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No mundo em que vivemos hoje cada um precisa de uma arma. Não, não me refiro a essas que espalham terror por onde passam, mas àquelas que nos dão voz e coragem para expressarmos tudo o que sentimos, armas essas que nos ligam a pessoas que nos apoiam e compartilham da mesma opinião, tornando mais forte a causa ou situação a qual estamos abraçando.

Todos sentimos essa necessidade de nos armar de expressão e andarmos por aí munidos de opiniões e ideias bem embasadas, para que no momento exato possamos mirar e atirar. Colocar para fora aquilo que sentimos é algo realmente libertador e cada um procura a melhor maneira de fazer isso: uns usam as redes sociais, outros, porém, gravam vídeos e há aqueles que criam sua própria plataforma de site/blog. Seja como defesa ou ataque, cada um usa como achar melhor, mas nem sempre os resultados são positivos. Nesse assunto posso até me citar como exemplo, pois encontrei na moda a minha verdadeira forma de expressão, de me fazer ser visto ou ouvido por tudo que tinha para dizer. Porém, foi no blog que travei batalhas quase que diárias com pessoas, sistemas, regras e em algumas situações até comigo mesmo.

Para os profissionais da moda o próprio mercado é uma forte arma, mas que infelizmente nem todos sabem usar, pois ela acaba sendo uma faca de dois gumes. Um exemplo recente foi o tapete vermelho hollywoodiano recheado de atrizes e atores usando preto em forma de protesto contra os abusos sofridos por mulheres em sets de filmagens. Atrelado a isso tivemos também a modelo Cameron Russell que incentivou modelos masculinos e femininos a mostrarem sua voz e relatarem os frequentes assédios que sofriam nesse mercado de modelo, que cá entre nós, vêm acontecendo desde muito tempo. É a moda sendo utilizada para denunciar aquilo que acontece em seu próprio universo, mas que, claro, não deveria acontecer. Situações como essas mobilizaram pessoas de vários lugares do mundo e fizeram aquele reboliço no mercado para que as mudanças realmente acontecessem e eu acredito que elas realmente estejam começando a acontecer.

Outra arma utilizada recentemente, mas que infelizmente foi para o mal, mesmo que sem intenção (porém de profundo mau gosto), foi a campanha da marca sueca H&M, que colocou uma criança negra usando um moletom com a seguinte frase: “O macaco mais legal da floresta”. Um ato racista, infeliz, que causou uma revolta compreensível por parte do público.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                             Um pedido de desculpas foi comunicado, houve perda de duas parcerias de grande porte e não se sabe ao certo o quanto isso afetou as vendas, embora tenhamos a noção de que não foi pouca coisa. Mas nessa situação pudemos concluir o quanto a H&M acabou dando um tiro no pé, não é? Infelizmente ela não foi a única e nem será a última. Porém, é necessário que as marcas e pessoas entendam que hoje cada um tem suas armas esperando o momento certo para utilizá-las, alguns com consciência, outros sem um mínimo de bom senso. Por isso, é importante que o pensamento de agora em diante não seja a defesa em si, nem mesmo o ataque, mas o coletivo, a missão de amenizar esse duelo de armas entre pessoas e marcas que presenciamos com tanta frequência.

Se antes a moda falava, hoje ela praticamente grita com tudo o que tem a dizer. Afinal, se olharmos o atual estado do mercado, veremos que por trás de quase tudo existe uma mensagem fortíssima, seja ela qual for. Alexander McQueen, Vivienne Westwood e Jonh Galianno foram os pioneiros que conheci a utilizarem suas armas dentro do universo da moda, mas, atualmente, há Alessandro Michelli e Demma Gavsalia, que refletem em cada coleção tudo aquilo que desejam passar. Dizer que a moda é fútil e inútil já se tornou um conceito bastante antiquado. Aqui no Brasil tivemos Zuzu Angel, que usava suas criações como forma de protesto contra a ditadura. E, claro, existiram e existem muitos outros com boas histórias de resistência para contar.

A moda nos dá essas armas, mas é preciso sabedoria e estudo para que você saiba usá-las da forma correta. Caso contrário, estará apenas seguindo a multidão em meio a muitos outros que não sabem para onde estão indo. Por isso, é importante que antes de conhecer nossas armas nos conheçamos cada vez mais, para saber que tipo de arma podemos manusear. No mais, vale ressaltar: informação é tudo. Por isso, antes de nos armarmos de qualquer conceito, nos municiemos de conhecimento. Somente assim teremos propriedade para lutar em qualquer guerra e, principalmente, lutar pela paz.

Se você está procurando por um texto que fale sobre o quão massacrante é a sociedade, assim como as cobranças por ela exigidas, infelizmente esse não é o texto. Na verdade, o assunto sobre o qual venho tratar é algo bem singular. Trata-se dos padrões impostos por você mesmo, daqueles que você insiste em colocar sobre si mesmo e acaba não suportando e vivendo uma eterna frustração. Calma, agora sim, aqui é o seu lugar, pois você está lendo o texto de uma pessoa que insiste em se cobrar cada vez mais.

Meus pais se casaram cedo e com 20 anos minha mãe engravidou de mim. Nessa época eles já possuíam seu próprio negócio e aos 30 a vida deles já estava estabilizada. Isso me fez criar a teoria de que nessa idade já deveríamos estar com os objetivos alcançados. Bobagem minha, mas uma paranoia que me perseguiu durante anos, por isso acabei traçando muitos objetivos e metas que nunca consegui realizar. E pior: todas com prazo de validade, tanto profissional como pessoal.

Objetivos e metas são necessários, mas quando mal administrados podem te deixar numa rotina complicada de busca para alcançá-los. O resultado disso pode ser um tanto desastroso, afinal, quando não conseguimos atingir as nossas metas vem aquela sensação de fracasso.

Mas, afinal, de quem é a culpa por eu me sentir tão pressionado? Lógico que foi toda e inteiramente minha, que resolvi por conta própria me sufocar com tanta pressão. O problema foi que comecei a olhar muito para a vida de outras pessoas sem compreender que a minha não funciona da mesma forma. Claro que algumas pressões foram importantes, sim, para o aprendizado e o foco naquilo que eu queria, mas em alguns momentos isso me fazia sentir-me fraco e sufocado e o resultado disso foram muitas vezes querer desistir por não saber o significado de esperar.

Na há regras ou livros que digam que as coisas podem acontecer facilmente e acredite: se há algum que prometa, ele não necessariamente servirá para você. Na vida a gente deve escolher pelo que vale a pena batalhar e quanto tempo valerá investir no tal objetivo, o que é muito pessoal e certamente não acontecerá para mim da mesma maneira que acontece pra você.

O tempo que gastei torrando meu psicológico colocando fardos pesados poderia ter descoberto e feito coisas que só cheguei a realmente concluir muitos anos depois, tudo isso devido a uma grande cobrança de que precisava estar realizado antes dos 30, que precisava de uma casa, estabilidade financeira e que estaria realizado profissionalmente. Poderia até mesmo ter cuidado mais da minha saúde. E por conta disso acabei atrasando cada vez mais meu amadurecimento.

Vez ou outra ainda me pego olhando meu relógio cronológico e querendo me colocar pressão com a idade avançando, mas não é bem assim que as coisas funcionam. Não devemos nos torturar por isso e sei que nessa hora a sociedade ajuda bastante a aumentar essa pressão, mas ainda assim a culpa é nossa, que decidimos sugar toda essa cobrança como se fosse o ar mais puro que existe, quando na verdade isso acaba sendo veneno para nós mesmos.

Percebido o erro, hoje me relaciono melhor com ele e com minhas metas. Parei de me sentir paranoico ou de me preocupar mais do que deveria. Não vale a pena ficar comparando a nossa vida com a de A ou B, porque cada um tem seus próprios sentimentos, expectativas, medos e desejos. Só você sabe o seu potencial e com o que vale a pena gastá-lo, então é completamente inútil ficar pensando que fulano tem apenas tantos anos, mas já é um empreendedor de sucesso. Foque na sua vida, afinal o tal fulano não tem (ou ao menos não deve ter) nenhuma influência sobre ela.

Hoje meus objetivos permanecem os mesmos, mas com essa caminhada tão duradoura as coisas foram se ampliando e outros caminhos foram sendo traçados, o que descobri graças a essa demora das coisas se realizarem. Dizem que o apressado come cru e é verdade; eu estava tão preso a isso que não enxergava que se esperasse um pouco mais a comida viria bem melhor. Agora que sei estou começando a me deliciar com o melhor prato que já experimentei na vida: viver minhas próprias experiências dentro de meu próprio tempo.

Abraços!

Por Daniel Saraiva em 8 de dezembro de 2017
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Há momentos na vida em que sigo pensando o que há de bom mesmo na internet. Vocês também pensam assim? Existem épocas em que você se pergunta se é realmente necessário manter uma página/rede social online se isso ocupa 100% do seu tempo. Quando passo por épocas assim me pergunto se dar um tempo de tudo é realmente necessário, afinal já se tornou regra o blog parar uma vez por ano. Não que isso seja irresponsabilidade minha ou mesmo falta de interesse, como já falei anteriormente, amo esse lugar, a energia que ele me passa e o crescimento que ele me proporcionou até aqui. Porém, há momentos em que é necessário sim, nos afastarmos um pouco para enxergarmos sob um novo ângulo o que estamos fazendo e assim refletirmos e procurarmos novas ideias, caminhando rumo à evolução.

Há momentos em que fico com receio de passar a imagem de uma pessoa sem compromisso e inconstante por estar sempre querendo mudar uma coisa ou outra aqui no blog. Aliás, não somente aqui, mas em tudo: na verdade procuro sempre a renovação, sempre trazer algo novo que fuja um pouco da rotina. Sim, eu tenho muito problema com rotina e acredito que todos que possuem blogs devem também procurar trazer algo novo, pois caso contrário você poderá se fadigar ou mesmo tornar seu espaço mecânico, sempre com os mesmos assuntos e nenhuma novidade. Isso sem contar que cada vez mais as pessoas estão desistindo de ler blogs, como já falei anteriormente, então é necessário sim nos renovar para conquistar um novo público, mas claro, sem perder a identidade.

O que aprendi longe de tudo

Aprendi que na vida você não precisa ser somente sorrisos, que se você não estiver bem é normal se desligar um pouco de tudo. Há pessoas que não colocaram crédito no que você faz? Sim, mas acima de tudo é preciso entender que somos humanos, não podemos nos sobrecarregar muito, pois em algum momento podemos desmoronar. Passar um tempo longe me fez enxergar cada vez mais meu espaço e ver o que preciso acrescentar e mudar, sim mais mudanças virão. Mas acima de tudo aprendi que espontaneidade nas redes sociais é muito melhor do que forçar algo que não representa quem você realmente é. E foi assim, longe do Garoto in Foco que consegui enxergar ou reenxergar o propósito de ter esse espaço, afinal, em momentos ruins poucos são os que conseguem enxergar coisas positivas, mas a minha estava aqui. É nesse lugar, entre as páginas do Garoto in Foco que me sinto feliz e realizado. Aqui perco meus medos e me sinto livre para ser cada vez mais eu mesmo, sem rótulos, sem invenções, enquanto também ajudo quem lê e acompanha.

Bom, o mais importante é que seu espaço deve ser uma extensão do que você é. Se aquele momento que você está vivendo for ruim, não é errado mostrar que não está bem. Precisamos entender que a vida não é só felicidade e mostrar isso 24 horas nas redes sociais acaba se tornando uma grande mentira. Lógico que não se trata de expor tudo o que está passando, mas de haver um equilibro entre o que se posta e o que se está realmente sentindo.

E para concluir, peço que não desistam do Garoto in Foco assim como eu nunca desisti. Estou sim, em constante mudança e refletindo cada vez mais sobre tudo isso aqui, porém, uma coisa é certa: homens demoram a amadurecer mais do que as mulheres, então ainda estou nessa fase de amadurecimento, hahahahaha! Portanto, é necessário paciência, pois tudo são ciclos e fases e para que uma nova fase venha é necessário encerrar a antiga. E é isso que estou fazendo. Que venha o recomeço!

Abraços!