Por Daniel Saraiva em 15 de fevereiro de 2017

Recentemente li um artigo que questionava as compras exageradas de produtos lançados como tendências, mas que consumidos de maneira tão massificada que passaram a saturar o mercado. E pude perceber o risco que é nos deixarmos levar pelo que o mercado praticamente nos obriga a consumir, sem nos darmos conta de que na maioria das vezes estamos levando para o nosso guarda-roupa peças que nada tem a ver conosco, mas com toda e qualquer pessoa que achar aquele produto “bonitinho” ou “descolado”.

 O que muita gente atribui à moda não é a moda propriamente dita. Muitas vezes querem nos empurrar goela abaixo uma cor, um sapato, um casaco, um novo jeans, uma estampa, um tecido ou seja o que for, alegando que aquilo é a nova tendência e que vai sim, fazer muito sucesso. Com o marketing devidamente trabalhado o produto é vendido em larga escala. As fast fashions estão lotadas de pessoas que se veem maravilhadas por eles. E pouco tempo depois temos uma multidão se vestindo praticamente igual.

Mas espera aí, moda não era aquilo que te diferenciava? Não era a moda que tinha a função de te dar uma personalidade única, de te destacar pela ousadia de ser você mesmo? Então por que há tanta gente comprando a mesma coisa com o objetivo de se sentir único? Talvez porque o mercado esteja preocupado apenas em vender e não em conscientizar. Porque para uma indústria não compense fabricar peças diferentes, mas fazer crer que algumas o são. E quem acredita se iguala à multidão.

Bom, eu vivo gritando aos quatro cantos do mundo que moda é essência e que é essa essência que vemos refletida na sua aparência. Mas como enxergar isso numa multidão de camisetas de estampa floral, de sapatênis ou de camisas cor de rosa? Será que você está realmente vestido de si mesmo ou o mercado está te vestindo como ele bem entende e te fazendo acreditar que você “anda na moda”? Afinal de contas, andar na moda é fazer moda? Foi-se o tempo em que me iludia com posts retratando tendências ou mostrando peças de determinados desfiles no estilo “10 peças que você precisa ter no seu guarda-roupa”. Não, nós não precisamos ter isso ou aquilo, essa é uma necessidade mais deles do que nossa. Chega de imposições, agora somos nós quem tomamos as decisões.

Já conversamos sobre isso outras vezes e uma das coisas que sempre defenderei é que é você que faz a moda e não a moda que faz você. Portanto, quando o comercial te disser que é essa ou aquela marca que deve ser usada, quando as revistas te disserem que a cor do ano é aquela tal e as lojas encherem os manequins e araras de determinadas peças, reflita. Você não precisa vestir o óbvio, nem o mais fácil, nem o mais sofisticado para estar bem na fita. Tudo o que você precisa é usar aquilo que parece com você, que reflete o que você é e mostra ao mundo (ou a quem você quiser) que ser livre é muitas vezes ir na contramão do que as pessoas estão pregando por aí como liberdade, mas vem disfarçadas em etiquetas de R$ 49,90.

Abraços!

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9 opinaram sobre “A moda que não te diferencia”.

  1. Sarah

    17 de abril de 2017

    Simplesmente adorei seu texto e apoio a opinião de que a moda não deve ditar o que somos mas nós ditamos a moda. Ela deve nos servir e nós ajudar a montarmos a imagem que queremos ter.

    Bjo

  2. Jeovana

    17 de abril de 2017

    “Você faz a moda e não a moda que faz você” Realmente Dan, é sempre tudo isso que você falou. “Aí menina, leva isso que tá todo mundo usando.” Eu nunca gostei de usar o que todo mundo estaria usando, gosto de usar o que me cai bem, o que me favorece. Parabéns pelo texto, e por não ser mais um blogueiro querendo empurrar produtos! Precisamos de mais de gente assim.

  3. Diamantes Lingerie

    17 de abril de 2017

    Que textão bacana, super adorei. E nos faz refletir sobre muita coisa na moda <3
    Parabéns!

    https://mydiamantes.com.br/

  4. Laryssa Machado

    17 de abril de 2017

    Que texto ótimo Daniel, muitas vezes fico me questionando essas “modas” que nós são empurradas, e se estamos mesmo levando o “Moda é essência” a sério.

    Abraços
    http://www.larydilua.com

  5. Daniele Serrano

    18 de abril de 2017

    Adorei seu texto!
    Não me ligo muito em moda e apenas uso aquilo que gosto e me sinto bem, detesto quando resolvem massificar alguma peça.

  6. Franciele

    19 de abril de 2017

    Verdade, a moda é para nos auxiliar a expressar o que sentimos através do que vestimos.

    http://www.simplesmenterosa.com

  7. Luciano

    19 de abril de 2017

    Amigo, arrasou no texto. Amei esse lance de vestir aquilo que parece com você, e não se limitar a nada. AMEI!

    http://www.entreeles.com/

  8. Plasticaholic

    20 de abril de 2017

    Pura verdade!! O que vemos de pessoas ou até mesmo blogueiras mudando seu estilo porqueiros modinha.
    Quem devia influenciar pessoas, está sendo na verdade influenciado , fingindo um estilo.
    É claro, consumindo mais e mais, roupas que não são seu estilo real.

  9. jessica cicilia

    24 de abril de 2017

    Seu texto me representa demais, já fui dessas loucas por tendências, mas graças a mim eu encontrei um equilibrio. Precisamos mesmo aprender a usar a moda a nosso favor e não contra nós, seja no quesito auto estima, financeiro, ou seja lá qual for…Não podemos continuar sendo escravos, precisamos consumir mais conscientemente. òtimo post!!!