Facebook Instagram Twitter Tumblr Youtube

Todos os posts sobre Garoto Informa
Muito se fala sobre o atual estado da moda que assumiu a postura do “see now buy now”, que em tradução livre significa “veja agora, compre agora”. O intuito desse novo sistema é fazer com que os clientes das marcas não precisem esperar muito tempo para adquirir aquela peça que foi desfilada na passarela. Sim, pois agora o conceitual e o comercial estão entrelaçados juntos numa mesma passarela.
Para entendermos melhor explicarei rapidamente: antes um designer criava uma coleção com peças e cortes diferenciados que gerava uma certa dúvida para quem era de fora da moda. Isso se chamava peças conceituais, que tinham como finalidade mostrar uma tendência ou um conceito que a marca desejava passar. Nada daquilo seria usado, na verdade após os desfiles era tido um intervalo de 6 meses para as peças conceituais serem transformadas em roupas comerciais e assim irem para as lojas. Com o avanço da moda e o estouro do street style, muitos sentiram a necessidade de ousar mais e usar peças das passarelas em suas produções. Isso fez com que a moda passasse a olhar para este comportamento de algumas pessoas e trazer o comercial e conceitual juntos numa mesma passarela, sem precisar passar por uma extração para ser vendida. Alguns profissionais da moda perceberam que os desfiles estavam ficando cada vez mais comerciais e até passaram a chamar as Fashion Weeks de desfile de shopping. Com isso, a moda foi cada vez mais distante, transformando o desejável em resultado imediato, quero dizer, hoje muitos desfiles são apresentados e após o encerramento as coleções desfiladas rapidamente estarão nas lojas, tudo muito rápido e prático para que o cliente não precise esperar mais.  “O cliente não têm mais paciência para esperar por um longo tempo para comprar as peças desfiladas”, disse Christopher Bailey, diretor criativo da grife Burberry.
De fato algo que todo mundo detesta é esperar. Aguardar para uma peça chegar em suas mãos se torna cansativo, mas espera aí, será que não estamos exagerando? Afinal isso é um retrato de uma cultura consumista, algo que sinceramente se tornou tão clichê, pois a moda está tão aberta, tão independente e incentivando cada vez mais o consumo consciente. Não precisamos mais nos desfazer daquela peça porque ela não esta mais em alta, você usa o que deseja, aquela de ser ridículo repetir roupa ficou no passado e hoje somos cada vez mais livres para usarmos o que queremos. A moda está apontando para um rumo que menos se torna mais e em relação a consumo isso também se aplica.
Hoje a moda vive por você e não você por ela. Não sobrevivemos mais de tendências, nosso comportamento se tornou tendência, ela se aproxima mais do individual, de como é o seu estilo, a sua combinação, esse é o ponto alto da moda atual, identidade de estilo. E por esse motivo não temos a necessidade de lotar nossos guarda-roupas com peças e mais peças. Se for para lotar, que seja do seu estilo pessoal e não apenas de tendências. Lógico que somos fascinados por novidades e tudo o que é novo nos atrai, porém a visão aqui é outra, se uma peça é bonita, ela sempre será bonita, sua visão não deve mudar com o tempo, aliás, acredito que quanto mais velha, mais única ela acaba se tornando. Dois estilistas que estão fazendo uma bagunça na moda com esse novo conceito são Alessandro Micheli, diretor criativo da Gucci e Demna Gvasalia, diretor da Vetments e Balenciaga. Ambos acreditam que a moda é você, sua atitude, sua postura, onde você quer comprar, o seu desejo, fazendo a moda se afastar de tendência e ir para o individual. Eles também dizem que peça que é dita como de temporada passada não faz mais sentido. Se você ama não liga para temporada.
Confesso que adoro comprar roupas, mas compro para o estilo pessoal e não por tendência, por isso me falam que sou diferente dos demais blogueiros e modelos. Se gosto de uma peça não quero saber quando vou usar e nem como usar, acabo levando. Mas também preservo peças antigas, um bom exemplo disso é que comprei uma camisa que fez muito sucesso quando a C&A  lançou, porém sempre deixei guardada e a usei poucas vezes, anos depois resolvi tirar de vez do meu guarda-roupa, o que levou muita gente a se surpreender com ela e em como ela era diferente, isso porque para muitos ela não passava de modinha, mas para mim até hoje é uma das minhas favoritas.
Gosto do novo, mas preservo o velho e dificilmente me desfaço de minhas peças, e quando resolvo fazer isso é por motivos certos e não porque não estão mais em alta, tenho peças que já possuem 6 anos e por aí vai. Acredito que precisamos de mais posturas assim. Precisamos parar de comprar peças apenas por uma febre momentânea, pois por mais atraente que sejam as novas coleções, devemos pensar se realmente temos a necessidade de comprá-las. Por isso, antes de sair por aí comprando algo que acabou de ser lançado, certifique-se de que no seu guarda-roupas não já existe algo similar. E que o consumo não seja só pelo prazer de comprar.
Abraços!
Como diria Karl Largerfeld, nome por trás da grife Chanel, “chique não é uma questão de dinheiro ou de quanto você gasta, mas como você cria um senso de estilo único”. Há tempos a moda passou das classes sociais mais altas migrando para as demais. O que antes era restrito tem se tornado cada vez mais acessível. A moda está cada vez mais presente em nosso cotidiano e dos anos 20 para cá, podemos notar que ela está mais em alta do que seus próprios produtos, pois hoje muitas pessoas têm uma noção do que ela significa.
A democratização da moda hoje não se resume apenas a usar o que se quer, mas na quebra de barreiras e até mesmo em amenizar os conflitos do meio, como é o caso das grifes com as fast fashions. Conflitos esses que estão longe de acabar, mas que aos poucos vão se amenizando e o resultados são as parcerias lançadas por ambas, que geram uma receita boa para os dois lados, com o crescimento de vendas e popularidade. Por isso, grandes nomes da moda deixaram um poucos suas maisons para planejar parcerias.
A mais recente que tivemos e está dando o que falar foi Karl Largefeld para a Riachuelo, mas isso não vem de hoje. Na verdade o próprio Kaiser da moda já lançou há muito tempo atrás uma mesma parceria, porém com a C&A, e assim como ele, outros nomes famosos, nacionais e internacionais fizeram suas colaborações. Isso é visto como uma forma de dar às pessoas um preço mais acessível por uma peça de um grande designer, porém, sejamos sinceros, os preços não são tão acessíveis quanto os demais produtos vendidos na loja, mas se levarmos em consideração o valor de uma peça autêntica da marca, isso já nos convence.
A parceria cria todo um desejo em cima das duas marcas que não se limita apenas aos pontos de venda, em alguns casos são promovidos até desfiles de peso, como aconteceu com a Versace para a Riachuelo, Alexander Herdcovith para a C&A e Karl Largefeld para a Riachuelo. Tivemos também o que foi o boom da moda com a parceria da Balmain com a H&M, que promoveu um megadesfile numa estação de metrô e causou uma grande badalação com a presença de muitas celebridades, todas vestidas de Balmain, além da explosão nas redes sociais com sua #balmaination.
São ações como essa que movimentam a moda e trazem uma democracia maior atingindo todas as classes, pois se a fast fashion representa uma população que não é alcançada por grife, os grandes designers estão ajudando a mudar isso, trazendo suas colaborações. Grandes foram os números de colaborações já feitas e que foram um verdadeiro sucesso, chegando até a fazer compradores acamparem do lado de fora das lojas. Apesar de achar tal atitude exagerada e esse tipo de jogada gerar um consumo desenfreado, funciona para dar aquele diferencial no estilo de muita gente, pois as peças são verdadeiros delírios de consumo.
Coleções colaborativas lançadas pela Riachuelo: Adriana Degreas, André Lima, Camila Coelho, Camila Coutinho, Claudia Leitte, Cris Barros, Daslu, Dudu Bertholini, Fernanda Motta, Gabriela Pugliesi, Helô Rocha, Huis Clos, Juliana Jabour, Lalá Rudge, Llas, Lethicia Bronstein, Lorenzo Merlino, Los Dos, Martha Medeiros, Marcelo Sommer, Maria Garcia, Matheus Mazzafera, Oskar Metsavath, Pedro Lourenço, Raphael Falci, Robert Forrest, Thais Gusmão, Thassia Naves, Triya, Versace, Zapalla, Karl Largefeld.
Coleções colaborativas lançadas pela C&A: Anne Fontaine, Francisco Costa, Issa London, Roberto Cavalli e Stella McCartney; Adriana Barra, Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Andrea Marques, Água de Coco, Billabong, Carina Duek, Dress To, Espaço Fashion, Giuliana Romanno, Iódice, Isabella Giobbi, Lenny Niemeyer, Lilly Sarti, Maria Bonita Extra, Maria Filó, Mixed, MOB, NK, Patrícia Bonaldi, Santa Lolla e Sergio K.

Gucci é o mais novo fenômeno da moda. Há algumas temporadas a maison tem dado o que falar e não é pra menos: a casa que antes possuía um estilo sexy onde suas campanhas sempre exibiam um apelo sexual passou a ficar cada vez mais jovem, romântica e (por que não dizer?), mais comportada. Uma contramão do que esperávamos, mas que tem dado certo.

Caso você não tenha muito acesso à moda, irei lhe atualizar deste acontecimento. A Gucci, uma importante grife de Milão, acabou demitindo sua diretora criativa Frida Giannini, responsável por comandar todas as criações da marca e planejar tudo. E na busca por alguém que pudesse ocupar tal posto, viram que os nomes mais quentes estavam todos em cargos e contratos fechados, então numa estratégia mágica resolveram levantar alguém de dentro da maison para subir de cargo. Foi aí que entrou Alessandro Michele. Ora, pra que melhor do que alguém que já trabalha com a marca, não é mesmo? O que de início pareceu uma tarefa meio arriscada, se tornou uma jogada que traria a Gucci de volta aos holofotes, afinal, já fazia um certo tempo que a marca estava apagada e com vendas baixíssimas no mercado.

Numa cultura onde somos moldados para gostar apenas do que é novidade e descartar o que é velho, então surge Michele, indo na contramão com uma proposta diferente com o intuito de preservar as coleções, ou seja, em uma época onde estamos vivendo consumo imediato em que marcas fazem desfiles com peças diferentes a cada estação, Michele irá apenas evoluir cada uma das peças. É como se a cada nova temporada a mesma coleção recebesse uma repaginada, assim, aquela jaqueta da primeira coleção não precisa ser descartada, se tornando atemporal e transformando não só o segmento de coleção, mas toda a identidade da casa. Percebemos que o caminho traçado por Michelli vai de encontro com o consumo consciente, que não é um assunto novo por aqui, já que sua pioneira foi Vivienne Westwood.

gucci1

Você deve se perguntar, mas não é apenas uma coleção? Na verdade o boom se deve pelo rejuvenescimento da marca, porque se notarmos, as coleções antigas de grandes grifes tinham um público muito adulto, roupas com um estilo mais maduro e que não agradava muito aos jovens, fazendo-os preferirem marcas mais despojadas. Porém, com a dominação da era digital, cresceu o número de jovens influentes e o mercado dessa idade aumentou em números, começando a atrair os olhares de grandes grifes que desejavam o poder de influência desses jovens atrelados às suas marcas. Diante disso, se percebeu a necessidade de rejuvenescer a marca, já que seu público estava caminhando por um novo rumo.
gucci3

É importante frisar que esse novo posicionamento de Alessandro ressalta uma postura digna de aplicarmos ao nosso estilo de vida. Você deve ser quem desejar ser e não precisa abrir mão do seu estilo pessoal para vestir a marca. Na verdade hoje você veste Gucci e não ela lhe veste e temos notado isso cada vez mais em seus desfiles, que têm como foco principal um garoto romântico vintage, mas no seu último desfile, Cruise 2017, que foi inspirado na moda da cidade londrina, foi mostrado que o garoto romântico ainda estava lá, porém vestiu também o punk e o estilo de rua sem precisar abrir mão de sua identidade. Nisso podemos ver que a união desses dois grandes nomes resulta num traço marcante: a liberdade. E é essa liberdade que ele deseja passar para seu consumidor: seja sexy, nerd, vintage, punk, sem gênero, seja quem você quiser – tem espaço para você aqui.

Percebem o poder de uma identidade pessoal e no quanto isso está ocupando o mercado, em como a moda está mais voltada para você? Hoje ela se encaixa no que você quiser e isso nos faz querer buscar não só um estilo nosso, mas um comportamento que nos possibilite descobrir e nos conhecer cada vez mais. Esse é o desejo da moda atual, por isso não acreditamos que sejam apenas roupas, mas uma descoberta por você mesmo através do que se veste. E cá entre nós, Michelli está certo. Você é o que deseja ser. Basta querer.

Abraços!
Por Daniel Saraiva em 20 de janeiro de 2016
0 Comentários  |  Loading Ler mais tarde


Para muita gente a moda não passa de superficialidade. É que moda é quase sempre associada a consumismo, como se ela se resumisse apenas à compra de itens da última tendência. Mas claro que não é bem assim. Na verdade a moda está diretamente relacionada à construção da identidade e compreensão da personalidade. Sim, a moda diz muito sobre nós, sobre o lugar a que pertencemos, a sociedade em que vivemos, a religião a qual seguimos, enfim: o que usamos é um reflexo do que somos.

 
Acontece que, no mundo atual, o que vemos é uma grande mudança em relação às identidades ou uma revolução de subjetividades. Mas calma, deixa eu explicar melhor. Bom, há um certo tempo era bem mais fácil identificar alguém pela maneira de vestir. Os estilos eram muito específicos e geralmente você se identificava com algum e se vestia de acordo com ele. Era mais fácil saber se alguém pertencia a determinada tribo, se o irmão da sua namorada era rockeiro ou se aquele seu vizinho era, por exemplo, muito religioso.
 
É claro que hoje ainda é possível identificar estilos, tribos e saber muito sobre alguém pela maneira como se veste. Mas a subjetividade é bem maior. Se antes praticamente todas as roupas e acessórios usados em um mesmo look se adequavam ao mesmo estilo, hoje é possível usar uma variedade enorme de peças de uma só vez, sem se preocupar se elas estão coerentes ou se estamos seguindo um padrão.

A verdade é que hoje há uma pluralidade de identidades. Eu posso me identificar com algo e também gostar do seu oposto e expor isso por meio do que eu uso. Embora sejamos todos pertencentes a uma sociedade, também somos seres individuais, com pensamentos e gostos bem particulares e isso pode estar explícito naquilo que usamos no cotidiano. No modo de vida atual, aquilo que vestimos, ou seja, a nossa imagem é (propositalmente ou não) confundida com o “ser”. E isso é maravilhoso. Temos uma liberdade que, acredito eu, nunca tivemos antes. Claro que não podemos dizer que já atingimos o auge dessa liberdade, porque inclusive muitos de nós ainda sentem o peso da cobrança em relação ao modo como nos apresentamos socialmente, seja no corte de cabelo, na barba, na roupa ou no que for. Mas podemos dizer sim, que a moda deu grandes passos em relação à expressão do modo de ser individual.
 
Pertencemos a determinado grupo social, mas não somos iguais. E essas diferenças podem gritar ao mundo. Se há alguns séculos éramos vistos como pertencentes à elite, ao clero ou ao proletariado de acordo com as roupas que vestíamos, hoje não se deve julgar a que classe social determinada pessoa pertence pelas roupas que ela usa (embora esta infelizmente ainda seja uma prática comum). O que vestimos tem mais a ver com nossas ideologias, nosso estado de espírito, nossa relação com nós mesmos, com o mundo e nossa identidade cultural. E isso pode mudar, caso a gente mude. Não é bacana?
 
Mas sabem o que é mais engraçado? É que durante muito tempo a moda foi considerada algo que por si próprio é impessoal, que não nos vê como seres individuais e nos define como “ovelhas de um determinado rebanho”. Porém, ela ganha verdadeiro sentido quando permite que você expresse a sua individualidade. E assim nascem os estilos.
 
Bom, eu comecei esse texto falando que muita gente vê a moda como algo fútil e é claro que não será esse post que lhe fará mudar de opinião. Mas como modelo e blogueiro de moda me vejo na obrigação de trazer meu posicionamento sobre isso. Porque as pessoas acham que moda é somente o que está nas passarelas, nas campanhas, na TV e nas revistas. Mas não é bem assim. Moda, meus amigos, também é a roupa que você usa para ir ao trabalho, à faculdade, ao cinema ou onde for. Moda também é aquela calça que você adora, mas que ficou velhinha e pra não se desfazer você resolveu customizar. Moda é a roupa do jovem da periferia, da patricinha, do estudante. É esse casaco que eu coloco porque acho a minha cara, mas é também aquela camisa social, o boné de aba larga, aquele sneaker que eu adoro e o tênis branco que todo mundo acha meio sem graça, mas que me deixa super bem. A moda somos nós. Porque ela não é feita apenas de grandes criadores e estilistas renomados. É feita por gente comum, feito eu e você. Por falar nisso… E você, veste o quê?