Por Daniel Saraiva em 8 de setembro de 2016

Mudança, palavra essa que fez parte de toda minha trajetória de vida, como já foi mencionado por aqui. No lado profissional ela inclusive acontece com bastante frequência, já mudei inúmeras vezes de profissão até descobrir a vocação que realmente queria seguir. E com vocês, já aconteceu algo parecido? Na verdade isso é comum, mais do que imaginamos até. O fato é que no meio dessas indecisões percebi que tinha uma vocação e que disso poderia fazer uma profissão. Sem notar fui me aperfeiçoando, pesquisando, aprendendo e até ensinando. Mas na hora de explicar o que faço, como convencer as pessoas de que sou modelo e blogueiro? Sempre tento explicar de uma maneira que levem a sério meu trabalho sem ficar com cara de “?”, porém, ao final de todo aquele discurso algumas insistem em lançar a pergunta: mas afinal de contas, o que você faz? É modelo? Designer? Blogueiro? Colunista de moda? Fotógrafo? É nessa hora que minha língua enrola e eu fico travado. E percebi que isso não ocorre só comigo, já vi outras pessoas comentando, inclusive alguns blogueiros.

Sou desses que acreditam no próprio talento, não chegando a ser convencido, mas acredito que através dele poderei realizar grandes coisas profissionalmente, porém, na hora de comentar com outras pessoas sobre um pouco dessa habilidade profissional fico sem saber o que falar. Meu talento? Sou modelo e blogueiro e através desses dois trabalhos consigo mostrar para as pessoas que elas têm que acreditar nos seus sonhos mesmo que ninguém acredite. Tento aconselhar que você não deve ter medo de se mostrar ou usar o que você quer independente da sociedade ser ainda preconceituosa com um homem que gosta de se vestir diferente. Mostro que através daquilo que você ama fazer poderá ter a profissão dos seus sonhos e que não há limites para sonhar.

Talvez esse medo que trava minha língua de falar o que realmente faço seja algo que a sociedade impõe, muitas vezes alegando que você deve fazer uma faculdade por anos intermináveis e após isso correr atrás de um emprego estável trabalhando no mínimo 8 horas por dia de carteira assinada com um chefe que você não suporta, tendo uma vida repetitiva e estressante. Me desculpe, mas isso é algo ao qual não me encaixo, trabalhar apenas para conseguir aquele dinheiro todo mês não faz parte da minha forma de viver. Sei que ninguém faz por prazer, a maioria é realmente por necessidade, porque precisa daquilo para atingir seus objetivos profissionais e eu não só admiro como respeito muito quem segue esse caminho, mas eu não consigo me encaixar nele, de verdade. Gosto de acrescentar cores e sabores no meu cotidiano e isso envolve o meio profissional, por isso não invisto em outra coisa.  Como me enxergam no meio profissional? Muitas vezes como louco, acomodado, preguiçoso e por aí vai. Tudo isso já escutei de alguém e até mesmo de familiares. Mas o que eles não conseguem entender é que corro atrás daquilo que amo fazer e não do que eles querem impor para mim. E se você quer saber quantas horas por dia corro atrás dos meus objetivos, se eu lhe disser que são 24 horas, você acredita? Não estou falando por alto e sim com certeza. Me vejo como uma grande empresa e por dia traço metas, caminhos e objetivos, fico analisando todas as portas possíveis, fazendo muitas vezes até gráficos de ganhos e perdas de algumas oportunidades que vejo diariamente. Passo o dia pesquisando e se alguém me perguntar saberei responder muita coisa sobre esse meio, porque vou a fundo em tudo que faço. Mas por muitos não verem um currículo em minha mesa e sim um book, acham que estou querendo me acomodar.
Uma das coisas que mais me orgulho na vida é de ter chegado até aqui sozinho. Vejo que não precisei de ninguém segurando minha mão ou me orientando, a maior parte dessa trajetória rumo ao conhecimento foi solitária e me ajudou a ser mais independente. Hoje possuo grandes amigos que me auxiliam na caminhada, mas há 4 anos atrás era feito somente com meu esforço. Sei do que sou capaz e vejo o quanto avancei através disso e nessa caminhada não busquei apenas o conhecimento da minha profissão, mas acabei me encontrando e me descobrindo no meio dela. Foi uma jornada rumo a mim mesmo e isso é realmente uma sensação muito boa. São coisas como essa que fazer um trabalho convencional certamente não me proporcionaria. E tudo isso me passa confiança, sabe? Porém, quando tento explicar, me ocorre uma insegurança, como se minha profissão não tivesse credibilidade e tudo não passasse apenas de uma brincadeira, então me pego pensando em tudo o que batalhei e vi que essa batalha foi também para garantir respeito pelo que faço, tudo na teoria, pois na prática ainda rola a insegurança (e o preconceito).
Então chega aquela filosofia “se você não acreditar no que faz, quem vai?” Mas talvez isso aconteça porque fiz de um hobby, algo que fazia de graça, o meu ganha pão. Comecei a ganhar por aquilo que fazia nas horas vagas e que hoje ocupa bem mais da minha rotina diária. Em algumas vezes, poucas aliás, faço com tanto amor que não obtenho retorno nenhum. Não tenho vergonha de dizer isso, mas não são todos que entendem e acabam fazendo você desacreditar do seu trabalho. Mas nesse meio profissional acontece muito de inúmeras vezes você ter que fazer pequenos “favores amigos” pro seu chefe ou mesmo ficar um pouco mais tarde por um imprevisto, tudo sem obter uma valorização. Como podemos perceber, trabalho não é somente ganhar pelo que se faz. É fazer daquela sua qualidade algo para exercer no meio profissional. Lógico que não pretendo passar a minha vida toda trabalhando sem retorno, mas em algumas situações sabemos que é necessário. Por isso, use aquilo que você tem de melhor e acrescente no meio profissional para dar uma vida a mais no seu cotidiano. Não se prenda a regras ou normas que a sociedade impõe. Se você acredita no seu talento, pode ter certeza: isso já é o suficiente.
Abraços!

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1 pessoa opinou sobre “Afinal de contas, qual é a sua profissão?”.

  1. Mickaela 100Artimanhas

    12 de setembro de 2016

    No que toca ao meu blog é mesmo isso! Mudança é a palavra certa mas mesmo assim aquela que é mesmo mesmo certa é indecisão. Eu sou muito indecisa! O meu blog já sofreu diversas alterações a nível do tema e do nome… Mas desta é para ficar! Na minha vida também sou muito indecisa mesmo! xD