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Todos os posts sobre Garoto in Foco

Esse foi um comentário que recebi no meu perfil do Instagram por um fã do meu trabalho. A frase tinha um complemento que dizia: “as pessoas hoje querem ver vídeos”.  Tudo se deu por início quando me questionaram por que não virar youtuber, já que na sua teoria blogs eram muito chatos. O garoto que me mandou isso não me deixou chateado, porém fiquei a pensar e isso me levou a uma série de questionamentos e opiniões acerca desse assunto que preferi discutir por aqui.

Hoje, em 2017, o mundo gira em torno de vídeos e escrever um blog para pessoas lerem acabou se tornando um desafio, afinal é muito mais prático assistir um vídeo e ao mesmo tempo fazer outras tarefas ao invés de parar em frente ao computador/celular para ler. Tudo é muito prático e rápido, nos tornamos consumidores vorazes de informações e bastante exigentes quanto ao instantâneo. Mas nada disso me passava pela cabeça há 6 anos, quando criei este espaço. Imaginar que ficaríamos sedentos de informações instantâneas e que blogueiros se tornariam vlogueiros e digitais influencers parecia uma teoria pouco provável, só a ideia de se ganhar algo por meio de blogs para muitos já era algo surreal naquela época (daí já percebem que meu objetivo nunca foi esse). Informação e conhecimento eram prioridade neste espaço, as maiores ambições que eu possuía era passar meu conhecimento sobre lugares, profissão, moda e afins. Tudo porque em pesquisas na internet acabava me deparando com blogs vagos, com pouca informação e sempre falava para mim mesmo que poderia fazer melhor, justamente por sentir essa sede de textos mais aprofundados.

Mas sabe por que não desisto de ter um blog? Por que não se desiste de seis anos de vida narrados aqui em cada post.  Se pedisse para você esquecer seis anos da sua vida, você conseguiria? Pois para mim é o mesmo que pedir isso. Entendo que o comentário do garoto não foi para desistir do blog, apenas agregar a ele um canal do youtube. Porém, assim como existem blogs bons existem também os ruins e da mesma forma são os canais de youtuber. Talvez eu não seja um bom youtuber, mas isso não quer dizer que sou um blogueiro ruim ou que você precisa desistir do meu trabalho apenas porque não me rendi a mais uma rede social. Ler blog hoje em dia é como ler um livro, não pode ser feito de qualquer jeito e é preciso concentração e tempo, mas ainda existem muitas pessoas que fazem isso. Palavras te fazem viajar muito mais que o visual e é por isso que livros são melhores do que filmes, por isso que blogs são melhores que vlogs.

Há dias em que ver um documento do Word em branco esperando ser escrito quando não se vem nada na cabeça é torturante. Mas quando meus dedos começam a deslizar pelo teclado de maneira bem tímida e após alguns minutos isso se torna uma melodia de tão frenético o ritmo, isso faz com que eu me sinta realizado. E os comentários nos posts? Nossa, é como achar dinheiro na rua (e não estou falando de moedas). Talvez um vlog não me passaria essa mesma sensação, talvez mudar o termo de blogueiro para digital influencer não me faça sentir realizado, mesmo que seja só um canal ou apenas uma definição.

Acredito que nesse meio não é você que se denomina digital influencer, são as pessoas que dizem isso de você. Da mesma maneira o importante não é o que você faz, mas como você faz, é o sentimento transmitido em cada palavra ou vídeo. Talvez nunca consiga descrever em palavras a sensação a qual este espaço me passa, mas o carinho é tão grande que já cheguei a ficar horas ou até o dia inteiro lendo meu próprio conteúdo. A liberdade que ele me deu de poder construir minha própria carreira e encontrar meu estilo pessoal são conquistas que levarei para o resto da vida. E foi este blog que me fez enxergar muita coisa em mim.

É um livro que não tem fim, que a cada semana sai um novo capítulo contando um pouco de mim, mesmo que 5% em um texto de quatro a seis parágrafos. Pedir para abandonar este espaço para criar um canal no youtube é como se pedisse para um escritor parar de publicar suas obras e começar a gravar livros porque ninguém tem mais paciência para ler. Mais uma vez digo que não me sinto ofendido por mensagens com esse pedido, mas quero que entendam que não vou fazer um canal no youtube apenas porque todo mundo gosta de assistir a vídeos. Se for para fazer algo assim, quero o mesmo carinho e dedicação que tenho com este espaço, pois fazer de qualquer jeito não é a minha praia.

A pergunta que fica é: quem ainda lê blogs? Podem ser apenas outros blogueiros, amigos que querem conferir o que ando fazendo, modelos querendo dicas, pessoas que não gostam de vídeos ou pode ser mais específico: alguém que ama o que posto aqui. Como falei em posts antigos, não me importo se escrevo para 5 ou para 1000 pessoas, o importante é que sintam toda essa sensação que tento transmitir. Porque se tiver paixão vale toda e qualquer dedicação.

Abraços!

Esses dias, durante um passeio pelas redes sociais, acabei me deparando com perfis de alguns famosos que me surpreenderam pelo número de seguidores. Fiquei imaginando o quanto poderia ser interessante o conteúdo postado por eles para chegarem àquele nível de popularidade. Na dúvida, fui pesquisar. Vi inúmeros perfis, muita gente considerada bonita, carismática, postando fotos em lugares de encher os olhos e quase sempre pessoas muito estilosas fazendo aquelas poses que a gente adora ver. Até aí tudo bem. Mas eu ainda não tinha as minhas respostas, aliás, ainda não as tive. E continuo sem entender o real motivo de se tornar um digital influencer.

 Temos visto cada vez mais digitais influencers ganharem seguidores, credibilidade e espaço. Mas uma coisa me chamou a atenção: por que essas pessoas tão famosas nas redes sociais são também tão padronizadas? Senti falta da diversidade de raças, de gênero, de classes sociais. A maioria dos influenciadores digitais não começaram pobres, classe D e E. Então por que nos influenciamos e nos deixamos fascinar tão facilmente por aquilo que pouco nos representa?

Vi sim, alguns perfis de mulheres negras e empoderadas pregando justamente esse empoderamento e a conquista tão merecida de espaço, o que me deixou feliz. Porém, onde estão os homens negros, os jovens de periferia, a “galera” do movimento de rua, os suburbanos que não seguem padrões, mas são cheios de atitudes e ideias realmente interessantes? Isso me obriga realmente a questionar: quem é seu digital influencer? Ele realmente te representa? Ele te inspira no modo de ser, viver, de encarar a vida e os problemas, na maneira como se expressa, como se veste e como usa a sua liberdade de ser o que quer em seu favor ou apenas reproduz o que tanta gente vem reproduzindo, vestindo a roupa da moda, a marca da vez e fazendo as velhas poses e carões já tão conhecidos?

Fingir rebeldia não é questionar problemas sociais. Usar o que a moda impõe não é atitude. Então, o que realmente te influencia? O que te faz querer comprar aquilo que alguém disse que é bom ou querer usar aquilo que determinada pessoa usa? Uma paisagem, uma pose ou a conta bancária? Tem certeza de que é esse o caminho que se deve realmente seguir? Bom, longe de mim dizer a você o que se deve fazer, logo eu, que vivo pregando a liberdade de ser o que se quer. Mas me incomoda ver que quanto mais diferentes queremos pregar que somos, mais iguais vamos ficando. Que queremos demonstrar consciência bancando a futilidade alheia e pegando carona naquilo que a gente gostaria que fosse a nossa vida, mas está longe de ser a nossa realidade. Eu não tenho um digital influencer favorito. Costumo seguir profissionais aos quais admiro e pessoas que acredito que tenham muito a me acrescentar/inspirar. Mas hoje gostaria de saber: por que ao invés de se deixar influenciar, a influência não vem de você?

Abraços!

Medo do que os outros irão dizer – uma frase forte que só de ouvir já causa um frio na barriga em muita gente. Percebemos o quão desagradável ela se torna quando é a nós que ela é dirigida, chegando até mesmo a nos causar uma certa retração em algumas situações. Vivemos numa sociedade onde estamos sujeitos a passar por críticas alheias, principalmente sobre o nosso modo de vestir, ou seja: usar tudo aquilo que queremos e da maneira como gostamos não é uma tarefa fácil.  Só de pensar na quantidade de coisas que deixamos de fazer ou roupas que desistimos de vestir por medo de uma segunda opinião me faz refletir sobre até que ponto estamos vivemos nossa vida de acordo com o que queremos.

Já se perguntaram o que vocês deixaram de fazer por medo do que irão falar? Não é necessário ser algo perigoso ou maluco, basta lembrar das vezes em que você se sentiu receoso com o que estava vestindo. A situação se torna pior quando você, ao entrar numa loja, sente vontade de usar ou comprar determinada peça, mas a mídia ou pessoas próximas a você te fizeram acreditar que não tinha “o corpo ideal” ou estilo para vesti-la. É nesse momento que percebemos o quão chato é quando opinam no que você veste, sempre achando que estão ajudando, quando na verdade tudo isso acaba te reprimindo. Opiniões assim são como uma prisão, que te limitam de tal maneira que sua identidade vai embora para tentar se encaixar em um molde do agrado de outros.

Se tem uma coisa que aprendi nesses anos de blog e de moda é que a frase “ fulano está passando vexame com tal roupa” é algo muito singular e não uma regra. Talvez para você o “passar vexame” sejam homens de cropped, mas para esses homens quem passa vexame são pessoas com opiniões tão chatas como essa. É por isso que devemos respeitar a decisão de cada um na hora que se escolhe usar o que deseja, pois só você mesmo saberá o que te faz sentir-se bem.  Por muito tempo vivi situações assim, quando pessoas próximas a mim insistiam em me enfiar suas opiniões goela abaixo com frases como “você é tão bonito, não precisa se vestir dessa forma. Homem não precisa usar calças tão coladas. Você não tem vergonha de usar esse tipo de roupa?”. Foi então que respondi para mim mesmo: e daí? E daí se eu gosto de usar roupas coladas, e daí se às vezes costumo misturar peças bem opostas, e daí se uso jaquetas no calor, se isso me faz sentir bem?  Não precisamos nos importar com opiniões alheias, sério. Só quem sabe o melhor para você é você mesmo, então comece a amadurecer a ideia de que segundas opiniões nem sempre lhe acrescentam. É necessário que você se desprenda dessa barreira que estão criando em relação ao que você veste e a tudo o que diz respeito à sua vida, afinal é você o roteirista, diretor e personagem principal e só você pode decidir sobre qualquer coisa, certo?

E para quem gosta de opinar sobre as roupas de outras pessoas, uma dica: você não é obrigado a achar tudo lindo, mas é seu dever respeitar e só expor sua opinião quando convidado a fazê-lo. Caso contrário, não interfira no vestir do outro. Achar um estilo bonito ou feio são concepções suas, não tem por que mudar, mas amadureça a ideia de que cada um é livre para usar o que deseja e não cabe a ninguém interferir.

Por fim, é necessário entender que não precisamos de mais críticos de estilos, na verdade precisamos de influenciadores de liberdade, esses que sempre nos motivam a sermos livres apenas sendo nós mesmos. E cá entre nós, não há nada mais lindo do que essa autonomia. Por isso, chega de se limitar pelas opiniões alheias. Que possamos todos os dias nos moldar de acordo com a nossa própria essência, com base naquilo que realmente acreditamos, afinal de contas para quem mesmo é que a gente se veste?

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 22 de fevereiro de 2017
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Homem que é home não pode… E assim começam muitas histórias de machismo, preconceito e intolerância. Vivemos em uma sociedade machista, isso é fato. E por mais que tenhamos avançado em alguns pontos, ainda é complicado para um homem optar pela vaidade quando ela não envolve músculos bem trabalhados ou estilo bad boy. A masculinidade está quase sempre associada ao homem barbado, malhado, de terno, camisa gola polo ou bermuda. Mas claro, ser homem é muito mais do que isso.

Eu sempre gostei de me vestir diferente. Sempre me senti bem assim. E isso muitas vezes me causou alguns problemas, a maioria deles relacionada ao preconceito, seja da família, dos amigos ou até mesmo de desconhecidos que chegaram a me olhar com ar de bizarrice. Porém, nunca me intimidei. Pelo contrário, sempre procurei cada vez mais peças diferenciadas, que tivessem a ver com a minha personalidade e não me fizessem sentir mais um na multidão. Não que eu queira ser mais ou melhor do que ninguém, pelo contrário. Essa postura na verdade me fez incentivar outras pessoas a também vestirem o que querem, em especial o público masculino. Sim, porque as mulheres, de certa forma, já possuem alguma liberdade em relação à vaidade, à beleza, às cores e estilos. Homem, infelizmente, ainda não. Uma mulher, por exemplo, pode sair por aí usando calça e se sentir feliz da vida, inclusive, se ela quiser, a calça pode lhe sair um item super sexy. Agora imaginem o contrário – um homem andando por aí de saia. Já existe, não é? Porém, isso quase não é aceito, embora a aceitação não seja lá o principal, até porque ninguém tem nada a ver com o que os outros usam ou deixam de usar. Mas gostando ou não você tem que respeitar.

Segundo a nossa sociedade, há algumas regras que devem ser seguidas à risca pelos machos alfa em questão: não tirar a sobrancelha, não se depilar, não usar calça skinny, não usar maquiagem, não usar peças do guarda-roupa feminino, não… Olha, são muitas, e se eu for listar todas precisaremos de um outro post só para destacá-las. Porém, já dá para se ter uma noção de que aquilo que define a nossa masculinidade está ligado a comportamentos enraizados em nossa sociedade desde uma época em que moda era um assunto longe de merecer ser discutido. E isso, claro, é muito injusto conosco, homens do ano XVII do século XXI.

E vocês sabem quem são nossos maiores inimigos? Nós mesmos, claro. Tenho a impressão de que o homem por si já nasce preconceituoso – com os outros e com ele mesmo. Mas claro, a culpa não é só nossa. Somos criados ouvindo a velha e cansada frase “homem que é homem não pode” e lá vem aquela lista de coisas que mencionei ali em cima, inclusive, há um quesito não mencionado, mas bem tradicional: o choro. Então, se você também já se sentiu oprimido, não precisa mais engolir o choro. Chegou a hora de nos expressarmos como bem quisermos e a maneira como nos vestimos é uma boa opção maneira para se começar.

Bom, preciso dizer que fácil não é. Você precisa, antes de tudo, vencer seus próprios medos, receios e preconceitos. Precisa dizer a si mesmo que você pode e passar a ter a consciência de que se você quiser mesmo que as coisas sejam diferentes, é bom começar a agir diferente. Pra que a sociedade mude alguém precisa começar. Muitos já começaram, mas quem os acompanhará? Quem terá a coragem de deixar de lado o macho man interior para finalmente se tornar um homem livre? Bom, que você não faça por modinha, mas pelo real significado da moda: de que ser você mesmo é a melhor maneira de expressão. E que você se sinta bem sendo vaidoso, diferente ou até mesmo seguindo a multidão.

Abraços!