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Por Daniel Saraiva em 22 de fevereiro de 2017

Homem que é home não pode… E assim começam muitas histórias de machismo, preconceito e intolerância. Vivemos em uma sociedade machista, isso é fato. E por mais que tenhamos avançado em alguns pontos, ainda é complicado para um homem optar pela vaidade quando ela não envolve músculos bem trabalhados ou estilo bad boy. A masculinidade está quase sempre associada ao homem barbado, malhado, de terno, camisa gola polo ou bermuda. Mas claro, ser homem é muito mais do que isso.

Eu sempre gostei de me vestir diferente. Sempre me senti bem assim. E isso muitas vezes me causou alguns problemas, a maioria deles relacionada ao preconceito, seja da família, dos amigos ou até mesmo de desconhecidos que chegaram a me olhar com ar de bizarrice. Porém, nunca me intimidei. Pelo contrário, sempre procurei cada vez mais peças diferenciadas, que tivessem a ver com a minha personalidade e não me fizessem sentir mais um na multidão. Não que eu queira ser mais ou melhor do que ninguém, pelo contrário. Essa postura na verdade me fez incentivar outras pessoas a também vestirem o que querem, em especial o público masculino. Sim, porque as mulheres, de certa forma, já possuem alguma liberdade em relação à vaidade, à beleza, às cores e estilos. Homem, infelizmente, ainda não. Uma mulher, por exemplo, pode sair por aí usando calça e se sentir feliz da vida, inclusive, se ela quiser, a calça pode lhe sair um item super sexy. Agora imaginem o contrário – um homem andando por aí de saia. Já existe, não é? Porém, isso quase não é aceito, embora a aceitação não seja lá o principal, até porque ninguém tem nada a ver com o que os outros usam ou deixam de usar. Mas gostando ou não você tem que respeitar.

Segundo a nossa sociedade, há algumas regras que devem ser seguidas à risca pelos machos alfa em questão: não tirar a sobrancelha, não se depilar, não usar calça skinny, não usar maquiagem, não usar peças do guarda-roupa feminino, não… Olha, são muitas, e se eu for listar todas precisaremos de um outro post só para destacá-las. Porém, já dá para se ter uma noção de que aquilo que define a nossa masculinidade está ligado a comportamentos enraizados em nossa sociedade desde uma época em que moda era um assunto longe de merecer ser discutido. E isso, claro, é muito injusto conosco, homens do ano XVII do século XXI.

E vocês sabem quem são nossos maiores inimigos? Nós mesmos, claro. Tenho a impressão de que o homem por si já nasce preconceituoso – com os outros e com ele mesmo. Mas claro, a culpa não é só nossa. Somos criados ouvindo a velha e cansada frase “homem que é homem não pode” e lá vem aquela lista de coisas que mencionei ali em cima, inclusive, há um quesito não mencionado, mas bem tradicional: o choro. Então, se você também já se sentiu oprimido, não precisa mais engolir o choro. Chegou a hora de nos expressarmos como bem quisermos e a maneira como nos vestimos é uma boa opção maneira para se começar.

Bom, preciso dizer que fácil não é. Você precisa, antes de tudo, vencer seus próprios medos, receios e preconceitos. Precisa dizer a si mesmo que você pode e passar a ter a consciência de que se você quiser mesmo que as coisas sejam diferentes, é bom começar a agir diferente. Pra que a sociedade mude alguém precisa começar. Muitos já começaram, mas quem os acompanhará? Quem terá a coragem de deixar de lado o macho man interior para finalmente se tornar um homem livre? Bom, que você não faça por modinha, mas pelo real significado da moda: de que ser você mesmo é a melhor maneira de expressão. E que você se sinta bem sendo vaidoso, diferente ou até mesmo seguindo a multidão.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 1 de fevereiro de 2017

Às vezes ser você mesmo pode ser considerado um crime. Não, não é exagero, é isso mesmo. Sermos nós mesmos muitas vezes tem um preço muito alto, cobrado principalmente pela sociedade. Se você usa uma roupa, um corte de cabelo ou faz qualquer outra coisa considerada diferente, começa de repente uma avalanche de críticas que, acreditem, pode não ter limites.

Tomei como exemplo disso uma amiga que resolveu usar o que queria: colocou um biquíni cavado, foi aonde quis – praia, piscina e simplesmente se permitiu fotografar e postar nas redes sociais. O que ela fez de errado? Nada! O corpo é dela, ela é adulta, dona do próprio nariz e tem poder de decisão sobre si mesma. Mas a sociedade não aceita. Amigos(?) criticaram e começaram a espalhar suas fotos em grupos do whatsapp, fazendo piadinhas de mal gosto e tentando denegrir a sua imagem.

Então funciona mais ou menos assim: você tem que usar o que eles querem, o que determinam ser bom pra você e não aquilo que você escolhe. E eu gostaria muito de saber explicar o motivo disso, mas não consigo encontrar nenhuma explicação razoável. Não há lógica em se incomodar com o que o outro usa, com o que faz, com o jeito de ser, de vestir, de falar, de viver. Desde que a vida da outra pessoa não afete a sua (e não, não afeta), o nosso maior incômodo parece ser uma dificuldade imensa de conviver com as diferenças, de não aceitar as opiniões e muito menos as pessoas como elas são.

Não estamos preparados para um mundo mais evoluído porque nós mesmos não evoluímos. Se uma mulher coloca um shortinho e principalmente se ela é gorda, mais cedo ou mais tarde virá um comentário mais grotesco e uma demonstração explícita de preconceito, seja no mundo virtual ou no real, porém, no virtual as piadinhas tendem a se espalhar numa velocidade incrível.

Ninguém para pra saber como o outro se sente, ninguém quer aceitar que as pessoas já nasceram livres, que as amarras sociais são idiotices completas e sem sentido algum. Estamos presos a costumes e conceitos de nossos antepassados que acreditavam que o machismo era o melhor conceito de vida e não aceitavam ser contrariados. E você pode até dizer que não concorda com isso, mas faça aí uma reflexão e acabará se deparando com uma crítica ou piada que fez e que, por mais idiota que possa ter parecido, certamente acabou ou acabaria ferindo alguém gratuitamente.

É, não é fácil. Não é fácil pra mulher, que quer usar uma saia curta ou um decote sem ser criticada ou virar alvo fácil dos “homens machos alfa”, assim como não é fácil pro homem que quer o direito de ter vaidade, de vestir algo além dos bermudões de surf e das camisas gola polo. Mas não é porque não seja fácil que não deve ser feito. O seu jeito de ser não é crime. Crime é difamar, criticar, apontar e ridicularizar alguém. As críticas existem porque pessoas preconceituosas ainda povoam este mundo e são altamente contagiosas. Porém, elas não são capazes de tirar o nosso direito de ser quem somos e de vestir o que queremos. Elas não podem arrancar a nossa essência. Porque nenhum julgamento será capaz de nos intimidar. Nenhuma avaliação negativa nos ditará regras que não são nossas. E nenhuma piada terá mais força do que o nosso poder de fazer aquilo que já nascemos sabendo: sermos nós mesmos.

Há muita gente que critica a fotografia, não essas de momentos, cotidianas, mas essas que fazem as pessoas ficarem presas ao clique perfeito e optarem por algo ilusório, que engana tanto a quem está curtindo quanto a elas mesmas, pois ironicamente acabam acreditando naquilo que reproduzem. A fotografia pode ser o que você decidir: verdade, mentira, ilusão ou intenção. Mas a questão é: você é verdadeiro com o que fotografa ou cria uma realidade alternativa? Vale a pena maquiar o real para envaidecer o virtual? Com a revolução das redes sociais, criar um mundo de ilusões acaba sendo quase uma obrigação. Mas, e você, o que faz com a sua imagem?

Cresci numa família em que todos gostavam de registrar momentos, adorava as tardes de domingo onde minha mãe me arrumava para tirar fotos no quintal da nossa antiga casa. Nesses dias já cheguei até a fazer fotos para o ateliê de noiva da vovó (seriam esses meus primeiros passos como modelo? Hahaha!). Na pré-adolescência vivia uma eterna frustração por não ter mais câmera para registrar, meus pais sempre tinham outras prioridades que impossibilitavam a compra de uma melhor. Por isso, tenho poucas fotos dessa época e fica até difícil de lembrar um momento. Ao adquirir minha primeira câmera e celular que continha uma, passava o dia me registrando. Gostava de poder gravar várias faces de mim mesmo em uma imagem. A partir daí passei a registrar tudo e até hoje tenho guardado em várias pastas no computador fotos de amizades que não estão mais comigo, turmas de escolas que só restaram memórias, viagens, eventos, cada uma com sua lembrança e significado único que nos faz ver a importância da fotografia em nossas vidas.

A arte de registrar um momento através de um clique se tornou um hábito da nova geração com as redes sociais e blogs, tanto que hoje podemos dizer que ninguém vive sem uma câmera, é a famosa geração da selfie. Há também aqueles que realmente pesam a mão e deixam de viver o lado simples da vida se prendendo a uma falsa imagem registrada apenas para redes sociais. Mas claro, se não há um equilíbrio começa o exagero e, em consequência, surgem os críticos. E em partes eu concordo com tudo isso, sabe? Houve momentos que realmente me prendi ao clique perfeito, ao resultado que ele gerava ao ser postado numa rede social. Foi nesse momento que percebi que precisava me desintoxicar de tudo e voltar às origens que me fizeram ser um blogueiro/modelo. Precisava procurar o por quê de ter escolhido registrar tudo o que faço para mostrar a vocês. Resultado? Um tempo fora de tudo, blog passando por um intervalo de quase dois meses que me fizeram rever e pensar nos momentos maravilhosos que este espaço me trouxe durante esses cinco anos. Então percebi que o segredo disso tudo era voltar àquela essência simples de quando criei, nada profissional demais, sem carão e pose em todas as fotos. Na verdade descobri que deveria desopilar, me desprender, ser menos exigente, afinal o objetivo do blog sempre foi ser apenas o espaço de um garoto mostrando o lado maravilhoso do seu cotidiano, o de registrar momentos e não likes.

Tudo o que é postado aqui é 95% do meu cotidiano real. Podem até haver algumas pequenas modificações apenas para deixar a fotografia melhor, mas nada que fuja da realidade.  Sou preso a uma câmera, sim, mas procuro um equilíbrio entre o real e o virtual, o momento de registrar e o de viver. Quero passar uma mensagem melhor em cada foto, quero transmitir o sentimento que sinto naquele momento, a obsessão pelo clique perfeito ficou no passado.

O tempo passa rápido demais, nos deixando apenas lembranças do que já foi. Ora, quem diria que o blog estaria hoje às vésperas dos seus 6 anos? São momentos assim que às vezes fogem da nossa percepção e só nos damos conta quando passou. Mas, ao olharmos para trás, conseguimos ver tudo o que foi construído. Hoje consigo enxergar todos os momentos vividos no instante em que tirava uma foto apenas para dar bom dia para vocês e é maravilhoso poder lembrar a história que há por trás disso tudo. Por isso, trouxe alguns momentos que tive durante uma sessão de fotos. Queria muito compartilhar isso com vocês.

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Festa surpresa organizada por amigos e familiares.

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Fui agenciado por uma agência importante de São Paulo

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Após essa foto, fomos abordados por ladrões. Mas não fomos assaltados.

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Quando resolvi mudar o visual. Fotografia espontânea enquanto tentava ajustar o boné.

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O dia que passei a ver que precisava de fotógrafos pro meu blog. O primeiro deles foi o João Paulo, que tirou essa foto.

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Assinei o contrato para ser modelo oficial de uma marca

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Editorial para a Revista Estourada, no dia estava mais nervoso que em outros trabalhos.

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Editorial para a Revista Ozten

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Primeira vez que fui fotografado pela Bia Lopes. A partir daí ela passou a me ajudar muito com o blog.

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Meu primeiro casting para Atto Favo.

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O melhor encontro de blogueiros que participei.

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Quando finalmente decidi reformar meu quarto.

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Fotografia espontânea tirada enquanto brincava com minha cachorra Melissa.

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Após essa foto, fomos convidados a se retirar do local, por ser proibido fotografar.

O inicio de coisas boas que 2017 está me trazendo.

O inicio de coisas boas que 2017 está me trazendo.

É por causa de momentos como esses que quero registrar em fotografia cada vez mais, não como narcisismo, mas porque quero lembrar da sensação, do cheiro e sentimento de todo aquele momento. No final, se você ainda se sente incomodado com influenciadores que são muito artificiais, convido vocês a fazerem uma limpeza em suas redes sociais. Encha seu feed de pessoas reais, que valorizam a essência, então você perceberá que é na simplicidade que o principal é dito ou vivido naquela imagem. Siga pessoas inspiradoras que fazem registros não para alimentar o ego, mas para mostrar que o mundo tem um lado mágico no nosso cotidiano e que muitas vezes não enxergamos, mas está ali naquele cenário abandonado, naquele look que te faz se sentir maravilhoso, naquele lugar que tinha uma comida espetacular. E é somente assim que você enxerga a maravilha que é a vida através de um clique.

Por Daniel Saraiva em 30 de dezembro de 2016

Diante de todas as dificuldades que vivenciei ao longo do ano, reaprender sobre a vida foi a melhor delas. Descobri que momentos ruins não vêm em nossa vida apenas uma vez, mas que logo após a tempestade coisas boas virão. Tudo isso acaba se tornando um ciclo que nunca deixa a vida entediante, e sim cheia de aventuras.

Não cumpri metas e tracei objetivos, mas assim como todo mundo esperei coisas boas de 2016. Se elas chegaram? Não da maneira como eu gostaria e em alguns casos vieram de uma forma diferente, mas foi isso o que tornou tudo melhor: o fato de não ser o esperado. Confesso que dificilmente esquecerei algumas coisas que 2016 me proporcionou, que foram bem desconfortáveis inclusive, mas preciso seguir em frente e deixar para trás essas experiências ruins. Não quero ficar com acúmulos de passado e nem de futuro, quero viver o presente e por mais um ano não traçarei metas e nem objetivos, farei o que for possível com as oportunidades que me forem dadas e com as portas que serão abertas no meio da caminhada. Isso não é ser acomodado, mas sim evitar criar expectativas em cima de coisas que nem sempre podemos realizar, mas que insistimos em colocar em listinhas fúteis que no final só nos levam a uma grande frustração.

Vale ressaltar que pretendo explorar outros rumos, sinto que 2017 será um capítulo muito diferente de tudo o que já vivi, só não sei ainda se isso será bom ou ruim, apenas falo com base nos acontecimentos que a vida me trouxe nesse finalzinho de 2016 e que terão continuidade em 2017. Se estou nervoso? Demais, sinto a continuação de uma história, porém de uma maneira totalmente nova.

Pretendo aprimorar cada vez mais os projetos que estão em aberto e lógico que o blog está incluído nisso, daqui a pouco completaremos 6 anos e quero investir cada vez mais neste espaço, que foi o que me ajudou a me encontrar. Quero poder viver mais meus sonhos e seguir caminhos diferentes, e tudo isso começará a acontecer a partir de 2017. Se você estiver curioso com o que virá, terá que continuar acompanhando o Garoto in Foco, lendo os posts, vendo a fan page e dando aquela curtida, afinal o Facebook dá prioridade em visualização a quem está sempre interagindo com a página.

Bom, finalmente chegamos ao fim da Retrospectiva e fica difícil fechar a porta de 2016, mas farei o seguinte: irei na frente e deixo vocês a serem os últimos a sair e fechar a porta. O por quê disso? Porque sei que vocês ainda querem ler e reler mais alguns posts por aqui, então eu deixo vocês à vontade e ainda tenho a oportunidade de recepcioná-los em 2017, certo? Fiquem à vontade, a casa é de vocês, apreciem cada momento que este espaço produziu ao longo deste ano, pois são experiências pessoais, mas compartilhadas com muito carinho para ajuda-los da melhor maneira.

Muita alegria, paz, sonhos realizados, conquistas, e todas as boas energias a todos vocês.

Um forte abraço e que venha 2017!