupa, mas aos poucos vou deixando ela de lado para montar looks com uma pegada diferenciada. Por mais que um modelo opte pelo preto ou em eventos noturnos as pessoas gostem dessa cor, você não precisa seguir uma regra. Ouse cada vez mais e assim estará não apenas se conhecendo melhor, mas também se sentindo uma nova pessoa.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 23 de novembro de 2016
0 Comentários  |  Loading Ler mais tarde

Trabalhar com moda é ser visto como um personagem do filme Diabo Veste Prada. Bom, ao menos é quase sempre assim. E quando falamos que somos blogueiros automaticamente surgem na mente das pessoas flashes de imagens de street style que apreciamos no tumblr e pinterest. São visões distorcidas que muitos acabam criando, infelizmente. E não adianta bater na tecla contrária quando há profissionais do meio que realmente alimentam essa ilusão (sendo  eles os que possuem uma maior proximidade com o público). De fato trabalhar com moda é estar por dentro de todas as principais tendências e saber com antecedência tudo o que será febre nas estações. É ver de perto todo aquele glamour e chegar a suspirar com todo o processo de criação e trabalho de algumas marcas. Mas na hora de alimentar o desejo consumista e sair igual à Rebeca Bloom de Os Delírios de Consumo de Rebeca Bloom, vários fatores vêm em nossa mente – e só quando acompanhamos de perto tudo isso começamos a pensar e repensar na hora de uma compra.

Logo quando mergulhei a fundo no universo da moda e comecei a realmente estudar e a aplicar todo aquele conhecimento e aquelas dicas no meu estilo pessoal, acabei me deslumbrando com tudo o que via, pois tudo o que era diferente e atual despertava meu interesse a ponto de querer logo comprar. Passei a bancar o consumista, chegando a gastar todos os meses muito dinheiro para adquirir todas as principais tendências. Chegando a fazer até lista com cada item que gostaria de possuir e o que é pior: a cada compra os itens dela não diminuíam, pelo contrário: tudo só tendia a aumentar, isso porque a cada mês surgia um novo item para compor a tal lista. Foi então que percebi que estava entrando em algo sem fim e comecei a pensar se realmente valia a pena tudo aquilo. O resultado de toda aquela farra consumista foi um guarda-roupa abarrotado de roupas as quais muitas vezes eu nem chegava a usar todas as peças, algumas delas usei apenas uma vez devido à elevada quantidade. Pois é, fui me dando conta de que moda é algo que está muito além do consumismo. Hoje vejo muitas tendências que me fazem pirar, mas poucas são as que levo para casa. Ainda tenho aquele desejo de um estilo pessoal, mas estou investindo no que possuo ao invés de procurar o que não tenho. Para ser bem sincero nem lembro qual foi a minha última aquisição de moda.

Hoje não permito mais roupa acumulada no guarda-roupa. Gosto de moda, mas odeio desperdício e acabei me dando conta de que um não precisa necessariamente estar ligado ao outro, assim como também não preciso ter roupa de grife para estar bem apresentável. Nunca comprei em brechós ou bazares, apesar de achar a ideia ótima, mas adoro trocar peças com amigos e até mesmo doar as que não uso mais. E foi com essa onda de consumo consciente que ando aplicando em meu cotidiano que comecei a ser mais exigente na hora de escolher as peças que entrarão para o meu guarda-roupa. Me pergunto se preciso realmente de mais uma roupa no meio das tantas que já tenho ou caso precise realmente comprar, me desfaço de alguma justamente para não acumular. Ter um estilo diferenciado dos demais, aquele estilo a la Garoto in Foco não significa ter peças de sobra: o que é necessário ter de sobra é criatividade para se reinventar com as peças que já se possui.

Ao contrário do que muitos pensam, não é feio herdar peças de segunda mão de outra pessoa, mesmo que elas estejam um pouco surradas, sejam maiores que sua numeração ou mesmo estejam ultrapassadas. Hoje a moda é tão livre que todos esses obstáculos que nos impediam de usar certos tipos de roupa se tornaram vantagens, eu mesmo às vezes troco algumas peças com amigos, pois em meio à crise que nosso país enfrenta comprar roupa nova com frequência virou sinônimo de luxo.

Bom, claro que ainda tenho desejo por muitas peças, mas estou priorizando outras coisas no momento e investindo mais no que já possuo. Tenho vontade de ousar mais e me expressar cada vez mais através do meu estilo e usar o que já tenho para isso, além de estimular a criatividade é um ótimo incentivo para quem quer se vestir bem e acha que pra isso precisa sair por aí com as mãos cheias de sacolas e os bolsos pra lá de vazios. Quero poder me inspirar em estilos coreanos, franceses e por aí vai, mas acredito que não seja o tempo ainda, então prefiro guardar essas inspirações no pinterest enquanto usufruo do que já possuo. Mas fiquem ligados, pois chega uma hora em que a limpeza do guarda-roupa é feita naturalmente e aos poucos você vai se dando conta de que estão nascendo novas ideias e inspirações. Tudo é válido, desde que te faça bem. Se comprar é bom, recriar a partir do que já temos é inspirador também.

Abraços!