A polêmica é antiga, mas acredito que mereça ser motivo de postagem por aqui. Com o surgimento dos bloggers muitas polêmicas e críticas foram lançadas sobre esse segmento que tem crescido tanto nos últimos anos, se tornou um fenômeno na internet e é incrível como muita gente consegue fazer disso seu próprio negócio, tirando lucros que chegam a valores bastante altos. Bom, não se sabe exatamente como começou, mas existe uma certa rivalidade entre os blogueiros e a mídia, mais especificamente a mídia voltada para a moda. Devido a isso, houve até a criação de uma faculdade para ser blogueiro, idealizada por Alice Ferraz juntamente com a faculdade de Belas Artes.
Algumas pessoas têm uma raiva enorme desses tais blogueiros e os argumentos são muitos. O principal começa devido aos patrocínios, que não condizem com o assunto retratado no blog. Mas a publicidade é isso, aparece na TV, no youtube, no facebook e em muitos outros lugares. Eu particularmente não gosto desse tipo de propaganda, mas também não discrimino quem cede seu espaço para ela. Não vou mentir que houve épocas em que estive interessado em patrocínio no meu blog, mas preferi me aprimorar em passar um conhecimento com base ao invés de produtos que talvez nem fossem do meu agrado e ainda fazer do blog uma vitrine de loja.
Já recusei sim, alguns patrocínios. Não direi que foram muitos, mas não aceitei por não serem algo que eu realmente usaria. E recusar isso não me tornou melhor e nem pior, apenas diferente. Acredito que existam muitos blogueiros com os pensamentos iguais aos meus, de trazer informação para os seus leitores e não se preocupar em ter que divulgar esse ou aquele produto.
Sei que muitos jornalistas ficam indignados porque muitos desses blogueiros ocupam seus lugares na fila A dos desfiles, mas pensem comigo: é tão importante assim assistir a esses desfiles em lugares “privilegiados”? Será que de outros pontos também não daria para prestigiar? Já assisti a muitos eventos de moda em primeiras e em últimas filas e posso dizer que isso não interferiu em minha visão sobre o evento. Não vamos nos iludir, antes mesmo dos blogueiros existirem quem ocupava as primeiras filas junto com os jornalistas eram artistas famosos. Com o fim dos blogs não aumentará o número de cadeiras nos lugares privilegiados, na verdade eles só serão substituídos por outra classe que estiver no auge. E claro que seria melhor se eles fossem ocupados por uma classe que entende de moda.
Antes dos blogueiros a moda era vista como algo restrito e acredito que com o surgimento dos blogs as pessoas começaram a ter um acesso maior e a se interessar mais pelo assunto, mesmo que essa moda seja restrita a “look do dia”, mas através disso o mercado foi se tornando cada vez mais dinâmico, e com o surgimento desse tal “look do dia” que muitos criticam, tivemos uma reformulação nas editorias de moda com matérias na íntegra sobre os desfiles. Se notarmos bem, até as marcas se tornaram bem mais acessíveis no relacionamento com seu público. Claro que isso é devido a um conjunto de fatores e não apenas por causa dos blogs, mas que essas páginas na web tiveram sua parcela de colaboração, isso não se pode negar.
A partir disso tivemos uma maior liberdade e acesso a coisas relacionadas à moda. Quem não lembra daqueles programas que colocavam looks de celebridade e diziam se elas estavam de acordo com as tendências? Hoje isso não existe mais porque o tal erro de look ganhou uma palavra chamada identidade. Hoje se você mistura cores e estampas nãos está fora dos padrões da moda e sim dentro de uma identidade única que faz com que muitas marcas se inspirem, que são os chamados ‘street style’ (moda de rua). O conjunto contribuiu para que a moda se tornasse uma expressão de personalidade que antes não era vista por muita gente.
Dizer que o mérito é somente dos bloggers seria demais, mas tivemos sim uma participação nisso tudo. Não estou aqui para dizer que a minha classe é a mais certa e nem para fazê-los mudar de opinião. Na verdade não quero convencê-los de que os blogueiros são os melhores da moda, isso não compete a mim e não há uma verdade absoluta sobre quem é melhor ou pior, tudo é muito relativo. Só quero lembrar como funcionam as coisas, qual foi o papel do blogueiro nessa história e que, por mais que você odeie essa classe (o que é um direito seu), deve lembrar de alguns pontos importantes e a partir disso construir a sua opinião.
Se não gostamos de um determinado blogueiro não precisamos denegrir toda uma classe. Há profissionais bons e ruins em todas as áreas, não é mesmo? Sabemos que nas demais existe um diploma, coisa que nós não temos. Mas por que aqui não podemos ser valorizados pelo talento? Acredito que uma faculdade seja de fundamental importância sim, mas quantos profissionais tiveram seu talento reconhecido sem precisar entrar na vida acadêmica, como foi o caso do próprio Valentino, acredito sim, que existam blogueiros tão talentosos que mereçam créditos por seu trabalho, desenvoltura e esforço. Mas o que acredito que deva realmente existir seja uma maior aceitação dessas novas profissões que surgem com o avanço da tecnologia. Que haja menos intolerância e mais respeito. Menos preconceito e mais conhecimento. Porque só se discrimina quando se conhece apenas superficialmente. Que antes de criticar saibamos respeitar.

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