Facebook Instagram Twitter Tumblr Youtube

Todos os posts sobre Melhores Posts

“Ele é esquisito, mas ao mesmo tempo é tão sexy (…)”.  Palavras de uma modelo ao falar sobre mim para um fotógrafo. Qualidades como “esquisito” fizeram parte de toda a minha vida, na verdade essa foi uma das principais formas de bullying que sofri da infância até a adolescência. Ao entrar para o mundo da moda isso não poderia ser diferente, porém, o mercado me fez perceber que o esquisito e o exótico ganharam um sentido muito além daquele que eu já conhecia. Isso poderia ser um sinal para me tornar um grande modelo fashion e foi a partir daí que comecei a me aceitar e gostar dessa característica que me definiu por anos. Quando era escolhido para trabalhos dizia para mim mesmo “quanto mais esquisito melhor, Daniel” e assim exagerava nas caras, poses e roupas. Porém, sempre me alertavam: modelos como você nunca farão moda praia tanto pelo corpo como pelo rosto.

Diante dessa observação eu sempre procurava fugir de castings moda praia alegando que não tinha a típica beleza de um modelo para tal trabalho(rosto de homem maduro) e quanto ao corpo, sabia que minha barriga me deixava com pontos a menos por não ser tão bem definida. Passei boa parte dos anos focado apenas no mercado high fashion da moda. Mas dizer que essa foi minha primeira vez posando para moda praia seria mentira, porém, de fato essa foi a maior até agora. Participar dessa campanha para a Mar Del Castro me fez pensar “olha onde o esquisitinho chegou!” Isso foi como um tapa na minha própria cara por ter a mania de sempre me limitar, pois mesmo odiando padrões e rótulos acabava me submetendo a um. Lembro-me de assistir a seus desfiles e dizer para mim mesmo que nunca trabalharia com ela justamente por não ter o perfil ideal. Mas olha só que mundo pra dar voltas, não?


Quadro do salão onde foi feito a maquiagem.

Durante as fotos me peguei pensando em quantas pessoas já deixaram de usar roupa de praia por medo do seu corpo, por insegurança, por se achar fora do padrão e percebi que vivi uma experiência parecida quando me limitei. Sabe aquela coisa de você só acreditar quando acontece com você? Foi essa a experiência que tive e pode ter sido a última campanha desse segmento que eu tenha feito, porém ela foi necessária para aprender mais de mim mesmo.


Ao longo do tempo poderia sim, ter cuidado do meu corpo. Inclusive até cheguei a começar, mas sempre apareciam coisas que me impediam e sempre adiava esse projeto. Alguém se identifica com essa situação? O fato é que às vezes nem era uma vontade minha, se tratava de apenas uma pressão que colocava em mim mesmo para agradar a um mercado. Após essa experiência não descarto a possibilidade de entrar numa academia e procurar uma melhoria, mas primeiro sinto que foi preciso me aceitar e saber que fazendo ou não, gosto do meu corpo.

A grande questão é que muita gente sofre por não se identificar com esses padrões, com esses corpos que aparecem nas campanhas e a pressão social é enorme devido a isso. São cobranças que vêm de todos os lados, inclusive da família, então você chega a um dilema: a quem realmente você quer agradar, a si mesmo ou aos outros? Saber o que se quer é o primeiro passo para viver tranquilo consigo mesmo. Se você quer seguir o padrão, tudo bem. Porém, esteja preparado para encarar uma vida de limitações, restrições e imposições, porque manter as medidas no tamanho exigido pelo mercado não é nada fácil nem tão simples como se pensa. Porém, ir contra uma sociedade inteira para fazer valer a sua vontade pode ser algo completamente perturbador. O segredo, então, é seguir o seu coração. É respeitar a si mesmo e se aceitar. É mudar apenas quando você achar que deve. Aliás, o segredo é esse, sempre. Faça aquilo que você acredita que é MELHOR PRA VOCÊ. Quando você passar a se sentir realmente bem, todo o resto é consequência.

Agradeço a Mar del Castro não só pelo trabalho, mas pela experiência de expandir minha visão.

Abraços!