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“Ele é esquisito, mas ao mesmo tempo é tão sexy (…)”.  Palavras de uma modelo ao falar sobre mim para um fotógrafo. Qualidades como “esquisito” fizeram parte de toda a minha vida, na verdade essa foi uma das principais formas de bullying que sofri da infância até a adolescência. Ao entrar para o mundo da moda isso não poderia ser diferente, porém, o mercado me fez perceber que o esquisito e o exótico ganharam um sentido muito além daquele que eu já conhecia. Isso poderia ser um sinal para me tornar um grande modelo fashion e foi a partir daí que comecei a me aceitar e gostar dessa característica que me definiu por anos. Quando era escolhido para trabalhos dizia para mim mesmo “quanto mais esquisito melhor, Daniel” e assim exagerava nas caras, poses e roupas. Porém, sempre me alertavam: modelos como você nunca farão moda praia tanto pelo corpo como pelo rosto.

Diante dessa observação eu sempre procurava fugir de castings moda praia alegando que não tinha a típica beleza de um modelo para tal trabalho(rosto de homem maduro) e quanto ao corpo, sabia que minha barriga me deixava com pontos a menos por não ser tão bem definida. Passei boa parte dos anos focado apenas no mercado high fashion da moda. Mas dizer que essa foi minha primeira vez posando para moda praia seria mentira, porém, de fato essa foi a maior até agora. Participar dessa campanha para a Mar Del Castro me fez pensar “olha onde o esquisitinho chegou!” Isso foi como um tapa na minha própria cara por ter a mania de sempre me limitar, pois mesmo odiando padrões e rótulos acabava me submetendo a um. Lembro-me de assistir a seus desfiles e dizer para mim mesmo que nunca trabalharia com ela justamente por não ter o perfil ideal. Mas olha só que mundo pra dar voltas, não?


Quadro do salão onde foi feito a maquiagem.

Durante as fotos me peguei pensando em quantas pessoas já deixaram de usar roupa de praia por medo do seu corpo, por insegurança, por se achar fora do padrão e percebi que vivi uma experiência parecida quando me limitei. Sabe aquela coisa de você só acreditar quando acontece com você? Foi essa a experiência que tive e pode ter sido a última campanha desse segmento que eu tenha feito, porém ela foi necessária para aprender mais de mim mesmo.


Ao longo do tempo poderia sim, ter cuidado do meu corpo. Inclusive até cheguei a começar, mas sempre apareciam coisas que me impediam e sempre adiava esse projeto. Alguém se identifica com essa situação? O fato é que às vezes nem era uma vontade minha, se tratava de apenas uma pressão que colocava em mim mesmo para agradar a um mercado. Após essa experiência não descarto a possibilidade de entrar numa academia e procurar uma melhoria, mas primeiro sinto que foi preciso me aceitar e saber que fazendo ou não, gosto do meu corpo.

A grande questão é que muita gente sofre por não se identificar com esses padrões, com esses corpos que aparecem nas campanhas e a pressão social é enorme devido a isso. São cobranças que vêm de todos os lados, inclusive da família, então você chega a um dilema: a quem realmente você quer agradar, a si mesmo ou aos outros? Saber o que se quer é o primeiro passo para viver tranquilo consigo mesmo. Se você quer seguir o padrão, tudo bem. Porém, esteja preparado para encarar uma vida de limitações, restrições e imposições, porque manter as medidas no tamanho exigido pelo mercado não é nada fácil nem tão simples como se pensa. Porém, ir contra uma sociedade inteira para fazer valer a sua vontade pode ser algo completamente perturbador. O segredo, então, é seguir o seu coração. É respeitar a si mesmo e se aceitar. É mudar apenas quando você achar que deve. Aliás, o segredo é esse, sempre. Faça aquilo que você acredita que é MELHOR PRA VOCÊ. Quando você passar a se sentir realmente bem, todo o resto é consequência.

Agradeço a Mar del Castro não só pelo trabalho, mas pela experiência de expandir minha visão.

Abraços!

Recentemente me deparei com um comercial do Axe falando sobre como o machismo interfere na vida dos homens. Achei a ideia genial e necessária, já que vivemos em um mundo machista que massacra tanto homens quanto mulheres, mas os homens não têm coragem de colocar a boca no trombone e sofrem calados, vítimas deles mesmos.

De uns tempos pra cá temos acompanhado o crescimento do movimento feminista, o que é algo maravilhoso. A igualdade de gênero precisa e deve ser cada vez mais discutida, pregada e, principalmente, praticada. Há quem se contraponha, reclame, esperneie e acredite piamente que o feminismo é radicalismo por parte das mulheres e massacrante para os homens. Porém, somente quem não conhece de fato as necessidades do movimento e ainda não parou para fazer ao menos uma simples reflexão, acaba por condená-lo.

O feminismo não coloca a mulher em posição de vantagem sobre os homens, pelo contrário: reivindica respeito à igualdade de direitos, à conquista da liberdade pelo sexo feminino, liberdade essa necessária, que deveria ser um direito natural, porém, negada durante toda a história da humanidade. Mas será que é só às mulheres que o feminismo beneficia?

Em contraponto, temos o machismo, que tem a mulher como ser inferior e pré-determina quem está no comando – os homens, no caso. Porém, muita gente não se dá conta de que esse mesmo machismo que oprime as mulheres, acaba fazendo o mesmo também com os homens, porque define quem pode fazer o quê, atribuindo regras e funções aos gêneros e privando a nós, seres humanos, do nosso direito de sermos quem realmente somos, da maneira que queremos.

Assim, o machismo nos prejudica sim, e muito. Querem saber como? Ah, tem muitas maneiras. Inclusive eu mesmo tenho sofrido certa perseguição por causa disso. Porque homem que é homem não usa essa ou aquela peça de roupa. Usei croped em uma campanha e fui recriminado. Homem que é homem não usa calça colada, não se depila, não pode ser vaidoso. E você fica se perguntando a origem dessa trogloditagem toda, porque olha, não vejo sentido em nada que exista apenas com a função de limitar os outros. Porém, muita gente vive de pregar justamente isso. Mais um motivo para louvarmos a iniciativa do Axe.

Homens, esqueçam o machismo. Passamos a vida nos reprimindo, engolindo o choro, tendo que ser fortes, bons de briga, dominadores, namoradores, conquistadores baratos, durões, independentes, seguros e tudo o que a sociedade espera de nós. E o que ganhamos em troca? Sinceramente, nada. Nenhuma vantagem, nenhum benefício, nenhum mérito além de um monte de gente machista nos presenteando com elogios que cá entre nós, não servem para nada.

Obrigado por me entender, Axe. Obrigado por trazer à tona questionamentos tão úteis e necessários. Prefiro mil vezes o direito de chorar quando sentir vontade, de expressar medo, insegurança, de falar sobre o que eu sinto, de gostar de me vestir diferente, de não fazer o estilo machão, de não fazer sexo só por fazer, de não acumular mulheres apenas para prestar contas com a sociedade e poder sim, cuidar da minha aparência. Quero poder ser eu mesmo, sempre, na essência. Eu sou homem e quero igualdade de gênero. Quero ser livre, pra valer. E tudo o que o machismo não me permitiu até hoje, me desculpem, mas irei fazer.

 

Abraços!

Esses dias, durante um passeio pelas redes sociais, acabei me deparando com perfis de alguns famosos que me surpreenderam pelo número de seguidores. Fiquei imaginando o quanto poderia ser interessante o conteúdo postado por eles para chegarem àquele nível de popularidade. Na dúvida, fui pesquisar. Vi inúmeros perfis, muita gente considerada bonita, carismática, postando fotos em lugares de encher os olhos e quase sempre pessoas muito estilosas fazendo aquelas poses que a gente adora ver. Até aí tudo bem. Mas eu ainda não tinha as minhas respostas, aliás, ainda não as tive. E continuo sem entender o real motivo de se tornar um digital influencer.

 Temos visto cada vez mais digitais influencers ganharem seguidores, credibilidade e espaço. Mas uma coisa me chamou a atenção: por que essas pessoas tão famosas nas redes sociais são também tão padronizadas? Senti falta da diversidade de raças, de gênero, de classes sociais. A maioria dos influenciadores digitais não começaram pobres, classe D e E. Então por que nos influenciamos e nos deixamos fascinar tão facilmente por aquilo que pouco nos representa?

Vi sim, alguns perfis de mulheres negras e empoderadas pregando justamente esse empoderamento e a conquista tão merecida de espaço, o que me deixou feliz. Porém, onde estão os homens negros, os jovens de periferia, a “galera” do movimento de rua, os suburbanos que não seguem padrões, mas são cheios de atitudes e ideias realmente interessantes? Isso me obriga realmente a questionar: quem é seu digital influencer? Ele realmente te representa? Ele te inspira no modo de ser, viver, de encarar a vida e os problemas, na maneira como se expressa, como se veste e como usa a sua liberdade de ser o que quer em seu favor ou apenas reproduz o que tanta gente vem reproduzindo, vestindo a roupa da moda, a marca da vez e fazendo as velhas poses e carões já tão conhecidos?

Fingir rebeldia não é questionar problemas sociais. Usar o que a moda impõe não é atitude. Então, o que realmente te influencia? O que te faz querer comprar aquilo que alguém disse que é bom ou querer usar aquilo que determinada pessoa usa? Uma paisagem, uma pose ou a conta bancária? Tem certeza de que é esse o caminho que se deve realmente seguir? Bom, longe de mim dizer a você o que se deve fazer, logo eu, que vivo pregando a liberdade de ser o que se quer. Mas me incomoda ver que quanto mais diferentes queremos pregar que somos, mais iguais vamos ficando. Que queremos demonstrar consciência bancando a futilidade alheia e pegando carona naquilo que a gente gostaria que fosse a nossa vida, mas está longe de ser a nossa realidade. Eu não tenho um digital influencer favorito. Costumo seguir profissionais aos quais admiro e pessoas que acredito que tenham muito a me acrescentar/inspirar. Mas hoje gostaria de saber: por que ao invés de se deixar influenciar, a influência não vem de você?

Abraços!

“Na dúvida sobre o que vestir no casting de desfile opte por roupas totalmente pretas e de preferência use botas, pois elas passarão a ideia de que você é alto. Como somos modelos baixos dificilmente pegaremos desfiles, mas temos que passar essa falsa impressão de altura”, disse uma amiga que hoje é considerada uma das melhores modelos do Brasil e já pisou em várias passarelas. Essa foi sua resposta após eu lhe pedir ajuda em relação ao que deveria usar, logo que entrei nesse mercado. Apesar de possuir 1,80m de altura, para o mercado eu era considerado sempre muito baixo e isso me deu uma insegurança a qual carreguei comigo durante anos. Nunca imaginei que após essa conversa passaria tanto tempo indo a seleções usando somente botas e calças pretas com o objetivo de dar aquela falsa impressão.  Nos castings sempre era necessário mentir minha altura, pois se chegasse falando a verdade certamente seria descartado de imediato.

Mas esse tipo de atitude não era privilégio meu, havia modelos que assim como eu escolhiam sapatos com o solado o mais grosso possível também, no intuito de dar mais altura. Tudo isso porque modelos femininas de passarela tinham de 1,78m a 1,80m e com salto poderiam ficar maiores que os modelos masculinos e, claro, para o mercado não é esteticamente atraente mulheres mais altas que os homens. E são em momentos assim que surge o questionamento: de onde vem essa ideia de que homem não pode ser mais baixo do que mulher?

Ainda buscando respostas, vale ressaltar que a vida não se resume apenas as passarelas, ou seja, isso não é apenas um problema meu. Houve tempos em que tive a oportunidade de conversar com alguns garotos e até com alguns amigos e sempre era mencionado durante a conversa a já tão conhecida insatisfação com a altura, mesmo sabendo que todos estão no padrão de estatura brasileiro. Mas, e então, podemos dizer que a culpa é somente da moda? Não, mas matérias e dicas que o mercado insiste em pregar, como “dicas para alongar e afinar a silhueta” dão mais ênfase a esse complexo. Já cheguei a ler jornalistas e blogueiros mencionando o quão ridículo é um homem usar peça que dá a aparência de mais largo ou que lhe deixam “achatado”. Matérias como essas também circulam facilmente entre o mercado feminino, criando um padrão de estética de que o elegante são mulheres altas e magras. Infelizmente, com isso é criado um falso padrão de beleza prejudicando mulheres que não possuem esse biotipo e isso acaba afetando também os homens, mesmo que indiretamente, pois criamos a teoria (e algumas mulheres insistem em dar força para isso) de que homens devem ser mais altos que mulheres. Percebem o quanto isso é uma situação delicada?

Entendam, essas inseguranças (que não são exclusividade minha) modelos femininas, por exemplo, sempre têm receio com relação a estrias, celulite e quadril maior do que o padrão. Nos garotos a altura, barriga, cabelo, calvíce ou espinhas são características que até podem ser melhoradas, mas que tudo isso depende de existir uma aceitação por parte da pessoa e seu desejo de mudar ou não, porque é algo que está no seu corpo, como característica sua. Demorou muito para que essa insegurança saísse de mim, na verdade achava eu que jamais viveria sem ela. Durante a sessão de fotos sempre pedia o fotografo que fotografasse debaixo para cima, na tentativa de me alongar. Essas inseguranças podem lhe dominar, caso você não revide e comece a se impor. É preciso entender que características assim não te fazem menos atraente ou um modelo ruim. É necessário que se reconheça o talento que você possui sem precisar focar apenas no que te diminui, mas principalmente valorizando o que você realmente é.

Lógico que nem tudo se resume a essas matérias, mas é importante entender que você não precisa deixar de usar uma peça de roupa porque ela te deixou mais largo ou mais baixo, afinal isso de maneira alguma tira sua beleza. Mulheres, vocês não precisam se parecer com algumas modelos em questão de corpo. Homens, não é necessária “altura de modelo de passarela” para ser considerado bonito. Não deixe de apostar nas roupas que você quer independente delas te deixarem mais isso ou aquilo, afinal o que vale não é a aparência, mas a identidade e personalidade que você tem ao vestir roupas assim. Devemos sim, nos desprender cada vez mais desses rótulos. Se peguei passarela com minha altura? Poucas, daquelas de se contar nos dedos, mas isso não tira o crédito de coisas grandiosas das quais já tive o prazer de participar. E incrível como elas só apareceram agora, após desistir de tentar me encaixar no molde que o mercado queria me impor para finalmente passar a ser eu mesmo.

E quanto às marcas, é preciso repensar se o padrão imposto nos seus desfiles é algo conivente com nosso país multicultural e multirracial, pois há muito tempo os desfiles deixaram de ser eventos apenas para profissionais da moda para se tornarem abertos ao consumidor final. Bom, espero que minha opinião esteja valendo, afinal quem vos fala não é apenas um modelo que é considerado baixo para seus padrões, mas um cliente que também não se sente representado nessas ocasiões muito menos se encaixa nos já tão batidos padrões.

Abraços!